Publicidade

Correio Braziliense

Radioterapia de rede privada agora atende pacientes SUS que têm câncer

Parceria da Secretaria de Saúde e do Ministério da Saúde com o Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, ajuda a reduzir as filas dos pacientes de oncologia da rede pública


postado em 30/12/2017 06:00 / atualizado em 30/12/2017 08:44

Médico Rafael Gadia e o paciente Manoel Moreira de Souza: sucesso no tratamento contra câncer de próstata(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
Médico Rafael Gadia e o paciente Manoel Moreira de Souza: sucesso no tratamento contra câncer de próstata (foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)

 

O novo ano do funcionário público Manoel Moreira de Sousa, 66 anos, começa com esperanças renovadas. Ele fez ontem a última sessão de radioterapia na luta que trava há um ano contra um câncer de próstata em um dos aparelhos mais modernos do mundo. Manoel não teve de pagar a mais por esse tratamento de alto nível tecnológico: o servidor do Ministério da Fazenda é um dos 300 pacientes da fila do Sistema Único de Saúde (SUS) deslocados, neste último trimestre, para o setor de oncologia da unidade do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
 

Com a transferência dos usuários da rede pública para o hospital particular, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal pretende zerar a fila da radioterapia até o fim de 2018. O tempo varia de acordo com o diagnóstico. Manoel não precisou de nem um mês. Isso ocorre por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (Proadi), iniciativa do Ministério da Saúde que incentiva acordos entre os hospitais filantrópicos — caso do Sírio-Libanês — e as pastas estaduais ou distrital.

Ao receberem o diagnóstico de câncer nas unidades da rede pública, o paciente entra na fila para as diferentes fases do tratamento. Caso precise passar pela radioterapia — procedimento com ondas eletromagnéticas considerado um dos menos invasivos —, ganha-se o direito ao atendimento em hospitais filantrópicos. O aparelho do Sírio-Libanês se soma aos existentes no Hospital de Base do Distrito Federal e no Hospital Universitário de Brasília (HUB). A Secretaria de Saúde afirma que outros aceleradores lineares, o tipo mais moderno desses equipamentos, serão instalados em ambas as unidades e no Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

“É uma realização pessoal muito grande poder tratar pessoas que não teriam condições de acesso ao equipamento de última geração”, explica Rafael Gadia, oncologista responsável pela radioterapia no Hospital Sírio-Libanês em Brasília. O aparelho custou cerca de R$ 18 milhões. Segundo o médico, o equipamento, com menos de dois anos de idade, dá maior agilidade ao tratamento e ajuda a reduzir a fila de espera do SUS. “Em máquinas mais antigas, um paciente com câncer de próstata pode depender de até 44 sessões. No nosso, importado dos Estados Unidos, podemos fazer em 20 dias”, detalha.

Segundo a Secretaria de Saúde, há cerca de 350 pacientes na fila da radioterapia. Como o Distrito Federal recebe pacientes de outras unidades da Federação, o centro de oncologia atende gente da região Nordeste, da parte norte de Minas Gerais e do Entorno. “Eles chegam aqui muito angustiados. Quando a espera termina, todos sentem um alívio enorme”, destaca Rafael.

Modernidade
 
Ao entrar na sala de radioterapia, a pessoa encontra uma máquina com design moderno. “Parece até uma nave espacial. Só não desejo que ninguém precise passar por ela”, diz o funcionário público Manoel Moreira. A aplicação dura poucos segundos, mas deve ser feita várias vezes em dias seguidos, a depender do tipo de tratamento. “Antes de passar pelo acelerador (nome do aparelho radioterapêutico), fazemos uma tomografia para traçar o plano de ação. Depois, ainda conversamos sobre os possíveis efeitos colaterais”, descreve Rafael Gadia.

Os efeitos colaterais são menos agressivos do que os da quimioterapia. “Na rádio, aplica-se no local onde está o tumor. Então, o restante do corpo pouco sofre”, revela. Queda de cabelo, por exemplo, dificilmente acontece apenas com a radioterapia.

Perto da cura do câncer de próstata, Manoel pouco liga para os possíveis efeitos colaterais. Agora é hora de comemorar o ano-novo e descansar: ele entra de férias em 6 de janeiro. Troca a modernidade do aparelho do Sírio-Libanês pela natureza da chácara em Cristalina (GO). “Vou comer muita manga direto do pé”, anima-se.


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade