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Correio Braziliense

Começa nesta quarta mutirão de consultas, exames e cirurgias no HUB

Ação pretende agilizar atendimentos. Na rede pública do DF, o tempo de espera para procedimentos cirúrgicos varia de dois meses a seis anos, de acordo com informações da Secretaria de Saúde


postado em 31/05/2017 07:00

Depois de mais de um ano de espera, Francisca passará por cirurgia na vesícula(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Depois de mais de um ano de espera, Francisca passará por cirurgia na vesícula (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Para ajudar a reduzir a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal, o Hospital Universitário de Brasília (HUB) participa, nesta quarta-feira (31/5), do 2º Mutirão da Rede de Hospitais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Serão realizados 161 exames, 120 consultas, oito cirurgias e atividade educativa, com a participação de mais de 80 profissionais
 
O gerente de ensino e pesquisa do HUB-UnB, Renato Antunes dos Santos, explica que a ideia do mutirão é focar em ações para tornar o atendimento ao paciente mais ágil. “Também pretendemos mostrar à população a necessidade de se prevenir doenças e sempre procurar um profissional de saúde mais perto de casa. O médico de família que deve encaminhar o paciente ao hospital. Este atendimento de hoje é direcionado a doentes já selecionados, de acordo com a lista de espera dos procedimentos”, esclareceu. 
 
É o caso da empregada doméstica Francisca Raimunda Florência da Silva, 34, que procurou o posto de saúde, na Asa Norte em 9 de maio de 2016. Com dores abdominais, ela foi encaminhada ao HUB no mesmo dia. Lá, fez o exame e o diagnóstico confirmou pedras na vesícula, com necessidade de passar por uma intervenção cirúrgica. Mas o procedimento demorou um pouco mais de um ano para ser realizado. Ela será operada hoje, no 2º Mutirão do HUB-UnB/Ebserh. 

O drama de Francisca não é um fato isolado. Hoje, a capital do país conta com mais de 25 mil pessoas que aguardam atendimentos nos hospitais públicos para procedimentos cirúrgicos. O tempo de espera varia de dois meses até seis anos, a depender da classificação de risco de cada paciente, da disponibilidade de equipe e sala cirúrgica, informou a Secretaria de Saúde (SES-DF).
 
Morador da Vila Planalto, o pensionista Antônio Rodrigues, 78 anos, bateu à porta de uma unidade básica de saúde há quatro meses, com fortes dores nos ouvidos. Com dificuldade para escutar, ele procurou atendimento no posto de saúde próximo de onde mora, em 14 de março. “Porém, a consulta com o especialista será somente em 14 de junho, no HUB”, afirmou.  
 
O aposentado Antônio aguardará até junho uma consulta com o otorrino(foto: Antonio Cunha/CB/D.A. Press)
O aposentado Antônio aguardará até junho uma consulta com o otorrino (foto: Antonio Cunha/CB/D.A. Press)
 
 
Para o aposentado, a saúde pública de Brasília é ‘decadente’ e a fila de espera uma realidade cruel para quem precisa. “Tem que ter paciência para conseguir assistência médica. Caso contrário, não há nada que se possa fazer”, observou o aposentado, que participa do grupo do idoso no Posto de Saúde perto de sua residência. “Uma vez por mês vou à unidade básica de saúde para fazer check-up. Tenho pressão alta e bico de papagaio na coluna devido à minha profissão. Fui pedreiro por mais de 57 anos. Vim de Belo Horizonte, cheguei à capital federal no início da década de 1960. Tenho orgulho em dizer que fiz parte da equipe que ajudou a construir o Palácio Itamaraty", afirma "Tenho direito a um tratamento de saúde mais adequado”, completa.
 

Fim da espera 

Segundo a assessoria do HUB, dos 180 pacientes na fila para catarata, 40 serão atendidos no mutirão de hoje e dos 420 na fila para cirurgia de vesícula, oito serão operadas por videolaparoscopia. Entre os exames, serão feitos 36 raios-x de mama, 45 ecografias mamárias, 40 gonioscopias (exame usado por oftalmologistas para diagnóstico de glaucoma) e 40 pacmetrias (procedimento oftalmológico que mede a espessura da córnea).
 
As 120 consultas estão divididas entre as especialidades de otorrinolaringologia, com 50 atendimentos de primeira vez, oftalmologia, com 40 triagens de catarata, e odontologia, que terá 30 acolhimentos. O objetivo é auxiliar no diagnóstico e encaminhar os pacientes para o início de tratamento e até cirurgia, quando necessário, seja no próprio HUB ou em hospitais da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF).
 
O mutirão ainda contará com uma atividade educativa. Durante o dia todo, 20 alunos de graduação de medicina da Universidade de Brasília (UnB) participam do curso “Suporte básico e avançado de vida em cardiologia”, com o uso de manequins para simular atendimentos e aprimorar a capacitação.

 
Mutirão nacional

A ação do HUB faz parte do 2º Mutirão Nacional da Rede Ebserh, com a oferta de mais de 8 mil procedimentos nesta edição, o dobro de atendimentos realizados na primeira, em 2016. No HUB, o 1º mutirão teve oito cirurgias de próstata. A iniciativa contará ainda com a participação de todos os 39 hospitais universitários filiados à estatal, nas cinco regiões do país. As unidades oferecerão cirurgias, exames, consultas e ações educativas, com envolvimento de 3,7 mil pessoas.

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