Cidades

Homem presta queixa de homofobia contra empresário, que nega acusação

O arquiteto e o proprietário de um mercado gourmet no Sudoeste discutiram na quinta-feira por causa de questões relacionadas ao condomínio do edifício onde estão localizados

Gabriela Vinhal
postado em 03/02/2017 17:44

Um bate-boca dentro de um mercado gourmet na quadra 303 do Sudoeste levou o arquiteto Miguel Gustavo Almeida, 38 anos, a registrar boletim de ocorrência por injúria preconceituosa contra o dono do estabelecimento. Segundo a queixa, Cláudio Roberto de Oliveira, 49, ofendeu Almeida com insultos homofóbicos.O empresário, contudo, nega as acusações e diz que vai processar o arquiteto por injúria, difamação e danos morais. Em nota, a Polícia Civil confirmou o caso e informou que a 3; Delegacia de Polícia do Cruzeiro está à frente das investigações.
Ao Correio, Almeida disse que, por ter uma sala comercial no mesmo edifício, era frequentador assíduo do mercado e conhecia Oliveira. De acordo com o arquiteto, ele foi ao local conversar com o dono sobre assuntos relacionados ao condomínio, mas teria sido recebido com ofensas. "Eu entrei, e ele começou a me xingar de ;vagabundo;, ;veado; e ;desgraçado;. Me senti completamente menosprezado e inferior às outras pessoas, como se eu fosse um ET só por ser gay", lamentou Almeida.
Homossexual assumido desde os 15 anos, o arquiteto afirmou que nunca havia sido alvo de ataques preconceituosos por causa da sua sexualidade. Ele disse ainda estar apreensivo de sair da sala onde trabalha, sem saber lidar com a situação. "Os funcionários dele precisaram segurá-lo, ou eu seria agredido. Saindo de lá, fiz o boletim de ocorrência contra ele e vou tomar as devidas providências jurídicas a respeito disso", justificou.
Em um post divulgado no Facebook, Almeida escreveu que casos desse tipo não deveriam ser relevados: "Eu sou uma pessoa digna, vivo corretamente do meu trabalho e exijo respeito. Não vou me calar diante dessa intimidação. Peço a todos os amigos e simpatizantes da causa gay que façam um boicote a esse mercado". Publicado mais de uma vez, o texto ganhou, no total, mais de 600 curtidas.
O empresário Oliveira, contudo, negou todos os fatos e ressaltou que quem começou a briga foi Almeida, que "invadiu sua sala no subsolo" e começou a ameaçá-lo. "Eu disse que estava com o tempo apertado, pois precisava sair cedo para visitar meu pai na UTI. Ele queria que eu tomasse partido sobre questões do condomínio. Quando eu neguei, ele começou a gritar e disse que me processaria", explicou.

O proprietário do estabelecimento disse ainda não ser homofóbico e, devido à proporção dos fatos, processará o arquiteto por calúnia, difamação e danos morais. "Tenho funcionários, de gerente a atendentes, que são gays e travestis. Quase metade da minha clientela é homossexual, e alguns se tornaram inclusive amigos pessoais. Não tenho o menor problema com a diversidade", pontua.

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