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Estado de Minas

Brasília é mais do que pano de fundo para história em quadrinhos

Histórias misturam temas atuais, como bolhas imobiliárias e protestos políticos, em um universo marcado pelo fantástico


postado em 07/01/2016 08:00

Em sua primeira HQ, Thalija: Aventuras brasilienses em busca da cidade oculta, Frederico Flósculo se inspirou em Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll (foto: Gabriela Studart/ UnB Agência)
Em sua primeira HQ, Thalija: Aventuras brasilienses em busca da cidade oculta, Frederico Flósculo se inspirou em Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll (foto: Gabriela Studart/ UnB Agência)
 
Nas suas andanças por Brasília para decidir se deveria ou não seguir a arquitetura, a mesma profissão de seus pais, a adolescente Thalija acabou chegando ao Conic. Após atravessar um portal localizado no Setor de Diversões Sul, ela seguiu pelos labirintos e pirâmides encontrados no subterrâneo da capital, até chegar ao centro de toda essa mixórdia urbanística, onde encontrou Lucio Costa em pessoa.

Das mãos dele, a jovem recebeu de presente um exemplar do famoso Relatório do Plano Piloto e aprendeu duas formas diferentes de usá-lo: esfregando suas páginas, Thalija poderia invocar a presença de Costa a qualquer momento, para sanar todas as suas dúvidas a respeito de Brasília. E, ao enrolá-lo como uma zarabatana, ela ganhava o poder de estourar as bolhas imobiliárias que tentam gentrificar ainda mais a capital do país.

As aventuras da garota não fazem parte da rotina comum aos estudantes de Ensino Médio que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Isso porque ela é a personagem principal da HQ Thalija: Aventuras brasilienses em busca da cidade oculta, escrita e desenhada à mão pelo professor de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Flósculo. “Sou um desenhador. Minha escolha de vida envolveu essa habilidade natural. Comecei a desenhar uma série de quadros sobre as manifestações de 2013. Foi daí que surgiu a ideia.”

Flósculo juntou as questões urbanas e os problemas típicos de Brasília em meio a um universo fantástico que foi além das linhas arquitetônicas tão comentadas na capital. Assim, Thalija cruza com criaturas mitológicas, como o Tatu, o Metrossauro e o Minhocão, e participa de protestos políticos na Esplanada dos Ministérios.

“Acabei fazendo uma história que explora a cidade de uma maneira mágica, matemática, urbanística e política. É uma interpretação alucinada acerca dela”, explica. Para Flósculo, a HQ ajuda a trazer novas percepções a respeito do que forma, de fato, a arquitetura e o urbanismo, em suas dimensões mais humanas.

“Existem interpretações de Brasília que são canônicas, mas estão tão batidas que não conseguem mais suscitar nas pessoas aquele encantamento original, como acontecia em décadas passadas. Era realmente necessário redescobrir a história mais cotidiana daqui”, afirma. Uma das grandes inspirações para a obra foi o clássico Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.“A grande ficção de Alice envolve uma adolescente inteligente e curiosa com vários portais de contato. A mesma coisa acontece aqui: portais para os mundos da cidade parque e da cidade tradicional, das escalas magníficas de Brasília.”
 
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