Cidades

Família de bebê sequestrado no Hran recebe doações arrecadadas pelo Correio

A campanha resultou em um caminhão recheado de doações para o bebê raptado em um hospital público do DF

Otávio Augusto
postado em 14/06/2017 06:00
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Ele passou 19 horas com a sequestradora. Agora, em casa, só recebe carinho. E ele vem de todas as formas e de todos os cantos do Distrito Federal. Jhony dos Santos Júnior completa 20 dias hoje. E em uma situação melhor do que a de quando deixou a unidade de saúde, após ser roubado por uma ex-estudante de enfermagem e encontrado na casa dela. Uma campanha realizada pelo Correio Braziliense resultou, literalmente, em um caminhão de doações para o bebê e os pais dele, moradores da área mais miserável da Estrutural.
Todo o material foi entregue na tarde de ontem, por uma equipe do jornal. De pés descalços e cabelos soltos entre o vento e a poeira do Setor de Chácaras Santa Luzia, a mãe, Sara Maria da Silva, 19 anos, comemorou a chegada dos presentes. Fora o enxoval do bebê, um item era o mais esperado: a geladeira. ;Vamos ter como tomar água gelada e guardar a comida;, ressaltou a jovem.
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[SAIBAMAIS]Sara e a avó paterna de Jhony, Dalvina Maria dos Santos, 40, se surpreenderam com o volume de produtos. Os números mostram como a campanha foi uma causa abraçada pela cidade. A família ganhou dois guarda-roupas, três berços, quatro enxovais completos, 109 pacotes de fralda, duas banheiras, um carrinho, um cercadinho, 17 cestas básicas, 31 sacos de roupas e uma infinidade de outros itens.

Dalvina chorou. Sara riu bastante. Esse foi o primeiro encontro em que a família estava relaxada. ;Isso vai ajudar bastante. Nossos vizinhos e algumas pessoas já tinham doado algumas coisas, mas nada como o que estamos recebendo agora. Realmente, as pessoas não pensaram só no Jhony, mas sim, em toda a família;, comemorou Sara.

Sem o envolvimento de leitores, funcionários do jornal, grupos de mães e todos aqueles que se solidarizaram com o drama de Jhony, a arrecadação de produtos para a família não teria levado um pouco mais de conforto àquela família. Durante a última semana, várias mensagens, e-mail e telefonemas, mostraram o apoio do brasiliense ao bebê. Com os olhos marejados, dona Dalvina agradeceu. ;Todos que ajudaram, mesmo com pouco, fazem parte da história de uma família unida pelo amor.;

Atrás de emprego

Jhony, o pai, não participou da entrega. Ontem, ele passou o dia em entrevistas de emprego. Uma em Águas Claras e outra em Ceilândia ; onde recolheu mais doações. ;Estou procurando emprego para ajudar a construir um futuro melhor para a minha família;, disse, por telefone. Apesar da alegria, essa semana Jhony recebeu telefonemas com propostas de trabalho falsas. Mas há quem queira ajudar de verdade. Duas pessoas se dispuseram a custear os estudos e um curso técnico para ele, que vive com menos de R$ 600 mensais angariados no lixão da Estrutural.

No meio dos pacotes, havia uma cartinha, sem identificação. ;Estimulem sempre o pequeno Jhony a estudar. Por mais difícil que seja, é o único caminho para uma vida melhor. Cuidem uns dos outros, o levem para tomar as vacinas e façam o melhor de vocês por ele;, concluiu o texto.

Na manhã de ontem, o bebê recebeu a visita de um médico da família. Hoje tem mais consulta. Jhony engordou. E já segue uma rotina em casa. Das 7h às 8h, toma banho de sol.

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