Cidades

Bombas de captação de águas no lago Corumbá começam a ser testadas

Depois de denúncias de superfaturamento, começa em novembro a avaliação técnica dos equipamentos de captação do lago goiano

Flávia Maia
postado em 26/10/2017 06:00

Obras no Lago Corumbá: parceria entre a Caesb e a Saneago pode reduzir o impacto de futuras secas na região

Os testes com as bombas de captação das águas do lago Corumbá estão marcados para a segunda quinzena de novembro, segundo informações da Saneamento de Goiás (Saneago). A estatal goiana informou que a produção de três das quatro bombas está em fase de montagem e, após esse período, as máquinas passarão por avaliações na fábrica, no Rio de Janeiro. Dessa forma, antes de chegar ao Planalto Central, a indústria precisa comprovar a integridade dos equipamentos e apontar se aguentam a pressão da água.

O objetivo dos testes é manter o cronograma de 18 meses para o início da operação do Sistema Corumbá ; que abastecerá o Distrito Federal e Entorno e aliviará a grave crise hídrica vivida na região. Assim, em dezembro de 2018, a operação teste começa e, em março de 2019, a água chegará às torneiras dos consumidores.

O superfaturamento das bombas de captação das águas do Lago Corumbá foi responsável pela mais recente das várias paralisações na obra. Foram quase 12 meses de atraso no cronograma, as atividades retornaram apenas em setembro deste ano. Segundo denúncia do Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO), o aumento verificado era de quase 388% e veio à tona com a deflagração da Operação Decantação, que investigou contratos da Saneago. Diante da apuração, no ano passado, o MPF-GO recomendou ao Ministério das Cidades o bloqueio dos recursos para a obra até que o sobrepreço das bombas fosse retirado.

Este ano, o valor cobrado pelas bombas caiu de R$ 34,9 milhões para R$ 15 milhões. Sem o sobrepreço, o Ministério das Cidades retomou o repasse dos investimentos e a obra recomeça. De acordo com Juliana Matos, diretora de expansão da Saneago, a indústria continuou fabricando as peças das bombas, mesmo com o recurso bloqueado. Se a produção tivesse parado, o cronograma de 18 meses estaria em risco, uma vez que a fabricação demora mais de 12 meses. ;O cronograma de término do Sistema Corumbá não estava compatível com esse prazo de fabricação das bombas. Agora, com as peças prontas e os testes sabemos que os 18 meses serão cumpridos;, analisa. Ela comenta que acompanhará de perto as avaliações.

Financiamento

A Saneago informou que o faturamento do projeto das bombas foi aprovado e enviado para a Caixa ; que é o banco que libera os recursos da obra. Com isso, a instituição financeira liberou a segunda parcela do financiamento. A empresa afirmou ainda que a produção de três bombas está adiantada e em fase de montagem. Apenas a quarta unidade está com a produção mais atrasada.

O Sistema Corumbá é um consórcio entre a Saneago e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). A Saneago ficou responsável pela captação e bombeamento da água no lago Corumbá e pela construção de 15km de adutora ; que levará a água bruta até a estação de tratamento. À Caesb, coube a construção dos outros 15km de adutora de água bruta e a construção da Estação de Tratamento de Água. A estimativa é de que a obra custe em torno de R$ 550 milhões. Até o momento, 68% da obra que cabe à Caesb já está pronta e 60% da parte da Saneago está finalizada.

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