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Estado de Minas

Prefeitura dá selo de qualidade para lares sem o Aedes aegypti em Luziânia

Baseados na estratégia da comparação, o órgão lança campanha contra a dengue pregando um adesivo em casas da cidade


postado em 12/02/2016 09:20 / atualizado em 12/02/2016 10:54

A prefeitura espera que os adesivos incentivem a população a combater o mosquito(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A prefeitura espera que os adesivos incentivem a população a combater o mosquito (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Em estado de alerta, Luziânia, localizada no entorno do Distrito Federal, a pouco mais de 60 km de Brasília, ocupa o terceiro lugar no ranking de notificações casos de dengue feito pela Secretaria Estadual de Saúde do estado de Goiás. Segundo o Núcleo de Vigilância Epidemiológica do município, nas cinco primeiras semanas do ano houve 1,2 mil casos notificados. A epidemia motivou a prefeitura a criar uma campanha de conscientização um pouco diferente das convencionais: as residências visitas pelos agentes comunitários e livres de foco do Aedes aegypti ganham um adesivo escrito “Esta casa não tem dengue”, pregado na porta das casas. A campanha começou em 28 de janeiro. A visibilidade do certificado é proposital. “Colocar isso na casa das pessoas constrange quem não tem o selo”, explica Watherson Roriz de Oliveira, secretário de saúde da prefeitura.

Recebe o “selo de qualidade” o morador que não possui foco do mosquito. A reportagem acompanhou o trabalho de agentes epidemiológicos do município na manhã desta quinta-feira (11/2). Eles saem juntos com um enfermeiro comunitário de saúde e, enquanto analisam os quintais das casas, o responsável pela casa recebe informações de prevenção, e sobre que medidas tomar se sentirem os sintomas. Após verificar a área externa da residência, questionam sobre algum possível foco de água parada como potes e baldes de água, por exemplo. Se forem resultantes de lavagem de roupas ou servirem para hidratar animais, o agente dá a instrução de lavar o recipiente frequentemente – ao menos uma vez por semana – e, se não houver mais nada, a casa é presenteada.

 

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A dona de casa Kaira Alves Fernandes, 27, recebeu o selo:
A dona de casa Kaira Alves Fernandes, 27, recebeu o selo: "me senti mais segura" (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

A reportagem acompanhou equipes de agentes comunitários ontem no Parque Alvorada I. Das quatro casas visitadas, duas receberam o selo. Quando não recebem, os moradores são orientados sobre como acabar com a água parada, recebem panfletos educativos e a visita é remarcada para 15 dias depois daquela data. Em duas situações, os residentes aproveitaram a chegada dos agentes para fazer reclamações de terrenos e casas abandonadas próximas, onde há suspeita de água parada. A dona de casa Kaira Alves Fernandes, 27, recebeu o selo. Ela não sabia da campanha e relata que se sentiu segura. “É bom ver que está tudo certo. Gostei da iniciativa, porque você sabe quando o vizinho colabora também”. Ela, que nunca pegou dengue, diz ter medo da doença e, depois da campanha, vai pedir para os familiares colaborarem também.

Já a dona de casa Flávia Aparecida de Farias, 43, teve dengue há cinco anos e diz que a filha teve recentemente. “Toda doença é ruim, mas a dengue é horrível. A gente não consegue fazer nada”, conta. Ela recebeu a enfermeira Rita de Cássia Siqueira, 57, que a orientou sobre as prevenções, e a agente de endemias Daniele Pereira dos Santos, 30, responsável por analisar os possíveis focos, e ganhou o selo. “Desde que tive dengue, comecei a tomar cuidado”.

De acordo com o Watherson Roriz, os agentes começaram a operação pelos bairros mais afetados e seguem para os menos. Os bairros Parque JK, Parque Alvorada I, Serrinha, Alto das Caraíbas, Setor Norte e Setor Norte Maravilha estão entre os visitados pelo “mutirão”. Segundo o secretário, a partir da próxima segunda-feira, soldados da 6ª Companhia do Exército de Cristalina acompanharão os agentes para garantir a segurança deles em locais mais ermos. Além disso, eles fazem parte de um plano futuro da prefeitura para adentrar em terrenos abandonados. Para isso, o chefe da pasta diz que entrará com uma liminar para ter o amparo da justiça. “Como Luziânia fica próximo de Brasília, muita gente fica fora da cidade e há uma pendência de quase 50% dos móveis, que ficam fechados”, explica. A campanha vai até 30 de junho, quando será feito um balanço para analisar os resultados da iniciativa.

Percalços na Saúde

Os casos de dengue em Luziânia demoram pelo menos dois dias para ser diagnosticado. O Hospital Regional da cidade carece do teste rápido e o paciente precisa passar um dia no hospital para fazer exames, como o sanguíneo, e, no dia seguinte, retornar ao médico para receber o diagnóstico. Lucimar Barbosa Pereira, 22, voltou hoje pela terceira vez ao hospital. Ela disse que no primeiro dia o médico descartou a hipótese de ela ter a doença. “Tomei dipirona e me deram soro o dia inteiro. Fui para casa, mas os sintomas continuaram. Voltei no dia seguinte”, conta. Na segunda consulta, o médico pediu exames por suspeitar de dengue e ela teve de voltar no terceiro dia para mostrar os resultados. Segundo representantes da unidade de saúde, desde o fim do ano passado a unidade não recebe o material para realizar o teste rápido.

Lucimar não sabia da campanha. Ela trabalha com doméstica em uma casa no bairro Rosário, e conta que o chefe está com dengue. A residência ainda não entrou na rota dos agentes segundo ela, nem a casa dela, localizada em uma fazenda à 18 km, não incluída nos bairros da cidade. Mas, segundo o secretário Watherson Roriz, casas em áreas rurais fazem parte do planejamento da iniciativa, para também poderem receber o selo “Esta casa não tem dengue”.

Confira os números levantados pela prefeitura de Luziânia para a campanha:

Número total de imóveis no município: 110 mil
Visitados: 20.137
Adentrados: 13.883
Com foco do mosquito: 486
Visitas recusadas: 33
Que ganharam selo: Mais de 200

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