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Correio Braziliense

Captação de água do subsistema do Bananal tem início até o fim do mês

Ambientalistas criticam empreendimento que retira água de nascentes e diminui volume limpo jogado no Lago Paranoá


postado em 18/10/2017 06:00 / atualizado em 18/10/2017 16:35

O subsistema de captação de água do Bananal  vai entrar em funcionamento antes mesmo de a obra estar totalmente concluída. Até 31 de outubro deve começar a retirada de água do córrego, próximo ao Parque Nacional de Brasília. A decisão foi tomada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), devido ao agravamento da crise hídrica no Distrito Federal.

A outorga concedida pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) permite captação de 600 a 750 litros de água por segundo, a depender da disponibilidade hídrica do período. O novo sistema abastecerá Asa Norte, Sudoeste, Cruzeiro e Noroeste, regiões que abrigam  mais de 200 mil pessoas, ajudando a desafogar os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria, que seguem em estado crítico.

Novo sistema abastecerá mais de 200 mil pessoas que moram na Asa Norte, Sudoeste, Cruzeiro e Noroeste(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Novo sistema abastecerá mais de 200 mil pessoas que moram na Asa Norte, Sudoeste, Cruzeiro e Noroeste (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)


Mesmo servindo de alívio à crise hídrica, a obra no Bananal vem recebendo críticas de ambientalistas, que devem realizarprotestos próximos ao sistema, assim como fizeram na inauguração do Sistema de Captação e Tratamento do Lago Norte, no começo deste mês. De acordo com eles, com o novo sistema, a água de alta qualidade que surge das protegidas nascentes e córregos de dentro do Parque Nacional de Brasília será captada antes de chegar  ao Lago Paranoá. Com isso, menos água pura entrará no reservatório, enquanto a mesma quantidade de esgoto tratado continuará a ser despejado no lago.

Esgoto na nascente


Na edição de 1º de outubro, o Correio mostrou que a capacidade do Lago Paranoá em diluir elementos químicos, como o fósforo, está comprometida devido a grande quantidade de esgoto, tratado ou não, que é jogado no espelho d’água. Em discurso na inauguração da nova estação do Lago Norte, o governador Rodrigo Rollemberg reafirmou que não há riscos no consumo da água retirada do local. 

Para o ecossociólogo Eugênio Giovenardi, que vem analisando o enfrentamento à crise hídrica do DF, com o funcionamento do sistema do Bananal, mais do que nunca, o esgoto tratado atuará como principal nascente do Lago Paranoá.  “A água do Bananal se renova permanentemente, ela tem um sistema de limpeza natural, devido à proteção de suas margens. Com ela não chegando ao lago, será a água das nossas torneiras, sanitários e máquinas de lavar que irão abastecê-lo, pois depositamos mais de 1 milhão de litros de esgoto tratado por dia no Paranoá, sem contar o não tratado, que é jogado ilegalmente. Isso para mim é uma barbaridade”, conta.

Ver galeria . 5 Fotos Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )

600 novas casas


Outro ponto que vem preocupando especialistas em relação à qualidade da água do Lago Paranoá é a construção do setor habitacional Taquari II. A previsão é de que cerca de 600 habitações serão construídas na área de 2.578,28 km², segundo a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap). O problema é que o novo bairro pertencente ao Lago Norte será instalado próximo à área da Serrinha do Lago Paranoá, que abriga  mais de 100 nascentes e nove córregos.

No começo do mês, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios divulgou uma recomendação pedindo a suspensão do novo parcelamento. Um dos argumentos da promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Marta Eliana de Oliveira é de que o empreendimento está inserido nas Áreas de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central e do Lago Paranoá, sendo construído em uma região de recarga das águas da bacia hidrográfica do Rio Paranoá. Ou seja, a urbanização da área impermeabilizará o solo e prejudicará a bacia do Paranoá. Já a Terracap alega que são as ocupações irregulares, instaladas em chácaras na região, que prejudicam as nascentes. Ainda não há previsão de quando o Taquari II sairá do papel.
 
 

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