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Correio Braziliense

Voluntários o ano todo: instituições recebem de alimentos ao afeto

Todo ajuda é bem-vinda em qualquer época do ano, mas é importante as pessoas pesquisarem como contribuir de forma mais efetiva, de doações de dinheiro a gêneros alimentícios ou simplesmente distribuindo afeto


postado em 25/12/2017 06:00 / atualizado em 25/12/2017 06:39

Denise Dias se inscreveu para fazer trabalho voluntário quando ainda amamentava e, com o tempo, conseguiu envolver até os familiares (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Denise Dias se inscreveu para fazer trabalho voluntário quando ainda amamentava e, com o tempo, conseguiu envolver até os familiares (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


Quem dirige instituições sociais destaca o valor de todo o tipo de ajuda, o ano inteiro. É claro que a contribuição em datas específicas, como no período de festas natalinas, são importantes. Vez ou outra, a solidariedade é tamanha, que transborda e se multiplica. Quando uma entidade recebe donativos acima da capacidade de consumo, doa parte dos produtos para outros estabelecimentos.

Coordenadora pedagógica do abrigo para crianças Nosso Lar, no Núcleo Bandeirante, Patrícia Braga explica que as duas formas de ajuda são importantes. E destaca o bem que faz o contato pessoal. “Essas pessoas que se propõe a vir aqui, conversar, brincar e fazer atividades que, de outra forma, não conseguiríamos oferecer, potencializam a eficiência do nosso trabalho”, ressalta.

Mas antes de decidir ajudar o próximo, Patrícia lembra que é importante saber as necessidades dos estabelecimentos e as possibilidades de cada um em se doar. “Cada instituição é única, com necessidades muito diferentes. Se você quer ser um voluntário no local com o qual você se identifica, faça um estudo prévio”, aconselha. Segundo a coordenadora, essa dica é de extrema importância, pois, muitas vezes, a instituição não precisa de alimentos e, sim, de material de limpeza ou itens de higiene pessoal, por exemplo.

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Laços delicados


Dinheiro e tempo disponíveis são importantes para quem deseja ajudar o próximo. Mas também é imprescindível estar preparado do ponto de vista emocional. Em muitos casos, o voluntário terá de lidar com acolhidos – crianças, adolescentes ou idosos — com vivências de muito sofrimento. “Alguns passaram por situação de abandono. Independentemente da idade, eles precisam de momentos de paz e de alegria. E percebem quando alguém chega de baixo-astral. É importante estar feliz e transmitir felicidade”, destaca.

“O comprometimento é fundamental e, invariavelmente, gera vínculos. Você vai ter coragem de fazer uma criança passar por uma nova situação de abandono? Ela já foi abandonada, está sozinha em um abrigo e a última coisa que ela precisa é de mais uma pessoa que não tenha compromisso com os sentimentos despertados nela”, reforça.

Patrícia Braga conta que o baixo número de funcionários dificulta o atendimento das necessidades específicas de cada acolhido. O cuidado acaba sendo mais coletivo. Neste ponto, os voluntários conseguem dar uma atenção especial e até informar os gestores sobre necessidades individuais que, de outra forma, passariam despercebidos.

Vice-presidente do Abrigo Bezerra de Menezes, Ana Laura Mazzei concorda. Ela explica como funciona o voluntariado na instituição em que trabalha. O local, que tem capacidade de abrigar vinte crianças, atualmente conta com dezessete abrigados, parte deles vítimas de abusos físicos e psicológicos no seio familiar. “No nosso abrigo, trabalhamos para que voluntários entendam que fazem parte de nossa casa e da vida de nossas crianças”, explica. “Buscamos pessoas dispostas a contar uma história, dar aula de música, auxiliar em um dever, levar a uma consulta, buscar uma doação ou oferecer um auxílio mensal para cobrir nossos gastos e atividades”, ressalta.

Projetos pessoais 

Com a ajuda do namorado Diogo Araújo, Maria Zaban encontrou no luto um meio de ajudar o próximo(foto: Jéssica Luz/Esp. CB/D.A Press)
Com a ajuda do namorado Diogo Araújo, Maria Zaban encontrou no luto um meio de ajudar o próximo (foto: Jéssica Luz/Esp. CB/D.A Press)


Nem sempre é necessário uma instituição por trás dos voluntários que levam alívio ao próximo. Muitas vezes, o gesto pode surgir de um trabalho individual, mas tão importante quanto o dedicado a organizações. A história da biomédica Maria Zaban, 27 anos, mostra isso. A perda de uma tia muito querida transformou o sofrimento e a agonia em força para ajudar outras pessoas com dificuldade para enfrentar e superar o luto.

Ao lado do namorado, Diogo Araújo, 28, a biomédica decidiu desenvolver um site que apontasse caminhos para lidar com a morte. Assim nasceu O Mistério do Jardim. A página na internet ensina técnicas de meditação e oferece reflexões aos visitantes.

Com o tempo, o projeto cresceu, assim como o público. Maria, por sua vez, também passou a participar de grupos no WhatsApp e Facebook, ajudando de modo ainda mais pessoal e direto os que sofreram uma grande perda.

Carência o ano todo


Voluntário no Lar dos Velhinhos Maria Madalena, no Park Way, ao lado do Núcleo Bandeirante, Luiz Otávio Gomes Sanromã, 65, leva música, conversas e um ombro amigo para os idosos da instituição. “No começo, eu ia (ao Lar dos Velhinhos) aos sábados tocar teclado. Eles gostavam da música. Um deles me pediu para tocar um bolero umas 20 vezes. Às vezes, bato papo, já dei curso de informática, levei ao banco e ao médico”, relata.

A experiência revela que, a maior carência, muitas vezes, não é material, mas de afeto. “A ausência de familiares os deixa abatidos. A administração do lar faz várias atividades para suprir essa falta, mas nem sempre é suficiente”. Para Luiz Otávio, o trabalho voluntário só traz o bem. “Se trazemos alegria, combatemos a tristeza, que causa várias doenças. Além disso, querer bem aos outros nos transforma. Claro que as doações em datas especiais têm o seu valor. Mas as pessoas têm necessidades o ano todo. E não só de coisas materiais. É a presença, a palavra, o ouvido.”

Acesso livre

O Mistério do Jardim é completamente gratuito. Visitantes têm livre acesso a todo o conteúdo e, dentro da plataforma, também existe um canal para que os leitores se comuniquem com o casal. Tudo é feito de forma inteiramente voluntária. Para acessar o site entre em https://www.omisteriodojardim.com.br.

"O comprometimento é fundamental e, invariavelmente, gera vínculos. Você vai ter coragem de fazer uma criança passar por uma nova situação de abandono? Ela já foi abandonada, está sozinha em um abrigo e a última coisa que ela precisa é de mais uma pessoa que não tenha compromisso com os sentimentos despertados nela” 

Patrícia Braga, 
coordenadora pedagógica do abrigo para crianças Nosso Lar, no Núcleo Bandeirante

"Quando me voluntariei, ainda amamentava. Mas, quando as coisas começaram a funcionar, criei uma família de voluntários. Se eu planejo alguma coisa, eles dão ideia. Meus irmãos me disponibilizam jogos. Minha mãe faz um lanche para me ajudar. A presença na frente sou eu. Mas tenho uma rede de apoio” 

Denise Dias, 38 anos. 
Voluntária no Abrigo Bezerra de Menezes, em Ceilândia


Quer ajudar?

Confira os telefones e endereços das instituições citadas na matéria:

Casa Azul
Endereço: QN 315, Conjunto F, Lote 1 a 4, Samambaia Sul
Telefone: 3359-2098

Abrigo para crianças Bezerra de Menezes
Endereço: QNN 55, Conjunto M, Casa 16, Ceilândia Norte
Telefone: 99963-5592

Lar dos Velhinhos Maria Madalena
Endereço: Setor de Mansões Park Way Trecho 3, Área Especial 1/2
Telefone: 35520504 e 99352-0912

Nosso Lar
Endereço: Setor de Áreas Isoladas Sul, Bloco C, Lote 29, Núcleo Bandeirante
Telefone: 3301-1120
 
 

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