Se do lado de dentro do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha os torcedores vibraram com os lances dos jogadores das quatro seleções que passaram pelo gramado ontem, de fora, o clima também era de festa. Brasilienses, africanos, iraquianos, dinamarqueses e gente de várias localidades selaram um clima de paz. Teve espaço para grupos de frevo e samba e nenhuma ocorrência grave havia sido registrada pelo menos até as 21h. Houve algumas filas pouco antes do espetáculo, mas nada que desanimasse a torcida.
Uma das histórias mais marcantes do segundo jogo da Seleção nas Olimpíadas foi protagonizada por um empresário e uma gari. Diogo Segabinazzi, 34, surpreendeu Silvéria Madalena da Silva, 40, com um ingresso dado de última hora. Ele havia escolhido a entrada mais cara da arena, mas, como queria acompanhar a partida com os amigos, abriu mão do tíquete e comprou um mais barato. ;Ela merece esse lugar mais do que eu;, disse Diogo, diante de uma entusiasmada Silvéria. ;Passei os últimos dias limpando do lado de fora do estádio e nunca imaginei que conseguiria entrar e ver a Olimpíada;, afirmou. Pouco antes do início da disputa, alguém ofereceu R$ 300 para a gari, mas ela não vendeu. Aguardava ansiosa a liberação do chefe, pois o turno dela terminaria só às 23h30. O patrão, no entanto, não a liberou do serviço. Silvéria, então, entregou a entrada a uma amiga.
Antes mesmo de os portões serem abertos, às 17h, muitos torcedores começaram a chegar ao Mané Garrincha. Foi o caso do estudante Vitor Tomaz Lacerda, 11 anos, que queria acompanhar a primeira partida do dia, Dinamarca x África do Sul ; ele também assistiu à estreia do Brasil na arena. Acompanhado do pai, o empresário Vitor Viana, 55, o garoto estava com sede de gols ontem. ;Na quinta-feira, aquele empate com a África do Sul foi muito triste. Espero que saia pelo menos um gol do Neymar ou do Gabigol ou do Gabriel Jesus;, disse. O menino frequenta uma escolinha de futebol no Guará, onde mora, e adiantou para o pai que quer ver o jogo da Seleção nas quartas de final, se o Brasil chegar lá. ;Vou ter de me virar para arrumar ingresso;, afirmou, rindo, o empresário.
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