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Estado de Minas

Em memória de Louise e Jane: 'Que a punição seja exemplar'


postado em 13/03/2016 14:07

Brasília, mais uma vez, está de luto. Em pouco mais de 24 horas, duas jovens foram assassinadas por homens que não souberam receber um “não” como resposta às suas expectativas amorosas. Nem a polícia é capaz ainda de dar explicações certeiras sobre nenhum dos casos, o que nos joga naquele vácuo cruel no qual reverbera uma só palavra: por quê? De qualquer forma, há duas explicações plausíveis, que possivelmente se combinam quando o assunto é feminicídio.

Por um lado, vivemos numa cultura machista, na qual homens julgam-se donos das mulheres, portanto capazes de decidir se as querem vivas ou mortas. Muitos não conseguem lidar com a recusa, nem com qualquer tipo de rejeição. Não se pode também desprezar a doença mental como um fator importante em muitos assassinatos. Ainda que sejam conscientes de seus atos, é impossível garantir com 100% de certeza que estejam lúcidos e donos das mais perfeitas faculdades mentais quando decidem tirar a vida de uma mulher. De qualquer forma, só há uma coisa capaz de reparar o mal que fizeram: a punição. Que seja exemplar em todos os casos, sejam os assassinos maníacos psicopatas, sejam homicidas em perfeita condição mental.

Nesse sentido, é bem-vinda a notícia de que a prisão em flagrante de Vinícius Neres, 19 anos, que confessou ter matado Louise Maria Ribeiro, de 20, no laboratório de biologia da Universidade de Brasília (UnB) na última quinta-feira, foi convertida em preventiva. Apesar de ser réu primário e ter confessado, o que seria usado pela defesa como argumento para que o autor respondesse em liberdade, ele permanecerá preso por pelo menos 180 dias. No caso de Jane Carla Fernandes Cunha, 21 anos, morta por Jonathan Pereira Alves, na tarde de sábado, em Samambaia Norte, o assassino selou o próprio destino: cometeu suicídio depois de matar a ex-namorada.

As mortes de Louise e de Jane são mais uma pena dolorosa para Brasília. Por muito tempo, ficarão na nossa lembrança, assim como perdura ainda hoje a tristeza pelos assassinatos de Thaís Mendonça, Isabela Tainara, Maria Cláudia, Emilly e tantas outras meninas, adolescentes, mulheres vítimas da fúria incontrolável de homens. É uma sentença cumprida por muitos, não apenas pelos criminosos - muitos deles ainda gozam do direito de progressão por bom comportamento. E nós? E as famílias dessas mulheres? Não temos nem a certeza de punição justa. Agora é esperar e confiar na justiça. Só ela é capaz de amparar os que ficam.

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