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Correio Braziliense

Frieza marca depoimento de condenado por morte de Louise Ribeiro

Após quase 11 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Brasília condenou Vinícius Neres Ribeiro por homicídio quadruplamente qualificado


postado em 04/04/2017 06:02 / atualizado em 04/04/2017 07:23

Familiares de Louise se abraçaram emocionados depois da condenação(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Familiares de Louise se abraçaram emocionados depois da condenação (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
 
Assassino confesso de Louise Maria da Silva Ribeiro, 20 anos, Vinícius Neres Ribeiro foi condenado ontem a 23 anos e 10 dias pela morte da estudante de biologia da Universidade de Brasília (UnB) em 10 de março de 2016. O julgamento durou quase 11 horas e ficou marcado pela frieza do réu, mesmo comportamento durante a época da prisão. A sentença levou em conta o homicídio quadruplamente qualificado (feminicídio, motivo torpe, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima) e a destruição parcial do cadáver.

A sessão atraiu estudantes de direito, amigos da vítima e familiares do réu e de Louise, que esperaram em uma longa fila em frente ao Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT). O julgamento teve lotação máxima, com 250 pessoas. Os relatos emocionaram todos. A mãe da jovem, Sandra Batista Ribeiro, deixou a sessão duas vezes. Em uma delas, quando o promotor apresentou fotos do corpo da filha. No lado destinado a parentes, amigos e conhecidos de Louise no plenário, havia, pelo menos, 20 pessoas nos assentos reservados. No de Vinícius, quatro — entre elas, os pais dele.
 
Ver galeria . 9 Fotos Louise Maria da Silva Ribeiro, tinha 20 anos e era estudante de biologia na UnBReprodução
Louise Maria da Silva Ribeiro, tinha 20 anos e era estudante de biologia na UnB (foto: Reprodução )


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A mãe de Vinícius, com a cabeça baixa, chorou em diversos momentos do julgamento, assim como o pai, o funcionário da Embrapa Amilton Oliveira. O acusado só demonstrou emoção durante o depoimento do servidor federal. “Dizem que o filho se espelha no pai. No meu caso, eu sempre quis ser igual a ele. Estudioso, motivado. Ele que me ajudou a estudar sempre”, contou o réu.

Vinícius detalhou, no Tribunal do Júri de Brasília, que colocou um saco plástico na cabeça de Louise porque ela começou a sangrar pelo nariz — efeito esperado pelo uso do clorofórmio (leia Memória). Após refletir sobre o crime, ele levou o corpo de Louise para um matagal nas imediações da UnB e ateou fogo. “Eu só saí, nem olhei para trás. Joguei álcool em todo o corpo, indiscriminadamente”, relatou.

Com uma foto de Louise no telão, o promotor Marcello Oliveira Medeiros homenageou a vítima. Para ele, ficou clara a premeditação do crime. “O réu alegou que jogou álcool em todo o corpo, o que não é verdade, já que há queimaduras praticamente apenas na região pélvica e na cabeça. Ele visou destruir ali algo simbólico, atingindo uma região sexual”, explicou.

Após a apresentação dos fatos pela promotoria, o pai de Louise, o militar Ronald Ribeiro, comentou que o momento mais difícil do julgamento foi ser obrigado a ouvir mentiras do réu. “Nos primeiros depoimentos, ele contou que matou a minha filha após ela o abraçar fraternalmente. Agora, ele quer falar que a Louise foi rude e fria com ele. Isso não é motivo para matar ninguém, ele está querendo sensibilizar o juri”, comentou.

Segundo a advogada do acusado, Tábata Laís Sousa Silva, Vinícius admirava e nutria amor pela vítima e não tinha a intenção de menosprezá-la. “Ele matou, é fato. Mas não matou por ser mulher.” A defesa não concordou com a qualificadora de feminicídio. Às 20h21, o juiz Paulo Rogério Santos Giordano, do Tribunal do Júri, leu a sentença e decretou: “Matou a vítima de forma desumana e cruel”. Inicialmente, Vinícius foi condenado a 25 anos de reclusão, mas dois atenuantes acabaram levados em consideração: a confissão e a menoridade relativa do réu (tem entre 18 e 21 anos). Dessa forma, o réu recebeu a pena de 23 anos e 10 dias de reclusão.

Atraso

Antes do julgamento, cerca de 200 pessoas aguardavam em uma fila, em frente ao Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), para acompanhar o júri de Vinícius Neres Ribeiro. Entre elas, familiares da vítima, amigos e estudantes de direito. Alguns chegaram durante a madrugada para garantir lugar. Por causa do movimento intenso, a sessão que estava prevista para começar às 9h atrasou quase uma hora. Às 9h50, o juiz Paulo Rogério Santos Giordano abriu os trabalhos.
 


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