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Estado de Minas

Grupo de vândalos destrói estátua de Orixá na Prainha do Lago Paranoá

Um morador de rua impediu que o estrago fosse maior. Mão de representação de oxalá foi cerrada e dois homens e uma mulher tentaram arrancar o cajado da figura


postado em 29/12/2015 12:18 / atualizado em 29/12/2015 12:54

O morador de rua amarrou a estátua para que o cajado e a mão da entidade não caíssem no chão(foto: Ògan Luiz Alves/FOAFRO-DF)
O morador de rua amarrou a estátua para que o cajado e a mão da entidade não caíssem no chão (foto: Ògan Luiz Alves/FOAFRO-DF)

 

Representantes de religiões de matrizes africanas do Distrito Federal denunciaram mais um ataque de intolerância contra símbolos sagrados. Um grupo de três pessoas tentou arrancar o cajado da estátua de Oxalá na Praça dos Orixás, na Prainha do Lago Paranoá. O ato de vandalismo aconteceu dias antes de uma das mais importantes comemorações dos praticantes. Um morador de rua impediu que a peça fosse completamente destruída.

Segundo o coordenador do Fórum Permanente das Religiões de Matrizes Africanas de Brasília e Entorno (Foafro), o ógan Luiz Alves, os religiosos souberam do ataque nesta segunda (28/12). “Ontem fomos à Prainha para acompanhar a montagem das estruturas para a virada. Quando chegamos, eu, o Pai Rafael e o Ogan Wilson fomos parados por moradores de rua que nos contaram a história”, contou.

 

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O morador de rua relatou à Luiz Alves que, na semana passada, um carro branco com três pessoas parou no local. Dois homens desceram do veículo, cerraram a mão da estátua da entidade e tentaram arrancar o cajado, também chamado de Opaxorô. A testemunha correu em direção ao grupo pedindo que não fizessem aquilo. “Segundo o morador nos falou, eles correram para dentro do carro e arrancaram. Quase o atropelaram. Foi quando ele conseguiu ver a mulher”, relatou Luiz Alves.

O morador de rua amarrou a estátua para que o cajado e a mão da entidade não caíssem no chão. Após tomar conhecimento do ataque, Luiz e as outras autoridades presentes resolveram inspecionar todas as estátuas e também acharam um tijolo largado próximo à representação de Iemanjá, e uma marca nas vestes da entidade. “Essas pessoas (os moradores de rua) nos ajudam. Eles vivem no local e acabam protegendo as estátuas. Estamos em débito com eles. A vigilância é pouca. Eles evitaram que algo pior acontecesse”, disse.

Vítimas do ódio

A proprietária do terreiro Axé Oyá Bagan, incendiado em 27 de novembro, Adna Santos de Araújo, 52 anos, mais conhecida como Mãe Baiana também comentou o ataque. “Se uma pessoa faz um negócio desse nessa época do ano e na calada da noite, estamos certos que se tratou de mais um caso de intolerância religiosa. Nós estamos inseguros, nossos terreiros estão inseguros. A falta de respeito e a baderna são grandes. Esperamos que o governador Rodrigo Rollemberg cumpra com o compromisso de criar uma delegacia especializada em crimes contra religiões de matrizes africanas”, disse.

Mãe baiana espera o laudo da Polícia Civil que dirá se o incêndio no terreiro no Paranoá foi criminoso. “Somos o único terreiro no Brasil que não poderá fazer nada para Iemanjá esse fim de ano. Contamos com ajuda para a reconstrução. Ainda não temos o laudo da perícia”, lamentou.

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