Cidades

Ex-secretário é preso acusado de matar prefeito e a primeira-dama

Um dos detidos era responsável pela Secretaria de Finanças da cidade goiana, onde ocorreu o crime, há um ano

Renato Alves
postado em 14/07/2016 15:58

corpo de prefeito e primeira dama foram encontrados com cortes no pescoço

Policiais civis prenderam, na manhã desta quinta-feira (14), dois suspeitos de envolvimento nos assassinatos do ex-prefeito de Matrinchã (GO), Daniel Antônio de Souza (PTB), 50 anos, e da mulher dele, Elizete Bruno de Bastos. Eles foram mortos na chácara onde moravam, em agosto de 2015. Entre os detidos está o ex-secretário de Finanças do município, Hélio Alves Soyer, 67, que já havia confessado o crime a um delegado, no ano passado. O município goiano tem 8 mil habitantes. Localizado na região noroeste de Goiás, a cerca de 430km de Brasília e a 260km de Goiânia.

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[SAIBAMAIS]Além de Hélio Soyer, agentes prenderam nesta manhã um homem de 52 anos, apontado como amigo do ex-secretário de Finanças e que teve elo com o crime. Ele é pedreiro e trabalhava como funcionário de uma empresa prestadora de serviços da prefeitura. O delegado responsável pelo caso, Valdemir Pereira da Silva, disse que ambos foram detidos em cumprimento a um mandado de prisão temporária. Entretanto, não explicou qual seria o envolvimento de cada um no crime. Silva afirmou apenas ter prova a presença dos dois na cena do crime.

A polícia ainda não sabe a motivação do assassinato. Ela trabalha com a hipóteses de razão política ou pessoal. ;Os dois foram presos temporariamente porque estavam atrapalhando a investigação. O Hélio Soyer mentiu em seu interrogatório;, afirmou o delegado.

Último encontro

Hélio estava à frente da Secretaria de Finanças desde o início do mandato de Daniel, em janeiro de 2013. Hélio é irmão do ex-deputado estadual Luiz Alberto Soyer, liderança do PMDB goiano.

O secretário estava sumido de Matrinchã desde o dia seguinte ao crime. Ele não foi ao velório e sepultamento do casal. Hélio, porém, esteve com as vítimas na noite anterior ao duplo homicídio.

O último compromisso de Daniel de Souza foi uma reunião na casa do secretário municipal de Administração, Cleyb Bueno. O prefeito estava acompanhado de Elizete e de Hélio Soyer. Eles discutiram a realização da Festa do Peão no município. Depois pediram um sanduíche em um trailer e comeram antes de irem embora.

O prefeito e a mulher dele foram encontrados mortos na manhã do dia 4, na chácara onde moravam, na área rural de Matrinchã.

Uso de foice

Peritos da Polícia Civil de Goiás examinam uma foice encontrada no imóvel onde o prefeito de Matrinchã e a mulher dele foram encontrados mortos. A ferramenta está em Goiânia, segundo o delegado Kleber Toledo, titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), que assumiu o caso.

A foice estava cravada em uma árvore da chácara. "Além da foice, a polícia recolheu papéis e documentos na chácara e no gabinete do prefeito. Esse material também será encaminhado para análise.

O chefe da Deic afirmou não descartar nenhuma hipótese para o crime. Entre outras linhas, ele investiga a possibilidade de crime político e uma relação com as dívidas não pagas pela Prefeitura de Matrinchã e as contraídas pelo político. E, apesar de nenhum objeto ter sido roubado do local, os investigadores ainda não descartaram o latrocínio (roubo com morte).

Tiros descartados

Diferentemente do que afirmavam os policiais militares que atenderam a ocorrência e as testemunhas, os corpos do prefeito e da primeira-dama tinham cortes nos pescoços. Os corpos foram encontrados ensaguentados, na manhã de terça-feira, na chácara onde moravam, a cerca de 7 quilômetros do centro da cidade.

Ambos foram atingidos por arma branca e perfurante, de acordo com Kleber Leandro Toledo Rodrigues. Além das marcas nos pescoços, a perícia concluiu que a mulher do prefeito também tinha um afundamento no crânio, que pode ter sido causado provocado pelo golpe de algum objeto.

A princípio, os investigadores não encontraram marcas de tiros apontadas por policiais militares que chegaram primeiro à cena do crime. Porém, só o laudo do Instituto Médico Legal (IML) poderá concluir se eles foram ou não baleados.

O delegado Kleber Leandro descartou a possibilidade de o prefeito ter matado a mulher e suicidado em seguida. Informações ainda não confirmadas indicam que o casal foi degolado. Daniel e Elizete foram mortos na varanda da casa, onde há uma mesa grande. Duas poças de sangue ficaram no piso e rastros vermelhos mostram que os dois corpos foram arrastados para o interior da residência.

Eles estavam em quartos distintos, de acordo com o secretário da Administração de Matrinchã, Cleyb Bueno de Moraes que encontrou as vítimas. O secretário e outros integrantes da administração aguardavam o casal para a abertura da Conferência Municipal de Assistência Social, mas diante do atraso, houve o alerta de que algo estava errado.

O primeiro a chegar no local do crime, que fica numa agrovila de assentados que nasceu a partir da desapropriação da Fazenda Chaparral, foi o motorista da prefeitura, Reginaldo Jorge. A pedido do assessor de Elizete Bruno, Felipe Morais, diretor do Centro de Referência de Assistência Social (Crass), ele foi até a agrovila para buscar uma máquina fotográfica e saber o motivo do atraso. Ao ver o carro da família aberto e o barulho da cadela no interior da residência, ele avisou Cleyb Bueno que foi ao local com o assessor jurídico da prefeitura.

Policiais militares chegaram à chácara por volta de 8h50 e isolou o local. Os pontos na varanda onde ficaram as poças de sangue indicam que o casal sentou à mesa com alguém para conversar.

Processos na Justiça

Daniel Antônio de Souza respondia a vários processos na Justiça de Goiás. Dois deles referentes à Operação Tarja Preta, desencadeada pelo Ministério Público estadual em outubro de 2013. Ele foi acusado de improbidade administrativa e de associação criminosa. São dois processos diferentes e o segundo corre em segredo de Justiça. Nenhum deles foi concluído e o prefeito não havia sido sentenciado ainda.

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