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Correio Braziliense

"Eu fui covarde em não ter ido junto", diz mãe que jogou bebê no lago

Em entrevista exclusiva ao Correio, Elisângela Cruz fala sobre o que viveu nos últimos dias. A mulher se diz arrependida e demonstra uma tristeza profunda


postado em 12/04/2017 20:30 / atualizado em 12/04/2017 20:30

Elisângela em foto publicado em rede social(foto: Reprodução/Facebook)
Elisângela em foto publicado em rede social (foto: Reprodução/Facebook)
 

O Correio conversou com exclusividade com a mãe que jogou o filho de 5 meses no Lago Paranoá. Ao ser presa, Elisângela Cruz dos Santos Carvalho, 36 anos, usava chinelo de dedo, calça de malha preta e uma regata vermelha. À polícia, ela confessou ter jogado Miguel no Lago Paroná na noite de sexta-feira (7/4). Depois disso, vagou pela orla. "Eu fiquei lá na árvore e embaixo do viaduto. Eu só acordava e dormia. Acordava e dormia", relata.

 

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Ela não sabe dizer por que jogou a criança no espelho d'água. "Eu fui covarde em não ter ido junto", sentencia. Elisângeçla contou que vivia com o marido na mesma casa, apesar de estarem  separados. Desde o fim do casamento, passou a sentir uma tristeza muito grande. Não procurou ajuda médica e falava desse sentimento apenas com a ex-sogra, a quem ela carinhosamente chama de "vó". E o que ela dizia? "Para eu seguir em frente. Que casamento acaba e eu precisava tocar minha vida". 

 

Depois de sair de casa com dois dos três filhos, ela voltou e deixou Pedro (nome ficctício), de 4 anos, na porta da residênica. Pegou um ônibus até a Rodoviária do Plano e, de lá, seguiu para a Ponte JK. Perguntada sobre o por que não levou o outro filho, ela não soube responder. Disse, no entanto, estar arrependida. "Mas agora é tarde. Vou ter que pagar pelo meu crime", afirma. 

 

Sofrimento 

Os olhos de Elisângela estavam inchados. Ela disse que chorou muito desde o ocorrido. Sobre o que pensou após ter jogado o filho da ponte, ela resumiu: "Eu não pensei em nada, a minha cabeça estava vazinhinha. É como se eu olhasse para esta parede, visse esse tijolo e ele parasse dentro da minha cabeça. Eu não pensava em nada, nem em ninguém". 

 

Perguntada sobre como ela acha que será a vida de agora em diante, Elisângela responde: "Solidão. Não quero ver ninguém, não quero falar com ninguém. Não tenho coragem de ver minha família".

 

O delegado da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) pedirá a prisão preventiva da mulher. Um laudo elaborado por psicóloga da Polícia Civil será anexado ao pedido.

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