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Correio Braziliense

Secretaria quer acionar polícia para investigar sabotagem na Saúde

A pasta avalia a possibilidade de acionar a Polícia Civil para investigar falha no sistema de prontuário eletrônico dos hospitais, o que impossibilitou atendimentos ambulatoriais. GDF negocia renovação de contrato de manutenção do programa


postado em 10/05/2017 07:44 / atualizado em 10/05/2017 15:44

A aposentada Maria Raimunda Barros buscou assistência cardiológica no Hospital de Base sem sucesso (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
A aposentada Maria Raimunda Barros buscou assistência cardiológica no Hospital de Base sem sucesso (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Passadas mais de 48 horas da queda no sistema de prontuário eletrônico da Secretaria de Saúde, o TrakCare, pacientes ainda não sabem quando poderão remarcar as consultas. Hoje, técnicos da empresa fornecedora do programa tentarão restabelecer o serviço. A Coordenação de Tecnologia da Informação da pasta acredita que uma “intervenção” interna ou externa tenha desestabilizado a plataforma. O governo não descarta a possibilidade de acionar a Polícia Civil para investigar o caso. Essa é a segunda vez que a secretaria tem problemas com o sistema este ano (leia Memória).

O governo ainda não calculou quantas pessoas foram afetadas pela falha, mas estima que o número chegue à casa dos milhares. A aposentada Maria Raimunda Barros de Lima, 65 anos, está entre os pacientes prejudicados. Ela saiu de Ceilândia acreditando que teria assistência cardiológica no Hospital de Base (HBDF), mas deixou a unidade médica revoltada. “A saúde do DF é uma decepção. Tudo é ruim na rede”, resumiu, enquanto caminhava em direção ao ponto de ônibus.
 
 
Ainda não está claro como os atendimentos serão reorganizados. O secretário adjunto de Assistência à Saúde, Israel Alexandrino, garante que, em algumas situações, pacientes receberam atendimento com registro de papel. “Assim que o sistema estiver restabelecido, faremos a busca ativa dos pacientes para o reagendamento”, garantiu. “Não será no fim da fila. Vamos tentar equalizar de modo que ninguém fique prejudicado. Nem aqueles que estão aguardando tampouco os que tiveram marcações canceladas”, concluiu. Nas emergências, o atendimento continuou, com preenchimento manual dos prontuários.

As primeiras falhas no TrakCare começaram em 2 de maio, com uma leve instabilidade. Na última segunda-feira, a pane tirou o sistema do ar e técnicos da pasta não conseguiram fazê-lo funcionar novamente. Segundo o governo, a empresa InterSystems, fornecedora do programa TrakCare, cobrou seis vezes mais para renovar o contrato de manutenção — o valor passou de R$ 5,6 milhões anuais para R$ 30 milhões. A contraproposta apresentada é de R$ 7 milhões, preço que está sendo negociado. 
 
A empresa nega a versão da secretaria. Em comunicado oficial, informou que em nenhum momento da negociação foi feita qualquer proposta oficial no valor de R$ 30 milhões para renovação do contrato e que o valor proposta, na verdade, é de R$ 7.910.198,52 anuais. "A informação sobre o envio de uma proposta com reajuste de valor 'muito acima do que seria viável' não corresponde à realidade. Para estabelecer o valor do novo contrato a empresa tentou uma atualização dos valores utilizando os indicadores INPC e IPCA, mas não obteve sucesso", afirmou o diretor-geral da InterSystems para a América Latina, Carlos Eduardo Nogueira.

O executivo reforçou ainda que, desde 2009, a empresa prestou serviços à pasta sem efetuar nenhum reajuste nos valores de contrato. "Mesmo com faturas atrasadas, a companhia salienta que, para garantir o funcionamento dos sistemas, sem danos aos pacientes, usuários e profissionais de saúde do Distrito Federal, continuou a prestação dos serviços até depois do fim do contrato, que ocorreu em outubro de 2016", completou.

O TrakCare está há três meses sem contrato de manutenção. “Nossos técnicos fizeram o serviço durante esse tempo. A falta de contrato de manutenção não prejudicou o funcionamento do programa”, garante o coordenador de Tecnologia da Informação da Secretaria de Saúde, Ney Ferreira dos Santos. O governo deve R$ 9 milhões à InterSystems — débitos de 2012, 2013 e 2014. No fim da tarde de ontem, representantes do Executivo local e gestores da empresa voltaram a negociar um novo acordo de manutenção.

O contrato de manutenção inclui também a atualização periódica do TrakCare a cada três meses, com novidades que deixam o software mais seguro, eficiente e operante. Carlos Eduardo Nogueira, diretor-geral da InterSystems na América Latina, diz que a falha pode ter sido causada por falta de manutenção e monitoramento preventivo. “Uma série de processos precisam ser executados para evitar que haja lentidão ou novas quedas. Esse tipo de problema pode ser causado por indisponibilidade de servidor, falha de protocolo ou falta de backup”, explicou.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

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