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Morre, aos 49 anos, o jornalista e professor Francisco Paula Lima Júnior

Chico lutava contra um câncer e estava internado no Hospital Daher, no Lago Sul.O sepultamento ocorreu na tarde de hoje, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul

Chico gostava de vinho, mas só daqueles mais encorpados. Também cultuava as mulheres e a profissão: o jornalismo. No entanto, foi a arte de ensinar que fez Francisco Paula Lima Júnior, 49 anos, se destacar. A sala de aula era como uma fazenda e Chico o senhor daquelas terras ; ninguém se atrevia a entrar sem pedir licença e cumprimentá-lo. O humor irônico e a firmeza com que tratava os alunos ganharam repercussão na faculdade onde lecionou e estudou no Guará. A luta contra o câncer, porém, foi perdida após seis meses. Chico morreu ontem. Deixou mulher e três filhos.

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Nascido em Bacabal, distante a 240km de São Luiz, no Maranhão, as ;curvas da estrada da vida;, como costumava dizer o trouxe para Brasília há 32 anos. Tinha paixão pelo Núcleo Bandeirante, onde morava em um amplo sobrado. ;Aquilo ali é o principado de Mônaco do Cerrado;, brincava sempre que se referia a cidade. No bolso da calça sempre havia balas. E era comum vê-lo com um lata de refrigerante na mão. Em dezembro de 2013, sofria com a empreitada de um dos filhos: o jovem iria estudar na Alemanha.

Atuou como assessor parlamentar, subchefe de gabinete e chefe de gabinete parlamentar desde 1983 na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Era professor de jornalismo e especialista em ciências políticas. Chico fundou e presidiu a Associação Brasiliense dos Blogueiros de Política (ABBP). Os laços com a política, assunto que venerava, vem de família. Seu tio Jackson Lago (PDT) foi governador do Maranhão.

Em maio de 2007, a Polícia Federal o tirou o que mais gostava: a liberdade. Durante a Operação Navalha, que desarticulou uma suposta quadrilha que fraudava licitações públicas para a realização de obras, levou Chico para a carceragem. Ficou por lá pouco mais de uma semana. Nada foi comprovado, mas até os dias de hoje o passaporte e alguns bens estavam retidos.

Chico nasceu em 16 de janeiro. Era do signo de capricórnio. Controlador nato. Quando algo fugia do seu controle ou não saia como gostaria a fúria o consumia. Despertou amor e ódio. Uns dirão que o primeiro, mais que o último. ;Chico foi meu professor, meu colega de profissão, meu conselheiro, e principalmente meu amigo. Que dividia comigo conhecimento, experiências profissionais e muita alegria. Chico foi minha base, meu apoio quando cheguei a Brasília pra cobrir política;, lamentou a jornalista Neliane Macedo.

O diagnóstico do câncer veio em setembro do ano passado. Nos últimos dias, Chico ficou internado na unidade de tratamento intensivo (UTI) do Hospital Daher, no Lago Sul. Ele também já havia passado por algumas cirurgias. O sepultamento ocorreu na tarde desta terça-feira (22/3), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.