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Estado de Minas

Primor pelo trabalho marcou carreira do cabo Renato Fernandes Silva

Militar faleceu na última sexta-feira durante uma perseguição policial na BR-070


postado em 08/02/2016 09:36 / atualizado em 09/02/2016 14:32

O cabo Renato Fernandes da Silva recebeu quase 100 menções honrosas(foto: Blog Tenente Poliglota/Reprodução)
O cabo Renato Fernandes da Silva recebeu quase 100 menções honrosas (foto: Blog Tenente Poliglota/Reprodução)


“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”. O versículo bíblico que encerra o vídeo do cortejo fúnebre em homenagem ao cabo Renato Fernandes da Silva, divulgado pela PM, resume o sentimento de pesar vivido desde a última sexta-feira (5/2). Para alguns, a data era apenas o início do período mais festivo do ano, com as serpentinas, a felicidade estampada em rostos e os trajes multicoloridos da época. Para outros, no entanto, o dia ficou marcado pela dor e pela perda.

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Renato Fernandes da Silva atendia a uma ocorrência criminal. Durante uma perseguição policial, tentava recuperar um carro roubado, que seguia rumo a Águas Lindas. Mas o veículo dele capotou na BR-070. O cabo teve uma parada cardiorrespiratória e morreu no local. Outros três colegas militares estavam no carro da corporação e foram transportados ao Hospital Regional de Ceilândia com escoriações leves. Antes disso, tentaram reanimá-lo, sem sucesso. Procurados pela reportagem, os colegas de equipe de Renato, ainda abalados com a fatalidade, preferiram não se pronunciar.

O heroísmo desmedido era cena comum na rotina do morador de Ceilândia. Por 13 anos ele serviu à PM, oito deles no Grupo Tático Operacional (Gtop) de Ceilândia e cinco no de Taguatinga. Aos 37, havia recebido quase 100 menções honrosas, número muito acima da média, segundo o porta-voz da PM, Michello Bueno. “Para conseguir tantos comentários positivos, é preciso ter atos nobres, como salvar vidas e recuperar bens valiosos”, explica.

Quando estava de plantão, Silva deixava o celular particular desligado para se dedicar integralmente à labuta. “Era um policial sério, mas feliz, agregador, de bem com a vida. Estava sempre querendo mostrar o máximo”, resume Michello, professor de Renato no curso de formação de praças, em 2000. O policial mantinha boas relações com a corporação e com a comunidade. Para comprovar, basta observar outros dados e seus superlativos. Até o fechamento da edição, o vídeo que presta o último adeus ao PM havia sido visualizado mais de 500 mil vezes e compartilhado por quase 12 mil pessoas.

Apontado por colegas como responsável e habilidoso, Renato era casado, tinha dois filhos e, em breve, seria pai novamente. A namorada está grávida de dois meses. O mais novo, Wisley, 8 anos, comoveu ao comparecer no enterro no sábado, em Taguatinga. Manteve-se em silêncio, abraçado à bandeira da PMDF. O governador Rodrigo Rollemberg esteve entre as 5 mil pessoas que compareceram ao enterro do policial, na tarde de sábado, no cemitério de Taguatinga.

Agradecimento

Moradora de Taguatinga, Carolina Mota escreveu um sensível relato no Facebook, que ajuda a entender por que Renato era tido como um profissional exemplar. “Esse policial militar foi o meu herói por duas vezes”, relatou, em postagem na rede social. O caso mais recente aconteceu há dois meses, quando o carro da biomédica foi roubado na região. “Obrigada por me defender sem ao menos me conhecer. Obrigada por não medir esforços para defender a vida da população”, desabafou. Outra ocorrência de destaque foi quando Renato atuou com o grupo que apreendeu mais de 26kg de cocaína em Ceilândia, no fim do ano passado. Na carreira, outra marca positiva foram as dezenas de armas apreendidas, inclusive um fuzil de uso exclusivo do Exército, em setembro.

Subtenente do Bope, Marcos Serra, 45, se emociona ao lembrar-se do colega. No ano passado, ele também foi vítima de um capotamento na Asa Sul, enquanto estava a serviço da segurança pública. Por sorte, não sofreu ferimentos graves. Segundo Marcos, é impossível não se colocar no lugar de Renato e pedir por melhorias. “Nós não temos, no Brasil, um carro específico para a segurança pública na polícia. Usamos carros comuns, como o tipo Pajero em que ele estava, e que não tem quase nenhuma adaptação, no máximo, alguns equipamentos dentro. Isso acaba dificultando o nosso trabalho”, pontuou.

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