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Correio Braziliense

Escolas não têm preparo para lidar com orientação sexual, diz especialista

Funcionários de escola particular da Asa Norte são acusados de repreender aluno do lado de fora do estabelecimento, e caso movimenta as redes sociais


postado em 10/09/2016 06:00 / atualizado em 10/09/2016 09:48

A mobilização de alunos de um colégio particular da Asa Norte contra uma possível repressão a um beijo gay movimentou a internet. Segundo os relatos, um estudante foi flagrado, do lado de fora do prédio, beijando o namorado, que não estuda no local. Uma mãe teria visto e reclamado com funcionários da escola, que recriminaram o estudante. As postagens ainda diziam que a direção entrou em contato com os pais para relatar o envolvimento. O centro de ensino negou que tenha cometido qualquer ato de ofensa contra o casal ou ligado para os responsáveis. Especialistas acreditam que os centros de ensino não estão preparados para lidar com o assunto orientação sexual.

Luis Claudio, da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino:
Luis Claudio, da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino: "Constrangimento para o aluno"


O caso aconteceu na última quinta-feira. Em seguida, a postagem ganhou visibilidade e diversos comentários, até do colégio. Segundo os relatos, o garoto chorou no intervalo, após o incidente. “E não é a primeira vez que soubemos de casos como esse na escola”, reclamou um internauta. O Correio conversou com uma amiga do rapaz, que confirmou a repreensão contra o jovem, assim como também a ameaça de que os pais seriam informados. “Eles (os funcionários) falaram que manchava a imagem da escola”, revela.

Na internet, os estudantes questionaram a instituição. “Ligar para os pais de um aluno informando que ele estava se relacionando com alguém do mesmo sexo é extremamente antiético”, postou um garoto. Outros comentaram que a proibição nunca se estendeu a casais heterossexuais. Além disso, destacaram, a escola não teria gerência sobre casos que acontecem do lado de fora.

Em nota, a instituição reforçou que segue procedimento para lidar com qualquer tipo de relacionamento afetivo entre alunos. No texto, o centro de ensino alega que “acredita na importância da liberdade de expressão. O colégio esclarece que tem um procedimento padrão quanto a relacionamentos afetivos de seus alunos, ao longo dos seus 32 anos. Reforçamos, ainda, que tal procedimento é seguido, da mesma forma, independentemente do gênero do relacionamento. A instituição repudia qualquer tipo de discriminação e reforça que a missão é, e continuará sendo, focada na formação dos alunos.”

Exposição
A especialista em psicologia escolar da Universidade de Brasília (UnB) Tatiana Lionço acredita que a repercussão pública do caso pode interferir no desenvolvimento do adolescente. “Tudo dependerá do modo como os envolvidos passem a tratar a questão. É importante aproveitar esse momento para afirmar o reconhecimento da legitimidade do afeto homossexual e a recusa do preconceito e da discriminação”, afirma. A especialista considera também que, nesse momento, colegas de escola devem aproveitar o momento para valorizar a diversidade, “reafirmar igualdade de direitos e demandar da escola o cumprimento do tema transversal, orientação sexual.”
 
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