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Correio Braziliense

Quadrilha tentou matar paciente que denunciou esquema, diz investigação

A Polícia Civil e o MPDFT afirmam que cirurgias eram sabotadas pelos médicos para que o paciente necessitasse novos procedimentos, o que geraria lucro para o esquema


postado em 01/09/2016 07:52 / atualizado em 07/05/2019 16:45

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Ao menos 60 pacientes foram lesados só este ano por uma das empresas investigadas na Operação Mister Hyde. A suspeita é de que tenha sido constituída uma organização criminosa que envolva procedimentos médicos desnecessários com o uso de órteses e próteses de qualidade inferior ou com data de validade vencida, compradas com preços superfaturados. Segundo a Polícia Civil, o grupo tentou matar um paciente que ameaçava denunciar a quadrilha, deixando um arame de 50 cm na jugular dele. Em outros casos, as cirurgias eram sabotadas pelos médicos para que o paciente necessitasse novos procedimentos, o que geraria lucro para o esquema.

Os crimes teriam sido praticados nas esferas pública e privada da Saúde. Segundo a investigação, um dos alvos é coordenador de uma área da Secretaria de Saúde. A apuração da Mister Hyde evidencia casos em que cirurgias eram sabotadas pelos médicos para que o paciente necessitasse novos procedimentos, o que geraria lucro para o esquema. Além de utilizarem produtos vencidos, os envolvidos também trocavam produtos mais caros por outros de menor custo.

Dinheiro apreendido

Ainda segundo a Polícia Civil, o esquema movimenta milhões de reais em cirurgias, equipamentos e propinas. Durante as buscas, R$ 51 mil foram encontrados na casa de um dos médicos, outros R$ 100 mil na casa de outro alvo além de US$ 90 mil dólares e euros. Em outra residência no Sudoeste, foram apreendidos aproximadamente R$ 69 mil, grande documentação de clientes e um cofre que o autor se recusa a abrir.  

 

Promotores de Justiça e policiais civis cumprem 12 mandados de prisão, sendo sete temporárias e cinco preventivas, 21 mandados de busca e apreensão e quatro conduções coercitivas, quando a pessoa é levada para depor. Entre os presos estão o dono da empresa TM Medical e líder do esquema, John Wesley, e um sócio da empresa Micael Bezerra Alves. Dono de uma clínica no Setor Hospitalar Sul, o médico Rogério Damasceno seria um dos mais atuantes do esquema.
 
Sócio da empresa TM Medical, John Wesley, sendo conduzido pela Polícia Civil(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Sócio da empresa TM Medical, John Wesley, sendo conduzido pela Polícia Civil (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
 
 
Autorizada pela 2ª Vara Criminal de Brasília, a operação é uma parceria da Polícia Civil, com as Promotorias de Defesa da Vida (Provida) e de Proteção ao Sistema de Saúde (Prosus) do MPDFT. As ações desta manhã mobilizam 240 policiais civis, entre delegados e agentes. A Mister Hyde ocorre com o acompanhamento de membros do Ministério Público, entre eles 21 promotores, 21 agentes de segurança do MP.

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