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Correio Braziliense

População é surpreendia com paralisação de ônibus

Somente a Piracicabana, que atende Águas Claras, Asa Norte, Asa Sul, Brazlândia, Cruzeiro, Estrutural, Guará, Planaltina, Sobradinho II, Sobradinho, Sudoeste, Taguatinga, Varjão, Lago Norte e Fercal, está rodando


postado em 20/05/2017 08:49 / atualizado em 20/05/2017 12:14

(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

 
Os usuários do transporte público foram surpreendidos na manhã deste sábado (20/5) com a paralisação das empresas de ônibus. Apenas a Viação Piracicabana DF, que atende em Águas Claras, Asa Norte, Asa Sul, Brazlândia, Cruzeiro, Estrutural, Guará, Planaltina, Sobradinho II, Sobradinho, Sudoeste, Taguatinga, Varjão, Lago Norte e Fercal, continua rodando.
 
O Wellington da Silva Fernandes, 42 anos, auxiliar de serviços gerais e assistente social, procurou o Correio para contar que ficou mais de 4h horas esperando o coletivo, antes de desisitir e voltar para casa. "Fui para a parada às 5h e fiquei até mais de 9h30. Trabalho no zoológico e os piratas estavam indo para outras regiões. Queria saber quem vai repor o meu dia do trabalho porque as decisões da Justiça mandam as empresas rodarem com pelo menos 30% da frota. E não está passando nenhum ônibus aqui no Riacho Fundo II", disse.  
 
De acordo com a Associação das Empresas de Ônibus, os trabalhadores reivindicam um adiantamento de salário. No entanto, as empresas alegam não ter como pagar o adiantamento porque o governo teria deixado de repassar os valores de reembolso das passagens de estudantes e portadores de necessidades especiais, o que teria gerado uma dívida de R$ 209 milhões. 
 
 
Em Taguatinga, as paradas ficaram lotadas nas primeiras horas da manhã. No Recanto das Emas, Ricardo Pereira, 37 anos,  ficou 40 minutos e só conseguiu chegar ao trabalho porque pegou o próprio carro. Em Samambaia Norte, também não teve transporte público e, sem opção, alguns trabalhadores voltaram para casa.
 
No centro de Taguatinga, as paradas de ônibus estão lotadas. Ônibus, vans e até mesmo carros particulares param a todo o momento, oferecendo transporte pirata aos que esperam nos pontos de ônibus. Um homem que cobrava as passagens de uma van pirata e que não quis se identificar justificou a ação: "o governo não dá prioridade para a população, então só sobra a gente."

Salete dos Santos, 40 anos, chegou na parada de ônibus do centro de Taguatinga às 8h. Às 10h50, a auxiliar de limpeza ainda aguardava transporte para Santa Maria. "Se não passar ônibus, vou ter que pegar um pirata. Não vai ter jeito", desabafou. "Fui pega de surpresa. Sei que eles estão sem salário, mas para a gente que também é trabalhador e precisa de transporte também é complicado".
 
 
 
 
Segundo a assessoria de imprensa das empresas de transporte público, os empresários se reuniram com representantes do Sindicato dos Rodoviários para pedir um prazo maior para pagar o diantamento dos salários, assim como as cestas básicas. Mas não houve acordo. Barbosa Neto, presidente da Associação das Empresas de Transporte público e Coletivo do DF (Transit) explica que a paralisação aconteceu porque as empresas de ônibus e os trabalhadores têm um acordo coletivo, que venceu no dia 30 de abril. “A partir de 1º de maio teríamos que ter outro acordo, então, diante disso, não há ilegalidade em não pagar a cesta básica e o adiantamento de salário”, justifica.
 
Segundo Neto, o salário dos trabalhadores foi pago no dia 5 deste mês, ou seja, estaria em dia. “Diante das dificuldades financeiras, na expectativa de ter recebimento, as empresas pediram que o sindicato aguardasse, assim como diversos setores, para receber na sexta que vem (26/5) ao invés de hoje, mas eles não aceitaram”. 
 
Carlos Roberto Chagas, funcionário da área operacional da empresa de ônibus Cootarde, disse que as cooperativas não pararam e estão rodando em Ceilândia, Gama, Santa Maria, Brazlândia, Taguatinga e Riacho Fundo. "As cooperativas estão atuando nessas regiões para os passageiros que precisarem de ônibus", reforçou. "Os passageiros que precisam ir trabalhar e estiverem nessas regiões podem ir para as paradas de ônibus tranquilos".  
 

O que diz o governo

 
Em nota, a Secretaria de Mobilidade esclareceu que o governo de Brasília tem cumprido o cronograma de pagamento acertado com as empresas no ano passado. E ressaltou que, neste ano, está providenciando o pagamento da dívida de R$ 88 milhões referente a 2015.
 
A Secretaria acrescenta ainda que há uma dívida de R$ 56 milhões referente ao ano de 2016, que também está sendo negociada com as empresas que operam o Sistema de Transporte Público Coletivo (STPC).
  
Em relação às despesas deste mês, estão sendo pagas, tanto diariamente (vale transporte e cartão cidadão), quanto mensalmente. Segundo a pasta, só em maio houve um repasse de R$ 34 milhões. Ainda faltam R$ 11 milhões referentes ao mês de março, o que quitaria os débitos de 2017.
 
Em relação ao não pagamento dos funcionários, a pasta esclareceu que compete às empresas garantir o repasse dos salários e demais encargos trabalhistas.
 

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