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Correio Braziliense

Anfitriões alternativos: brasilienses aumentam renda com aluguel de cômodos

Além de aumentar a renda, moradores do DF têm a oportunidade de conhecer visitantes de outros países


postado em 06/12/2016 06:03 / atualizado em 06/12/2016 11:49

Bruno é anfitrião desde abril e recebeu turistas de diversos países no período(foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press)
Bruno é anfitrião desde abril e recebeu turistas de diversos países no período (foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press)

É cada vez mais comum o aluguel de acomodações alternativas para passar uma temporada em Brasília. Nos últimos 12 meses, cerca de 9 mil pessoas optaram por essa modalidade — um aumento de 135% comparado ao período anterior, segundo o serviço on-line de reserva de acomodações Airbnb. Em tempos de crise econômica e queda de rendimentos, os anfitriões do Distrito Federal têm conseguido uma renda extra média anual de cerca de R$ 3,2 mil.


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Esse é o conceito de compartilhamento de lares, no qual os viajantes escolhem, reservam e pagam pela internet pelos imóveis reservados. A indicação é que em Brasília o catálogo ofertado é de 3% casas inteiras, 42% quarto privativo e 4% quarto compartilhado. No caso da AirBnb a empresa surgiu atráves de uma ideia de alugar colchões infláveis em um loft de São Francisco (Estados Unidos) no ano de 2008. A empresa veio para o Brasil em 2012 e já conta com 2,5 mil anúncios na plataforma. Qualquer pessoa que possua um espaço livre, pode se tornar um anfitrião. Para isso é necessário redigir um perfil contendo as características do espaço, as regras da casa, a rotina dos moradores, entre outros. (Leia abaixo em Para Saber Mais)

Anfitriões desde janeiro de 2015, o servidor público Inaldo Ramos, 30 anos, e a fisioterapeuta Natália Toschi, 29, moram em uma casa de três andares em Candangolândia e alugam o térreo. O casal costuma fazer reservas de média duração — em torno de duas semanas — e recebe de um a dois hóspedes por mês. A escolha por oferecer a residência para temporadas veio após os dois viajarem para a Europa. “Gostamos bastante da experiência pela ideia de parecer que estávamos morando lá. Fazíamos compra no supermercado, cozinhávamos. A sensação era de estar em casa”, lembra Inaldo.


Inaldo e Natália, moram em uma casa de três andares em Candangolândia e alugam o térreo(foto: Hélio Montferre/Esp. CB/D.A Press)
Inaldo e Natália, moram em uma casa de três andares em Candangolândia e alugam o térreo (foto: Hélio Montferre/Esp. CB/D.A Press)

Bruno Henrique de Abreu, 31 anos, é anfitrião desde abril deste ano. Ele mora sozinho em um apartamento de três quartos no Guará e aluga dois deles. “Já recebi gente de todo o país e também turista mexicano, iraquiano, americano, italiano, japonês e alemão.”


Outra opção de hospedagem alternativa é o BeLocal Exchange. Lançada em setembro deste ano, a plataforma proporciona uma troca entre os usuários. Não há dinheiro envolvido, todo o processo é baseado em pontos. As pessoas podem trocar de casa ou alugar uma residência ociosa que esteja disponível. A anuidade de R$ 260 permite que o usuário faça quantas trocas quiser no período de um ano.


Depois de muito viajar, Andrea Aguiar, fundadora da plataforma, sentiu pesar no bolso quando levava os filhos. “O nosso foco é fazer com que as pessoas viagem mais, no feriado, no fim de semana, dentro do Brasil. Saiam do roteiro óbvio”, afirma. Outro intuito do projeto é proporcionar um intercâmbio entre o Brasil e outros países. As mais de 400 casas cadastradas englobam 12 países. Próximo a Brasília, existem opções em Pirenópolis, Caldas Novas, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá e Chapada dos Guimarães.


Se, por um lado, os pequenos anfitriões comemoram, por outro, donos de hotéis reclamam de baixas nas reservas. A média de ocupação é de 45%. “O ideal seria em torno de 65%. E vimos a acomodação temporária como uma das influenciadoras para esse momento”, avalia o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do distrito federal (Sindhobar), Jael Antônio da Silva. Para ele, é preciso que seja elaborada uma legislação com normas relativas a esse tipo de serviço.

A expectativa é que o assunto entre em debate no próximo ano na Câmara Legislativa do DF. O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo, deputado Cristiano Araújo (PTB), acredita que esse tipo de serviço é um caminho sem volta, assim como a chegada do Uber no Brasil. Como responsável pela comissão, o distrital defende que, a discussão seja iniciada o quanto antes, até por questões econômicas. A pauta deve ser discutida com representantes do governo, do setor hoteleiro, sociedade e empresários de aplicativos.

Para saber mais

Para ser um anfitrião

» Basta ter um espaço livre para aluguel, como quarto, apartamento ou casa

» Descrever as características do imóvel para o hóspede não ter surpresas

» Repassar as regras e as rotinas dos moradores do local

» Usar plataformas que permitam o acordo com o hóspede

Para ser um hóspede

» Procurar lugares que atendam a necessidade

» Optar por locais mais próximos dos compromissos

» Observar o modo de transporte para o local

» Buscar o histórico dos anfitriões na plataforma escolhida

Fonte: AirBnb

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