Jornal Correio Braziliense

Cidades

Pesquisa sobre zika vírus estuda macacos do Zoológico de Brasília

Médica-veterinária da Universidade Federal da Bahia coordena a investigação, que conta com parceira de instituição alemã

Macacos do Jardim Zoológico de Brasília estão sendo estudados em pesquisa sobre o zika vírus. A investigação, sob responsabilidade da médica-veterinária Ianei de Oliveira, pretende analisar, por meio de amostras de sangue, se há envolvimento dos primatas no ciclo epidemiológico do agente infeccioso. O estudo conta com a parceira do Instituto de Virologia da Universidade de Ulm, na Alemanha, e deve apontar se algum dos animais da amostra tem o vírus ativo.

Ianei, que é pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, afirma que, apesar de ser mais comum em humanos, o vírus foi identificado em macacos rhesus, conhecidos também como macaca mulata, em Uganda, na África. ;A pesquisa ajuda diretamente as pessoas, pois o material genético de ambos é muito próximo. São animais considerados bioindicadores;, explica.

Leia mais notícias em Cidades
Entre os macacos estudados no Zoo de Brasília estão os micos, macacos-prego, bugio e barrigudos, que tiveram amostras de sangue recolhidas há duas semanas. O material foi enviado para a instituição de ensino alemã, para onde a pesquisadora viajará ainda esta semana e acompanhará o trabalho, que integra sua tese de doutorado.

Na Universidade de Ulm, serão feitos o estudo sorológico e o diagnóstico por análise da biologia molecular do vírus, para avaliar se há contaminação por contato. Após encontrar a resposta sorológica, os colaboradores investigarão como ocorre a infecção nos primatas e qual o papel que eles ocupam no ciclo epidemiológico.

Além da unidade no Distrito Federal, outros zoológicos, como o do Recife, o de Salvador e o de Belo Horizonte, ofereceram animais para a pesquisa. Centros de triagem e alguns casos de animais soltos na natureza serão estudados.

De acordo com o diretor-presidente do Jardim Zoológico de Brasília, Gerson de Oliveira Norberto, mais de 20 pesquisas estão em algum estágio de execução atualmente na fundação. ;Decidimos, nesta gestão, implementar a articulação com a comunidade científica e abrir a unidade como campo de estudo e desenvolvimento do conhecimento;, completa o diretor, que pretende, até o fim de abril, divulgar no site da instituição cerca de 200 temas que possam atrair novos pesquisadores.

Com informações da Agência Brasília