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Correio Braziliense

Atletas mirins do DF representarão o Brasil em Pan-americano de ginástica

Seis crianças e jovens do Distrito Federal vão representar o Brasil, nos próximos dias, no Pan-americano de Ginástica Acrobática na Flórida (EUA). Viagem só foi possível graças à solidariedade dos brasilienses


postado em 08/10/2017 08:00 / atualizado em 09/10/2017 10:18

Turminha de pouca idade, mas de um talento enorme, está deixando a marca na história do esporte de Brasília e do Brasil(foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
Turminha de pouca idade, mas de um talento enorme, está deixando a marca na história do esporte de Brasília e do Brasil (foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)
 
Um sonho que está se tornando realidade graças ao esforço, incentivo e à solidariedade de muita gente. Amanhã será um dia marcante na vida de Paloma Dias, 10 anos, Gyovanna Cristine Lacerda, 12, Isadora dos Santos, 14, Abel Gomes, 16, e Ester Sena, 17. Essa turminha de pouca idade, mas de um talento enorme, está deixando a marca na história do esporte de Brasília e do Brasil. Atletas da Associação de Ginástica Acrobática do Distrito Federal (Akros), eles embarcam para os Estados Unidos amanhã para representar o Brasil no campeonato pan-americano da modalidade, que será realizado de 13 a 15 de outubro em Daytona Beach, na Flórida. Eles fazem parte da Seleção Brasileira, que também é composta por ginastas de Minas Gerais e de São Paulo. O grupo vai enfrentar potências americanas, canadenses e de outros países das Américas.
Chegar até aqui não foi fácil. Foram meses de muitos treinos, de segunda a sábado, puxões de orelha, aprendizados, força das famílias, apoio de uma equipe de profissionais e muitas incertezas. Até poucos dias antes do embarque, os ginastas não sabiam se teriam condições de arcar com os custos da viagem. Mas acreditaram e foram em busca do sonho. Lançaram uma campanha na internet, fizeram rifas e saíram de suas casas em Ceilândia, Samambaia, Estrutural, Núcleo Rural do Lago Norte, Asa Sul e Asa Norte para andar pelas ruas do DF. Levaram faixas, se apresentaram em semáforos, em eventos e em shoppings. Graças ao espírito solidário dos brasilienses, arrecadaram cerca de R$ 25 mil. As passagens áreas foram custeadas pelo programa Compete Brasília, da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal.

Para a técnica da Seleção Brasileira e da Akros, Márcia Colognese, é emocionante ver o caminho que está sendo trilhado pelos atletas. “É o sonho de muita gente que se realiza quando você consegue levar um atleta ao Pan-americano. É o sonho também das famílias, dos técnicos, de fisioterapeuta, de nutricionista, de psicólogo e de estagiários que trabalharam e acreditaram que seria possível. Tem um monte de gente feliz e torcendo por isso. Essas crianças saem de uma situação de risco das nossas cidades e aqui conhecem outra família, a família da ginástica, que ensina muitos princípios, como disciplina, responsabilidade e respeito ao próximo. Agora, estão prestes a conhecer um outro país por causa do esporte”, observa. Márcia se diz duplamente feliz, porque sabe da dificuldade que os atletas passam para estarem treinando. “Tem a dificuldade de uma boa alimentação, de ter uma boa família, o cansaço depois da escola, abrir mão do lazer”, diz a técnica.

Orgulho da Estrutural


Único menino da equipe, Abel Gomes, 16 anos, é o orgulho da família. Filho de pais separados, o jovem mora na Estrutural com os três irmãos e a mãe, que trabalha como diarista. Abel conta que a mãe queria vê-lo nos esportes e o inscreveu ainda pequeno na natação, no Centro Olímpico e Paralímpico. “Eu não queria natação e pedi para mudar para a ginástica acrobática. Acabei gostando e fui chamado para entrar na Akros em 2013. Já fui direto para uma competição nacional em São Paulo, e fiquei em segundo lugar como dupla masculina. Em 2015, fiquei em primeiro lugar como dupla masculina no Brasileiro e passei para o Mundial de 2016.  Não fui, porque a minha dupla saiu. Agora, estou tendo a oportunidade de participar do Pan como dupla mista”, conta o ginasta, que vai fazer a primeira viagem internacional. “O esporte está sendo muito legal na minha vida. Meu objetivo sempre foi participar de uma competição fora e, agora, consegui.”

Quem detectou o talento de Abel foi Marcelle Rodrigues, membro da equipe pedagógica da Fundação Assis Chateaubriand (FAC). Técnica do programa Futuro Campeão, no Centro Olímpico e Paralímpico da Estrutural, e técnica voluntária da Akros, Marcelle percebeu que Abel tinha um potencial diferente durante os treinos no Centro Olímpico. “É muito gratificante poder contribuir com o crescimento pessoal e esportivo dos atletas. A gente faz uma peneira e verifica quem é um possível talento para a modalidade. No Futuro Campeão de ginástica acrobática, a maioria dos atletas reside na Estrutural. Lá fazemos todo o processo pedagógico inicial, desenvolvemos os atletas e aqueles que vão se destacando, trazemos para a Akros, que tem uma estrutura melhor de treinamento, com equipamentos de primeiro mundo.”

Acompanhe
Saiba mais sobre a história da Associação de Ginástica Acrobática do Distrito Federal (Akros) no link. Se deseja entender melhor como funciona o programa Futuro Campeão nos Centros Olímpicos e Paralímpicos, veja mais informações no site da Fundação Assis Chateaubriand ou no site da Secretaria de Estado de Esporte, Turismo e Lazer do DF

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