Jornal Correio Braziliense

Cidades

Apesar de ser uma cidade jovem, Brasília acumula prédios abandonados

Propícias a se tornarem depósito de lixo, de pragas e de violência, essas construções trazem prejuízo à comunidade



Outro espaço que se tornou emblemático pelo abandono foi o Torre Palace Hotel. A briga judicial entre os herdeiros e os passivos trabalhistas levaram à completa desativação do empreendimento. Desde 2013, o imóvel está abandonado. Acabou invadido por usuários de drogas e, mais tarde, por famílias do Movimento Resistência Popular Brasil (MRP), em uma simbiose complexa: cada grupo ocupava diferentes andares. Em junho deste ano, o Estado teve que intervir no local para retirar os ocupantes. Gastou R$ 309 mil na ação e pede aos proprietários o ressarcimento. Há projeto de uma implosão da estrutura.

Na Asa Sul, o prédio em que funcionava o Hospital São Braz encontra-se com a estrutura deteriorada. Os vitrais estão quebrados e os tetos de gesso começaram a cair. No lugar de pacientes, muito lixo e resquícios de invasores, como restos de fogueira e odor de urina. Um cadeado foi instalado recentemente, mas fecha apenas o acesso central ao prédio. A unidade de saúde está desativada há pelo menos cinco anos. O hospital tem muitos processos por dívidas, tanto com fornecedores, quanto com o Estado. A reportagem não localizou os proprietários para saber o futuro da edificação.

A técnica de saúde bucal Cássia Alexandra de Oliveira Sousa, 29 anos, passa em frente ao hospital há três anos. ;Teve uma época em que um homem se escondia aí dentro e fazia gestos obscenos.; Situação similar vive a auxiliar administrativa Paloma Regina Silva, 24. Todos os dias, ela passa em frente à fábrica desativada da Itambé, próximo ao viaduto Ayrton Senna, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). ;Direto, meus colegas de trabalho são assaltados por aqui. Os bandidos roubam e se escondem nos escombros;, conta. ;Se você olhar, neste lote tem de tudo, roupa, preservativo. Tudo de errado fica aqui.;

A antiga fábrica da Itambé foi desativada em 2002. À época, a empresa alegou que ia fechar as portas por causa do aumento da tributação no preço do leite. Em 2006, a área foi vendida e ficou sem uso. No ano passado, o grupo Paulo Octavio comprou a projeção e informou que está fazendo estudos para a implantação de um novo negócio, ainda não definido.