Publicidade

Correio Braziliense

Quadra 312 Norte completa 50 anos de história na capital federal

Local comemora meio século com festa neste sábado para lembrar que um dia já foi uma das áreas mais populosas do Distrito Federal e sempre esteve relacionada com as atividades artísticas da cidade


postado em 17/06/2016 06:10

 
 
Entre as lembranças que o enfermeiro Roberto Miller, 58 anos, guarda das duas décadas como morador do Bloco F da 312 Norte, uma sempre retorna quando ele vai à janela do seu apartamento. “Eu ficava olhando meus filhos irem para a escola, porque ela fica ao lado. Minha mulher ainda dizia para eles terem cuidado, mas era só atravessar o estacionamento.” Ele não está sozinho na nostalgia. Afinal, fazendo 50 anos em 2016, a quadra — marcada por ser um dos celeiros culturais de Brasília — tem uma infinidade de causos particulares que reforçam a importância na história da capital.

Ocupada a partir de 1966, a 312 Norte serviu como um dos primeiros pontos de concentração populacional da nascente sociedade brasiliense. Em uma época na qual a Asa Norte era muito mais uma extensão de terra vermelha do que um bairro residencial, prédios com até 96 apartamentos foram erguidos a fim de servir de lar para famílias de todos os tamanhos. “Em 1970, meu tio morava no Bloco J e ficou feliz quando um vizinho com seis filhos se mudou. No outro dia, chegou um novo com 10”, conta Miller, lembrando que a 312 já foi a quadra mais populosa de Brasília.

Amanhã, ele e outros moradores — novos e antigos — vão se reunir para misturar lembranças dos 11 blocos na comemoração dessas cinco décadas. Todos esperam retomar o espírito efervescente da quadra, com apresentações de música, poesia, brincadeiras para as crianças e, claro, a intenção de celebrar experiências artísticas que marcaram tanto o local. “Estou aqui há mais de 30 anos e vi quantas pessoas contribuíram para a imagem positiva da quadra. E também pude dar meu apoio para a continuidade dessa história”, garante Luiz Amorim.
 
Ele é proprietário do Açougue Cultural T-Bone, um dos pontos mais reconhecidos da 312 em todo o Brasil. Afinal, é lá que o açougueiro, apaixonado por literatura, realiza o trabalho social de espalhar livros, sem qualquer custo. Amorim garante que estar na 312 Norte é entrar em um cenário diferente do que faz a cultura brasiliense e isso tem grande influência na pessoa que ele se tornou. Amorim produziu um livro sobre a história da quadra. Editado pelo jornalista Lourenço Cazarré, Castelo do Cerrado foi lançado em 2002.

Um dos organizadores da festa, o jornalista Roberto Seabra chegou à quadra em 1966 e viveu nela até 1990. Mesmo tendo participado de toda a movimentação cultural que marcou o lugar — ele fez parte do grupo que criou o Panelão da Arte, nas décadas de 1980 e 1990 —, a lembrança mais forte é inusitada. “Na década de 1970, vivemos uma praga de ratos. Como o governo não fazia nada, a criançada pegou estilingue, arma de chumbinho e vara de pescar com queijo e deu início a uma caça. Chamamos a imprensa e se tornou um escândalo para os militares. Mas a quadra ficou livre deles (ratos)”, conta, rindo.

Segurança
O advogado Edilberto Mourão, 59 anos, mora na 312 Norte desde 1983 e criou os quatro filhos lá. “Hoje, minha netinha vai ao mesmo jardim de infância que minha filha estudou. Olha como são as histórias.” Ele celebra o aniversário da quadra por um lado que, a seu ver, ainda é melhor atualmente: a segurança. “No início, tínhamos problemas em relação a drogas, por exemplo. Já tivemos até homicídios dentro da quadra. Hoje, isso não acontece mais”, garante.
 
A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade