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Correio Braziliense

Prata da Casa: música contra o racismo e pelo empoderamento negro

Em suas letras, Marcelo Café sempre traz uma mensagem de reflexão contra o preconceito e de incentivo às políticas públicas sociais


postado em 29/12/2017 10:00

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
 
A beleza negra, os cabelos crespos, as conquistas e lutas contra as diferenças raciais são as inspirações das composições de Marcelo Café, 44 anos. Natural de Niterói, cidade no  Rio de Janeiro, Café chegou a Brasília ainda criança, aos 10 anos. Ele veio acompanhando o pai, que viria trabalhar na capital federal. A família se estabeleceu em Ceilândia, onde Marcelo mora até hoje. Além da moradia,  toda a carreira profissional de cantor e compositor foi criada na cidade, onde desenvolve trabalhos sociais.
 

A música entrou na vida de Café quando ele ainda nem entendia direito o que isso sigificaria em sua vida. Aos 7 anos, já cantava no coral da igreja. Depois, iniciou a carreira pelos acordes do rock. Se destacou pelos bares da cidade, cantando Música Popular Brasileira (MPB). Hoje, os ritmos favoritos do compositor são o samba e o samba rock. Em suas letras, sempre traz uma mensagem de reflexão contra o preconceito e de incentivo às políticas públicas sociais. Que o diga A revolução é negra, canção de autoria dele. Com ela, Café ganhou o 17º FINCA – Festival Universitário de Música Candanga da Universidade de Brasília (UnB).

Portavoz do cotidiano e do empoderamento negro, Café afirma nunca ter sofrido preconceito em suas apresentações em razão das músicas que toca. Em contrapartida, a cor escura de sua pele ainda incomoda muita gente, que não faz a menor questão de esconder o racismo, em pleno século XXI. "Quase que diariamente a gente vê isso acontecer. As pessoas te olham de forma estranha, não te
atenderem bem em uma loja. Todo negro sofre preconceito nesse país", sustenta.
 
Emerson Rodrigues, 39, amigo do cantor reconhece: antes de conhecê-lo, era uma pessoa preconceituosa. Porém, a convivência e as músicas do amigo, a quem hoje chama de "irmão", ajudaram a transformá-lo em um ser humano melhor. "Já cheguei a dizer
que cavaco e pandeiro era para preto tocar algemado", assume. Além de ter mudado sua concepção, a amizade influenciou Rodrigues a se envolver com o samba. Hoje ele é produtor cultural,
organiza encontros como o Samba da Guariba e promove o Feijão com Samba – evento beneficente que leva melhoria e qualidade de vida à sociedade local.
 
 
 
Mas nem só de protesto vive Café, que também samba pelas
letras de amor e romantismo. Aluno de língua francesa da Universidade de Brasília (UnB), ele brinca com o idioma em suas composições, como na música Depois do samba, onde o verso diz: vou te levar para meu bangalô, ma cherie/ Pra gente
fazer l'amour/Ma poupé, je t'aime beacoup". Tradução: Vou te levar para o meu bangalô, minha querida/ pra gente fazer amor/ Minha boneca, eu te amo muito.
 
O artista anunciou, em primeira mão, que vai se apresentar no réveillon de Brasília. Além disso, Café participa do projeto Casa de sinhá – gravação de uma musica autoral junto à
escola de samba Portela. A agenda de shows de Marcelo Café pode ser acompanhada no instagram do cantor, @marcelocafeoficial.
 
* Estagiária sob supervisão de Anderson Costolli

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