Jornal Correio Braziliense

Cidades

Suspeita de febre leva Saúde a fazer mutirão no Sudoeste

Quadra no bairro passa por procedimentos de profilaxia depois de uma suspeita de um caso de febre amarela na região: vacina foi disponibilizada para moradores em posto avançado montado no local



A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde ainda informou que possui estoque suficiente para seguir as orientações do Programa Nacional de Imunização, aplicando uma dose aos não vacinados. E reforçou o pedido para que os moradores do Distrito Federal procurem um posto de vacinação, tendo em vista que o DF ;é uma região em que está recomendada a vacinação contra a febre amarela;.

Em contato com a reportagem do Correio, o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, descartou o risco. Segundo ele, o Distrito Federal tem a melhor cobertura vacinal do país. (Leia entrevista)



Estado grave


Até o fim da tarde de ontem, o paciente com suspeita de febre amarela continuava internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul. Conforme o Correio noticiou ontem, o homem de 43 anos está com provável morte cerebral encefálica, que ainda precisa ser confirmada por exames.

Segundo informações, o homem teria circulado, nos últimos dias, em condomínios e na área rural do Jardim Botânico. Ele deu entrada na emergência em 18 de novembro com dor nas costas, mas foi liberado após medicação. No dia seguinte, voltou ao hospital. Confuso e com fala incoerente, recebeu oxigênio e acabou internado.

Equipes médicas fizeram dois exames epidemiológicos. O teste mais específico, que poderia confirmar o diagnóstico de febre amarela, foi inconclusivo. Por essa razão, o exame será refeito. O primeiro, que procurou a presença do vírus no sangue, também apresentou resultado divergente.

Desde abril deste ano, o Ministério da Saúde adotou a dose única da vacina contra a febre amarela para as áreas com recomendação de vacinação este ano. Com a medida, crianças e adultos que tomaram uma dose não precisam se vacinar mais contra a doença ao longo da vida. A medida já era adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2014.

Segundo a pasta, precisam ser imunizadas crianças a partir de 9 meses e adultos até 59 anos, com apenas uma dose da medicação. Para quem ainda não foi vacinado, a orientação é receber a dose única. A vacina contra a febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença e apresenta eficácia de 95% a 99%, além de ser reconhecidamente eficaz e segura, de acordo com o ministério.

Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos, como febre, dor local, dor de cabeça, dor no corpo. Para algumas pessoas, a vacina é contraindicada.



Memória

Casos confirmados
Até o momento, foram confirmados dois casos de febre amarela com morte no Distrito Federal em 2017, segundo a Subsecretaria de Vigilância à Saúde, vinculada à Secretaria de Saúde do DF. O primeiro caso ocorreu em 19 janeiro, com um morador de São Sebastião que se deslocou para Januária (MG), local provável da infecção. O segundo ocorreu com um morador de Itapoã, que morreu em 11 de fevereiro.

Duas perguntas para:


Humberto Fonseca, Secretário de Saúde

A população precisa se preocupar com a febre amarela?
Não há motivo para pânico e os brasilienses podem ficar tranquilos, porque temos cobertura vacinal em todo o território, inclusive no Entorno do Distrito Federal. Inclusive, quem já se imunizou contra a doença não precisa repetir a dose da vacina. Quem não se preveniu pode procurar um dos postos de saúde da rede pública, pois as unidades foram reabastecidas com as doses.

No caso do homem supostamente infectado com febre amarela, todos os procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde foram seguidos?
Sim. O procedimento de saúde pública é fazer o controle ambiental, verificar a vacinação do local por onde o paciente passou, e todos esses procedimentos foram tomados.



Palavra de especialista


Vacina é importante

;O perfil do paciente que adquire febre amarela tem mudado. Antes eram, na maioria, lenhadores, garimpeiros, seringueiros e outras pessoas ligadas à vida na mata. No Brasil, fazíamos uma dose de reforço a cada 10 anos em regiões de risco, porque há registro de casos de infecção mesmo após uma dose da vacina. Entretanto, a OMS sempre preconizou dose única da vacina. Por questões de economia, custo e benefício, o Brasil resolveu adotar as recomendações da OMS. Alguns fatores inerentes ao sistema imunológico do indivíduo podem diminuir a resposta à vacina, assim como as condições de produção, conservação e armazenamento da vacina podem reduzir o poder imunogênico. Algumas pessoas podem não ficar imunizadas, mesmo se vacinadas.

Nos últimos anos, a doença tem acometido fazendeiros, pescadores, caminhoneiros e turistas ecológicos. Mesmo que a zoonose que determina casos de febre amarela silvestre não possa ser controlada, a ocorrência de casos humanos pode ser prevenida com o uso da vacina, que é a medida mais importante de prevenção e controle da doença e apresenta eficácia acima de 95%. Não existe droga antiviral que atue adequadamente contra o vírus. O tratamento se baseia em oferecer cuidados de suporte em terapia intensiva ao paciente infectado gravemente. Nas formas leves ou moderadas, faz-se apenas tratamento sintomático da febre, cefaleia (dor de cabeça), mialgias (dor muscular) e artralgias (dor articular). Contudo, deve-se evitar o uso de remédios que podem ser causa de hemorragias digestivas altas e acidose. Prefere-se utilizar o paracetamol e seus derivados;,

Joana D;Arc Silva, infectologista