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Estado de Minas

Mais de 130 mil famílias do DF têm contas em atraso

O número é de março - 128,2% maior que o mesmo período do ano passado - e mostra que, a cada dia, os consumidores têm dificuldades para quitar os débitos. Segundo especialistas, a tendência é a manutenção desse cenário


postado em 23/04/2016 06:00

O aumento do desemprego, da inflação e dos juros diminuiu o poder de compra do brasiliense e aumentou os atrasos com compromissos financeiros: situação ruim deve se manter(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O aumento do desemprego, da inflação e dos juros diminuiu o poder de compra do brasiliense e aumentou os atrasos com compromissos financeiros: situação ruim deve se manter (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
 
A recessão está destruindo a capacidade de honrar compromissos das famílias do DF. Em março, 131,7 mil delas estavam com contas em atraso, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF). O resultado representou uma alta de 128,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 57,7 mil residências atrasavam os compromissos financeiros. Para analistas, o cenário deve ser mantido ao longo do ano. Com aumento do desemprego, inflação resistente e elevação dos juros, mais consumidores terão dificuldades em manter os débitos em dia.

Ainda tem quem consiga controlar os gastos, mas que passou por episódios de aperto. Como o coordenador de produção Gesivaldo da Silva, 34 anos. Ele aceitou a proposta de receber um cartão crédito e, quando percebeu, havia ultrapassado o limite proposto. “Eu e minha mulher trabalhamos e conseguimos manter tudo no padrão. Foi um descuido mesmo” declara. Gesivaldo diz que ele e a esposa têm estratégias para não cair em futuras dívidas. Não comprar a prazo é uma delas. “Sempre procuramos promoções e pagamos à vista. Essa é uma combinação que nós fizemos para não acumular nada”, comenta.

Controle das contas é algo que a babá Mara Conceição, 28 anos, não conseguiu fazer. Ela recebeu o pagamento, quitou algumas faturas, porém outras ficaram de fora. “Estou com contas em atraso. Fico um pouco preocupada porque, não ter como pagar, é uma situação difícil”, desabafa. “Não há muito o que fazer. Estou tentando encontrar um trabalho por fora, mas, devido à crise que vivemos, está bem complicado”, admite.

O presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, justifica o aumento de famílias com contas em atraso à queda da renda familiar e aumento de despesas anuais. “Com a situação econômica atual, passou a faltar dinheiro no orçamento mensal de diversas famílias. Esse fato se junta às despesas de início de ano, como compra de materiais escolares e pagamentos de impostos. Os responsáveis pelo lar acabam priorizando algumas dívidas e atrasando outras.”

Entre as principais contas em atraso, estão cartão de crédito, cheque especial e pré-datado. Um conselho para evitar esse tipo de situação é deixar de usar a primeira modalidade, como um instrumento de crédito, segundo Santana. “É uma questão cultural: as pessoas usam o cartão de crédito como se fosse dinheiro. Se adiante elas não pagam a fatura no dia, ocorre algo avassalador no orçamento familiar. Os juros são altíssimos e se endividam”, detalha. Por isso, o presidente da Fecomércio alerta para o controle orçamentário. “É necessário ter atenção com os gastos para não extrapolar a renda do lar.”

Na capital do país, 744,6 mil famílias se encontram em um grupo de risco. Nele, há o perigo constante de cair na lista de inadimplentes. Do universo de endividados, apenas 2,2% dos brasilienses disseram não ter condições de quitar as contas e 1,8% não sabe dizer se conseguirá ou não quitar o montante. 

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