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Correio Braziliense

Entenda como o vírus da raiva animal pode contaminar os humanos

Secretaria confirma caso, no Lago Oeste. Bovino pode contaminar humano. Quatro pessoas morreram em todo país em 2017, mas último óbito no DF ocorreu em 1978


postado em 05/01/2018 06:36 / atualizado em 05/01/2018 06:45

Espécie de morcego que transmite a raiva: só secretaria pode capturar(foto: Monique Renne/CB/D.A Press - 1/9/05)
Espécie de morcego que transmite a raiva: só secretaria pode capturar (foto: Monique Renne/CB/D.A Press - 1/9/05)
Um bezerro de 4 meses morreu infectado com raiva bovina. Esse foi o segundo caso registrado no Distrito Federal em 2017. No ano anterior, um animal recebeu o diagnóstico da doença e, em 2015, houve dois registros. Dessa vez, o caso foi no  Lago Oeste, área rural de Sobradinho. A contaminação ocorreu provavelmente por meio de da mordida de morcego hematófago, conhecido como morcego-vampiro, que se alimenta do sangue de outros bichos. Veterinários da Secretaria de Saúde confirmaram a doença em 28 de dezembro de 2017 e 2018 começou com ações de combate à patologia em toda zona rural. Letal, mas prevenida com vacina, a doença pode ser transmitida aos seres humanos.

(foto: Valdo Virgo/CB/DA Press)
(foto: Valdo Virgo/CB/DA Press)
Nos animais a evolução clínica da raiva varia de quatro a sete dias, segundo veterinários. De acordo com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri), todos os outros animais que tiveram contato com o bezerro receberam soro antirrábico e vacina antirrábica. Agentes da Defesa Agropecuária também levaram informações sobre o protocolo de vacinação aos produtores rurais da região.

Responsável pelo Programa de Controle de Raiva de Herbívoros da Seagri, a veterinária Érica Pinto explicou que, na área rural, o principal veiculador da raiva é o morcego-vampiro. “Durante a mordida, se o morcego for contaminado, há a possibilidade de ele transmitir a raiva para o animal. Provavelmente essa foi a origem do bezerro infectado”, explicou.

Caçar e matar o animal silvestre, porém, é crime ambiental. Só a Seagri pode fazer ações de controle. As equipes capturam o morcego a seleção, dependendo da quantidade de exemplares. “Alguns são enviados aos laboratórios para fazer exames de raiva, mas é importante destacar que ele é um animal silvestre, presente na natureza, e a maioria não está contaminado. Eventualmente, um ou outro tem o vírus, mas as pessoas não têm autorização para fazer o controle de morcegos”, reforçou Érica Pinto.

Se o produtor rural constatar um dos sintomas da doença ou verificar a mordida de morcego no boi, vaca ou bezerro precisa notificar a Seagri. O contato é obrigatório. O órgão garantiu que realiza o monitoramento dos rebanhos de forma continuada e promove campanhas de vacinação contra raiva em bovinos e equídeos anualmente. 

(foto: Valdo Virgo/CB/DA Press)
(foto: Valdo Virgo/CB/DA Press)

Risco à saúde de humanos

O ser humano pode contrair a doença, em caso de contato com o bovino contaminado. O médico infectologista Hemerson Luz lembra que, ano passado, quatro pessoas morreram de raiva em todo país. No Distrito Federal, segundo a Secretaria de Saúde, o último óbito humano por raiva humana ocorreu em 1978. “Os mamíferos são os mais afetados pelo vírus da raiva e podem transmitir ao homem por mordida, arranhadura ou lambendo uma lesão na pele humana. O bovino serve como uma sentinela que, naquela região, tem o vírus da raiva circulando”, ressaltou Hemerson Luz.

No entanto, Érica Pinto esclareceu que a patologia não é transmitida por qualquer contágio. “A pessoa teria que fazer uma manipulação muito específica e mexer com o sistema nervoso do animal. Mas, se o homem for mordido, a possibilidade também existe. Todos os mamíferos podem se contaminar com o vírus da raiva.”

Uma vez o animal contaminado, não há tratamento. A orientação é que um animal morto por raiva bovina seja descartado em uma vala profunda, na propriedade, sem que outros bichos tenham acesso. “É importante que seja em um local ambientalmente seguro, sem nenhuma fonte de contágio, nem que seja próximo a nascentes”, observou Érica Pinto. 

(foto: Valdo Virgo/CB/DA Press)
(foto: Valdo Virgo/CB/DA Press)


Ajuda

Os produtores que identificarem mordida de morcego em bovino ou que constatarem um dos sintomas da doença nos mamíferos podem ligar para 3340-3862 e 3487-1438, no escritório da Secretaria de Agricultura em Sobradinho

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