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STJ concede mais dois habeas corpus a envolvidos em esquema da Kriptacoin

A defesa de Sérgio Vieira e Urandy de Oliveira entrou com pedido de soltura dos denunciados, com base na decisão em favor de Fernando Ewerton, liberado na semana passada

Mais dois denunciados por envolvimento no esquema da moeda virtual Kriptacoin tiveram pedidos de habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta quarta-feira (25/10). Sérgio Vieira de Souza, 42 anos, e Urandy João de Oliveira, 43, teriam atuado como sócios da empresa Kripta Investimentos em Tecnologia da Informação e colaborado com a divulgação do negócio nas redes sociais.

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[SAIBAMAIS]Sérgio e Urandy estavam presos desde 21 de setembro, quando a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Patrick. Os réus respondiam a processos na Justiça do DF por crimes contra a economia popular e de organização criminosa.

O pedido apresentado à corte pelos advogados dos acusados teve como base a decisão em favor de Fernando Ewerton, liberado na última quinta-feira (19). O relator do processo, ministro Sebastião Reis Júnior, entendeu que a prisão preventiva deve ser mantida apenas em casos de ;inequívoca necessidade;. Além deles, Alessandro Ricardo de Carvalho Bento e Uélio Alves de Souza entraram com pedido de habeas corpus no mesmo processo, mas tiveram a solicitação indeferida pelo magistrado.

As medidas impostas como alternativas pelo magistrado aos dois acusados foram: comparecimento periódico ao tribunal; proibição de qualquer tipo de contato com demais réus e envolvidos no caso; impossibilidade de deixar o Distrito Federal e o país; e suspensão do exercício de atividades econômicas.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Sérgio fazia parte do núcleo financeiro da organização, integrado por pessoas físicas e jurídicas, consideradas laranjas no esquema. Os componentes do núcleo teriam emprestado o nome para abertura das principais empresas e contas bancárias vinculadas à Kriptacoin, com o objetivo de movimentar e ocultar valores.

Ainda segundo o MPDFT, Urandy teria induzido investidores ao erro com a divulgação de vídeos, em redes sociais, em que informava ter recebido R$ 1,2 milhão como executivo na empresa. Ele afirmava ter deixado a profissão de balconista de padaria e se tornado milionário após apenas seis meses de trabalho. Considerado o garoto-propaganda da Kriptacoin, o réu também participava de eventos e palestras com clientes da organização.

Os advogados de Sérgio, Victor Quintiere e Bruno Espiñeira, informaram que o habeas corpus do cliente foi solicitado devido à presença de fundamentos genéricos no pedido de prisão preventiva apresentado pelo MPDFT. ;A liberdade foi concedida em razão da ausência de elementos concretos que ligassem o cliente aos supostos crimes-objeto da persecução penal;, afirmaram. A defesa recorreu ao STJ após Fernando Ewerton Cezar da Silva ter o pedido autorizado pela corte por não apresentar risco à sociedade.

O Correio não conseguiu contato com o promotor Paulo Roberto Binicheski, da 1; Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon).

Entenda o caso


Em 21 de setembro, o MPDFT e a Polícia Civil desmantelaram o esquema de lavagem de dinheiro, estelionato e pirâmide financeira da Kriptacoin. Segundo Binicheski, a estimativa é de que a fraude com a moeda digital tenha movimentado aproximadamente R$ 250 milhões e resultado em prejuízo para cerca de 40 mil investidores. Para atrair mais pessoas, a organização criminosa fazia propaganda nas redes sociais de um falso estilo de vida, regado a luxos alcançados por meio do negócio. Na tarde de hoje, o site da empresa ainda permitia a entrada no negócio.

A Operação Patrick prendeu 13 suspeitos de participação no esquema, no Distrito Federal e em Goiás. O sigilo da ação foi derrubado em 17 de outubro pelo juiz-titular da 8; Vara Criminal de Brasília, Osvaldo Tovani. Até então, os trâmites do processo estavam sob segredo de Justiça, desde a apresentação das denúncias pelo MPDFT.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer