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#MeuÚltimoAssédio: universitários criam plataformas para combater assédio

Estudantes de jornalismo e de publicidade participam de concurso sobre o tema. Depois de seis meses de trabalho, criaram vários projetos de comunicação para alertar sobre a importância da denúncia

Sexual, moral, psicológico, simbólico. O assédio pode se vestir de várias formas. Pode estar em vários ambientes e, de tão popular, sequer ser notado. E mais, ele não tem sexo. Prefere as mulheres, mas pode escolher os homens. Mais atual que nunca, o tema foi o mote escolhido para um concurso da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília (UCB). Alunos de jornalismo e de publicidade se debruçaram em cima da hashtag #MeuÚltimoAssédio para criar produtos relacionados à temática e levantar a discussão: falar da última vez em que foi assediada ou assediado pode fazer com que, de fato, seja a última vez.

Depois de seis meses de trabalho, o resultado premiado foi uma campanha para diversos meios de comunicação, como televisão, jornal impresso, além de formatos para as redes sociais, produzida por oito estudantes. O conceito aborda o valor da denúncia. Quando uma vítima se cala, uma luz se apaga. ;Precisamos de luz para combater o silêncio. Muitas vezes, por não enxergarem o assédio como um assédio, o tema não tem a visibilidade que deveria. E a luz é a denúncia. Um grito para acabar com o silêncio;, justificou Iago Martinho Kieling, 18 anos, aluno do 4; semestre de jornalismo. Segundo Iago, a pesquisa foi intensa. Muito das técnicas usadas veio de influências do expressionismo ; movimento artístico que procura retratar as emoções e as respostas subjetivas.

Uma das peças é um vídeo. Uma moça, interpretada por uma atriz, sugere vários tipos de assédio até não aguentar mais. Nessa hora, ela grita. O vídeo não tem muitos sons; o grito, principalmente, não aparece. Mas foi o jeito encontrado para mostrar, mais uma vez, a importância de não se calar diante de um assédio. ;A gente sempre ouve falar de assédio. É até comum. Mas, quando vimos o conceito, aqui, durante o trabalho, a concepção muda. Você começa a perceber que o assédio está do lado e você não percebe;, afirmou Caio Eduardo Almeida, 20, que está no 4; semestre de jornalismo. Segundo outro participante, Benny da Silva Leite, 18, do 4; semestre de publicidade, apesar de as meninas serem minoria no grupo ; apenas três dos oito integrantes ;, elas foram mais ouvidas na hora da produção das peças.

Para Benny, é impossível falar do que não se viveu. ;Infelizmente, o assédio ainda acontece mais com as meninas. E foram elas que nos ajudaram a ter o olhar correto em cima do tema, com sensibilidade para que abordássemos da melhor forma. Elas indicavam os detalhes, com cuidado para que a realidade fosse retratada de verdade;, explicou. Em uma outra peça, os alunos produziram uma foto, na qual a vítima aparece agachada, retraída, de costas. ;Fomos atrás de destacar todos os sentidos ; visão, audição, tato ;, em uma campanha que fosse séria, sem brincadeiras ou descontração, para conscientizar;, resume Iago.

Os estudantes receberam um troféu, feito pelo designer Caê Penna em parceria com a Galeria Ponto; certificados de participação; e ganharam, ainda, uma festa. Terão uma visita agendada na Agência Heads e um jantar com profissionais da área de comunicação.

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