Publicidade

Estado de Minas

Mais de 1,2 mil professores no DF atuam fora das salas de aula

Segundo relatório do Tribunal de Contas e do Ministério Público, profissionais são desviados para outras funções dentro da secretaria. Além disso, alunos e professores convivem com infraestrutura precária. Em Ceilândia, por exemplo, escola ficou sem atividades


postado em 06/04/2016 06:01 / atualizado em 06/04/2016 07:43

A professora Carla Cristina, em meio a cadeiras quebradas e mato alto: suspeita de leptospirose de colega mostra o perigo escondido em material usado diariamente (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
A professora Carla Cristina, em meio a cadeiras quebradas e mato alto: suspeita de leptospirose de colega mostra o perigo escondido em material usado diariamente (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
 
 
O ano letivo começa com problemas sempre presentes, como a falta de infraestrutura das escolas e a ausência de professores. Na Escola Classe 59 de Ceilândia, por exemplo, uma profissional tirou atestado médico por suspeita de leptospirose — na unidade, não é raro ver fezes de rato em vários cantos. Isso significa mais gasto com a contratação de temporários. Mas não é o único caso em que o GDF precisa gastar em dobro para pagar um substituto. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediram à Secretaria de Educação a explicação sobre 1.276 mestres desviados para áreas administrativas e outros órgãos do GDF.

Assim, o Executivo gastaria o dobro com custos relacionados ao pagamento dos concedidos e também para contratação de temporários. A desorganização relacionada à grade horária também preocupa os dois órgãos. A má distribuição faz com que nem todos os profissionais cumpram as horas estabelecidas para ensino em classe. A estimativa é R$ 6,35 milhões em prejuízo aos cofres públicos nas 40 escolas pesquisadas.

O relatório desenvolvido pela Promotoria de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc) afirma que, mesmo com grande carência de professores, a pasta destacou profissionais em atividades não pedagógicas: 662 em unidades centrais e intermediárias da pasta, 203 em outros órgãos e 411 para atuação em convênios firmados com empresas públicas e privadas. “Todavia, a SEDF não possui critérios objetivos para realizar esta alocação, nem mesmo definições claras do que é considerado atividade pedagógica em suas unidades centrais e intermediárias”’, aponta o estudo. As análises são baseadas em dados de 2014 e 2015.

A promotora da Proeduc, Cátia Gisele Martins, explica que a prática acarreta prejuízos para a educação na rede pública. “Investigamos o fato dos profissionais levados a outros órgãos e que continuam recebendo pela Secretaria de Educação. Em suma, o valor deveria ser aplicado na educação. Além disso, a pasta acaba gastando mais contratando temporários para suprir a perda dos professores para outras entidades”, aponta.

Desvio
Segundo o presidente da Associação de Pais de Alunos das Instituições de Ensino (Aspa-DF), Luiz Claudio Megiorin, em 2013 foi feita uma representação no MPDFT alertando para um desvio de mais de 5 mil professores da rede pública. “É um problema que precisa ser resolvido. No mínimo, esses profissionais deveriam estar alocados na própria secretaria e não em outros órgãos. O sistema já sofre tanto para ter perdas significativas”, afirma.

O TCDF verifica qual o motivo da carência de professor efetivo que gerou uma contratação temporária. Enquanto isso, a pasta continua contratando. Na terça-feira, a Secretaria de Educação foi autorizada a chamar 1.150 mil temporários para a rede. No início do ano, a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão havia aprovado outras 4,6 mil contratações. O acumulado é de 5.750 mil profissionais nesse regime.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade