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Correio Braziliense

Abrigo de idosos mantém 36 pessoas com custo mensal de R$ 72 mil

O dia a dia da Casa do Idoso é feito de dificuldades para manter a instituição, que cuida de 36 pessoas, mas também de muita felicidade dos funcionários e dos internos. Entre atividades e muita conversa, todos se dedicam à economia a fim de não faltar nada para ninguém


postado em 14/07/2016 06:05

Raimundo e Antônio adoram um bate-papo à beira da piscina: como se fosse a própria casa(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
Raimundo e Antônio adoram um bate-papo à beira da piscina: como se fosse a própria casa (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
 
A recepção na Casa do Idoso, no Jardim Ingá, é calorosa. Sorrisos e abraços não faltam. Um belo espaço, amplo e organizado, complementa a chegada. A primeira impressão é a que fica, segundo o ditado popular, mas lá essa imagem está ainda à frente de muita dificuldade. Fundada há 12 anos, em uma casa em Santa Maria, a Casa do Idoso era um projeto particular, sonhado pelo Celismar Rodrigues Nery, 50. Foi erguido em cima de batalhas, nada veio fácil. Hoje, com muito esforço e dedicação de um grupo, o abrigo mantém 36 pessoas, com um custo médio individual de R$ 2 mil. Para assegurar toda a estrutura necessária, a ordem é regrar os gastos, desde energia até a alimentação.

A economia está explicada pela tabela de custos do abrigo. Só de lavanderia são R$ 7 mil por mês. O espaço é alugado por R$ 8 mil. A folha de pagamento dos funcionários bate os R$ 22 mil, a fim de manter psicólogos, médicos, técnicos em enfermagem, cuidadores de idosos, nutricionista. O cardápio vem com leite, carne vermelha e branca, entre outros produtos. Ainda tem as fraldas. “Não estamos em falta com nada. Quando o salário dos funcionários atrasa, não são mais de dois dias. Três, no máximo. Mas temos regrado, economizado e equilibrado para não faltar nada. Escolhemos a prioridade, a conta que é mais importante. A de energia, por exemplo, já ficamos sem pagar, sendo que é algo indispensável”, explica o fundador, Celismar. A conta de junho somou R$ 1 mil.

Cada idoso, segundo ele, repassa, por meio da família, 70% do valor de um salário mínimo para o abrigo. Mesmo assim, a necessidade é geral. “Tem gente que diz: ‘São todos uns velhos’. Eu digo: ‘Velho só trapo e estrada, não eles’. Quem envelhece é o corpo. Todos são seres humanos e merecem respeito. A alma não envelhece”, afirma Celismar. Entre as pessoas que passaram pela Casa, uma delas era pai de Celismar. Depois de abandonar a família e sumir no mundo, foi achado pelo filho, aos 70 anos. Debilitado, passou dois anos no local, antes de morrer.

Raimundo Nonato de Sousa, 67, curte cada raio de sol. Gosta de fica à beira da piscina, deitado na cadeira. A doença de Alzheimer não o deixou esquecer o que gostava de fazer. Foi motorista dos Diários Associados, do qual o Correio faz parte. “Quando eu trabalhei lá, foi a melhor época da minha vida”, recorda. Adora contar histórias. Diz que foi policial militar, mas teria sido expulso por excesso de bebida. E ri. A cabeça não está muito confiável com o passado, mas sobre o dia a dia na Casa do Idoso não tem dúvida. “Aqui é muito bom. Tomo banho de piscina, descanso, tenho amigos e cada dia como uma coisa diferente. Gosto do jeito da minha casa”, resume, emocionado.

A família de Raimundo e de todos os outros idosos visita a Casa uma vez por semana. A de Antônio Ferreira de Castro, 64, mora no Recanto das Emas. Além dos encontros, Antônio não abre mão de um companheiro: o rádio. Os dois são praticamente inseparáveis. As canções preferidas se encontram com as lembranças de uma antiga namorada. “Quanto mais apaixonada a música, melhor. Amado Batista, Nelson Ned... Fico lembrando de tudo, viajo longe. Namorar é bom demais”, comenta, enquanto descansa na área externa do abrigo.

Aprendizado

Aproveitar a área da Casa é uma das atividades dos idosos. O dia tem um cronograma que começa logo cedo, com o banho. Em esquema de força-tarefa, os funcionários também dão o café da manhã e acomodam os idosos. Cleonice Ferreira do Nascimento, 38, é técnica em enfermagem. Ajuda nos remédios, na comida, no banho, com rotina das 7h às 19h, em jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. Ao todo, são quatro plantões com o revezamento de funcionários. “Aqui não tem cansaço, a gente deixa para descansar em casa”, diz. Mais conhecida como a dançarina de forró da casa, Cleonice faz a alegria dos idosos. “Ponho a música, eles adoram e pedem quando a gente demora para colocar”, garante.

 

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