Ana Maria Campos
postado em 08/08/2016 06:10
Condenado a 26 anos de prisão pelos desvios de recursos públicos do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, o empresário Luiz Estevão pagou pela reforma do Bloco 5 do Centro de Detenção Provisória (CPD), no Complexo Penitenciário da Papuda, onde ele cumpre pena desde março. É o que aponta ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), na última sexta-feira e à qual o Correio teve acesso. Nela, revelada na edição desta semana da revista Veja, o empresário é comparado ao traficante Pablo Escobar, que construiu um presídio em Medellín, o La Catedral, na Colômbia, com luxos que nenhuma prisão do mundo tem.[FOTO1]
A história foi bem retratada recentemente na série Narcos, que tem Wagner Moura como protagonista. Escobar comandava os negócios de dentro da prisão e recebia as visitas que queria e quando desejava. No caso do CDP, Estevão providenciou regalias que os detentos de alas próximas nem mesmo sonham. As celas são maiores, com vasos sanitários, chuveiro elétrico, televisão com tela plana, antena parabólica e ventilador de teto. Estevão cumpre pena numa ala especial, com dois condenados do mensalão, Ramon Rollerbach e Henrique Pizzolato. No prédio, estão localizadas as alas de vulneráveis, de ex-policiais e de presos federais.
O delegado Anderson Espíndola, subsecretário do Sistema Penitenciário (Sesipe), diz que, se Luiz Estevão pagou pela reforma do bloco onde cumpre pena, alguém deverá ser responsabilizado. ;Se houve, não tenho conhecimento. Ocorreu na gestão passada;, defende. Espíndola, no entanto, garante que os presos do Bloco 5 não têm regalias em relação aos demais. ;A diferença é que os vulneráveis e os ex-policiais estão num bloco novo, enquanto outros cumprem pena em blocos mais antigos, da década de 1960;, diz. ;Essa diferença não é novidade para o Ministério Público do DF. Os benefícios que eles têm estão enquadrados dentro do que a Lei de Execuções Penais preconiza.; A Justiça também acompanha a execução das penas, ressalta o subsecretário.
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