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Correio Braziliense

Secretaria de Cultura anuncia reforma do Museu de Arte de Brasília (MAB)

Orçada em cerca de R$ 9 milhões, a obra vai recuperar o prédio que está abandonado, e fechado desde 2007


postado em 22/09/2017 06:00

Projeções de como deve ficar o MAB após a reforma, segundo a Secretaria de Cultura(foto: Secult/GDF)
Projeções de como deve ficar o MAB após a reforma, segundo a Secretaria de Cultura (foto: Secult/GDF)

 
Os últimos passos para o início da reforma do Museu de Arte de Brasília (MAB) foram dados durante a semana, quando o secretário de Cultura, Guilherme Reis, assinou a ordem de serviço que permite o início das obras. Agora, o órgão aguarda a liberação de um financiamento do Banco do Brasil (BB) para começar a mexer no prédio, que fica no Setor de Hotéis e Turismo Norte (SHTN), ao lado da Concha Acústica.
 

Orçada em cerca de R$ 9 milhões, a obra vai recuperar o prédio que está abandonado, e fechado desde 2007, em consequência de uma recomendação do Ministério Público. Segundo Reis, a licitação foi feita e a empresa responsável pela obra será a Engemil Engenharia, com sede em Brasília. “Foi dada para essa empresa uma ordem de serviço, mas falta o financiamento da obra. Para que haja aderência a esse financiamento, estou trabalhando feito doido hoje para entregar a documentação necessária. E ainda está faltando um alvará para começar a obra”, destaca o secretário.
 
(foto: Secult/GDF)
(foto: Secult/GDF)
 
 
Inicialmente, a obra seria financiada pela Terracap, mas, temendo uma eventual suspensão dos trabalhos por conta de sucessivas crises financeiras, o Governo do Distrito Federal (GDF) decidiu financiar a reforma. “Se verificou que haveria dificuldade e poderia ter descontinuidade. E não dá mais para parar nada. Indo para o BB, esse dinheiro é depositado integralmente e garante a continuidade da obra no tempo certo e no andamento contínuo sem interrupção”, garante o secretário de Cultura. A intenção é, caso o financiamento seja liberado, fazer um ato com os artistas da cidade para marcar o início da obra ainda na próxima semana.

Atualmente, o prédio que abrigou o MAB durante mais de duas décadas está completamente abandonado. A reforma, além de recuperar a estrutura do edifício, vai criar um espaço adequado às normas técnicas exigidas pela museologia, com direito à reserva técnica e climatização abastecida com energia fornecida por painéis solares que serão instalados no teto.
 
Imagem de 2016 denunciava o abandono do museu(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
Imagem de 2016 denunciava o abandono do museu (foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
 

Climatização

A saga do MAB é antiga. O museu foi alvo de algumas licitações e projetos de reforma que prometiam instalações à altura de um acervo que inclui Tarsila do Amaral e Iberê Camargo, mas, na maioria das vezes, se tratava apenas de uma maquiagem. Infiltrações, reserva técnica que ficava em um porão e não comportava a quantidade de obras nem a climatização adequada, sol que batia diretamente nas obras eram alguns dos problemas do prédio. As condições eram tão ruins que obras como uma pintura de Tomie Ohtake foram danificadas.

No ano passado, o MAB chegou a ganhar um projeto básico e licitação, que acabou suspensa por conta da crise financeira enfrentada pelo GDF. Na época, a obra estava orçada em R$ 3. 245.985,92, valor considerado insuficiente para completar a reforma necessária ao prédio. Foi então feito outro projeto e outra licitação, dessa vez incluindo o valor total da obra, três vezes maior que o projeto do ano passado.

O MAB foi criado em 1985 e, desde então, ocupou o prédio ao lado do Hotel Brasília Palace. No local, funcionaram uma casa de baile e uma churrascaria. O acervo do museu é formado por 1.360 obras e tem alguns dos melhores nomes da arte brasileira. Desenhos de Tarsila do Amaral, pinturas de Tomie Ohtake, Beatriz Milhazes e Nuno Ramos, esculturas de Amilcar de Castro e Franz Weisman estão na coleção, hoje guardada na reserva técnica do Museu Nacional da República. Eventualmente, o diretor dessa instituição, Wagner Barja, monta exposições temporárias para que o acervo não fique longe dos olhos do público.

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