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Correio Braziliense

Suposta vítima de febre amarela era vacinada e não havia saído do DF

Familiares contam que vigilante fazia apenas o trajeto entre a casa dele, em Planaltina, e o trabalho, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte


postado em 07/01/2018 08:00

Eronde Osmar da Silva tinha 58 anos e vivia com a família no Jardim Roriz(foto: Arquivo Pessoal)
Eronde Osmar da Silva tinha 58 anos e vivia com a família no Jardim Roriz (foto: Arquivo Pessoal)
Quando deu entrada no Hospital Regional de Planaltina, em 29 de dezembro, o vigilante Eronde Osmar da Silva, 58 anos, relatou febre e dores no corpo. Por causa dos sintomas, a equipe médica fez o exame da dengue, que deu negativo. Ele, então, voltou para casa, mas, na última terça-feira, com o quadro de saúde agravado, o homem começou a apresentar respiração fraca. Por causa disso, além da febre amarela, desconfiou-se de gripe H1N1, hantavirose e chicungunha. Na quarta-feira, Eronde precisou ser transferido para a unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Regional da Ceilândia. Em menos de três horas, morreu. “Estamos esperando para saber qual fator levou ao falecimento”, diz Juliana Kayta, 28, a filha da vítima.

 

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O cartão da vacinação comprova que o morador de Planaltina recebeu duas doses contra a doença. A primeira aplicação foi em janeiro de 2000. A segunda, em abril de 2011. Até o ano passado, o Ministério da Saúde recomendava o reforço contra o vírus a cada 10 anos, mas, depois, passou a aceitar a determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê uma imunização ao longo da vida. O Ministério da Saúde aponta que a eficácia é de 95% a 98%. “Ele não viajou recentemente. Fazia só o percurso de casa até o trabalho, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN)”, conta Juliana.

Eronde morava no bairro Jardim Roriz e trabalhava como vigilante em um prédio da Quadra 3 do SAAN. Segundo Juliana, o pai não visitou nenhuma outra região administrativa. A Secretaria de Saúde informa que técnicos investigam o caso. “Assim que todos os dados forem coletados, serão analisados. Depois, tomaremos as medidas necessárias”, detalha.

Professor do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Luiz Tauil acredita que é preciso esperar o diagnóstico completo antes de qualquer análise. “Os sintomas são parecidos com as outras doenças de que os médicos tiveram desconfiança. Por isso, antes de tudo, é importante aguardar pelos laudos. Com relação à vacina, a eficiência dela é de até 95%. Não se pode dizer que esse caso é de febre amarela sem a afirmação pericial. Se for, pode ser uma falha vacinal, que, posteriormente, terá de ser investigada”, alega.

O caso assusta pela proximidade com a última morte registrada por febre amarela no DF em 2017 — no ano passado, foram três vítimas. Um morador do Sudoeste, que havia transitado por condomínios do Jardim Botânico, morreu da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Assim como Eronde, ele estava vacinado contra a doença desde 1998. “Tinha um período maior da dose. Apesar da recomendação da OMS, acredito que seja importante tomar outra dose da vacina, dependendo do local em que a pessoa for se deslocar”, conclui Pedro Luiz.

Trajetos

A Secretaria de Saúde ressalta que não há motivo para pânico. Na próxima semana, amostras de sangue da vítima serão enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. O Laboratório Central do DF (Lacem) também analisa o material. A pasta acrescenta que a cobertura vacinal contra a doença no DF, em 2017, foi de 96% e que os estoques da dose contra a febre amarela estão regulares em todos os postos de saúde da capital federal.

O consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia Muniz Ayub explica que nenhuma vacinação tem eficácia de 100%, mas salienta que a dose contra a febre amarela é uma das mais confiáveis. “Ela é uma das que têm melhores taxas de proteção. A da gripe, por exemplo, tem aprovação de até 70%. É claro que podem existir falhas, mas são muito raras. Com relação a esse caso de Brasília, é melhor esperar pelos resultados dos exames”, ressalta.

Imunização

Devem ser imunizados bebês a partir de 9 meses e adultos até 59 anos. Gestantes, mulheres que amamentam crianças de até 6 meses, pessoas com imunossupressão e aquelas com mais de 60 anos só podem ser vacinadas mediante avaliação médica criteriosa. As doses estão disponíveis na rede pública de saúde do DF em qualquer época do ano.

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