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Correio Braziliense

Família reclama de negligência no socorro ao menino picado por escorpião

Segundo os parentes, a espera de mais de oito horas para a transferência de hospital se mostrou determinante para a morte. Secretaria nega falha


postado em 22/07/2016 07:50

"O tempo para a transferência custou a vida dele. Acho que houve negligência, sim, e vou procurar os meus direitos" Claudecir da Conceição Guedes, pai de Luan (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)


Doze horas separam a picada de um escorpião e a morte de uma criança de 4 anos no Núcleo Rural Tabatinga, em Planaltina. Luan Pereira Guedes não resistiu a uma parada cardiorrespiratória e a uma demora de oito horas, segundo a família, para ser transferido para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). O acidente aconteceu dentro de casa, por volta das 19h de quarta-feira. Às 20h, segundo os parentes da vítima, o menino deu entrada no Hospital Regional de Planaltina. “O tempo para a transferência custou a vida dele. Acho que houve negligência, sim, e vou procurar os meus direitos”, protesta o pai, o caseiro Claudecir da Conceição Guedes, 36 anos.

A família de Luan Pereira Guedes encontrou dois escorpiões na residência onde mora: perigo (foto: Reprodução)
A família de Luan Pereira Guedes encontrou dois escorpiões na residência onde mora: perigo (foto: Reprodução)


O drama familiar teve início quando o garoto procurou o pai em um dos quartos. Ao tocar na porta de um dos cômodos, o animal feriu a mão dele — somente nesta semana dois escorpiões apareceram na residência, uma construção de alvenaria de 20 anos. Ainda naquela noite, o menino chegou à emergência do Hospital Regional de Planaltina. Segundo a equipe médica que o recebeu, ele foi levado três horas após o ataque, versão contestada pelos familiares. O quadro era gravíssimo e com comprometimento cardíaco e respiratório. Informações do prontuário do paciente mostram que ele recebeu doses de soro antiescorpiônico e medicamentos na enfermaria do local.

Na madrugada de ontem, com o agravo do quadro clínico — Luan teve cinco paradas cardíacas —, servidores pediram a transferência para o HBDF. Pela manhã, no entanto, ele continuava na unidade de saúde de Planaltina. E piorou a tal ponto que a equipe médica pediu o auxílio de um helicóptero. Por volta das 7h30, quando a aeronave finalmente chegou ao local, Luan havia morrido. “É um desespero que eu nunca tinha passado”, lamenta a mãe de Luan, Cleidiane Pereira de Lima, 23 anos. Ela passou o dia sob efeito de calmantes. O menino deixou um irmão de 6 anos. O enterro será em São João de Minas, em Minas Gerais, cidade natal da família.

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A Secretaria de Saúde informou que, apesar da morte, o tratamento foi adequado e não houve qualquer atraso ou percalço no atendimento. “Toda a assistência necessária para a boa evolução do quadro clínico foi prestada. Todos os hospitais da rede que possuem atendimento emergencial em clínica médica estão aptos a receber pacientes vítimas de picada de escorpião”, ressalta nota da pasta. O Executivo local não comentou a acusação de negligência no atendimento de Luan, tampouco o tempo para a demora na transferência. A pasta não soube informar se a aeronave encaminhada ao hospital de Planaltina pertence ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou ao Corpo de Bombeiros. O caso é investigado pela 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina).



Colaboraram Luiz Calcagno e Thiago Soares

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