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Correio Braziliense

'Viúva' do elefante Babu sofre com a perda do companheiro, morto domingo

Babu, que morreu aos 25 anos, era companhia inseparável de Belinha. Os dois chegaram juntos ao Zoológico de Brasília há mais de duas décadas. A fêmea sentiu a perda, assim como toda a equipe de veterinários e cuidadores


postado em 09/01/2018 06:00 / atualizado em 09/01/2018 12:34

Ver galeria . 6 Fotos O elefante Babu deixou de luto veterinários, cuidadores e a companheira, Belinha. As causas da morte do animal ainda são investigadas pelo Zoológico de BrasíliaMinervino Junior/CB/D.A Press
O elefante Babu deixou de luto veterinários, cuidadores e a companheira, Belinha. As causas da morte do animal ainda são investigadas pelo Zoológico de Brasília (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )


O Jardim Zoológico de Brasília está de luto pela perda de um dos animais mais queridos e conhecidos. O elefante Babu, de 25 anos, chegou ao Distrito Federal em 1995. O mamífero viria sozinho do Parque Nacional Kruger, na África do Sul, mas acabou trazendo junto uma companheira inseparável, a elefanta Belinha, da mesma idade. Há 22 anos no Zoo, a dupla morava junta e aproveitava o enorme quintal onde Babu fazia estripulias que viraram a sua marca, como jogar pedras e terra para cima. A parceria do casal terminou na noite deste domingo (7/1), quando Babu teve uma parada cardiorrespiratória e morreu.

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Na manhã de ontem, Belinha chegou a ver o corpo do companheiro, para entender que ele havia morrido, e não simplesmente ido embora. Ao sair da casa, a elefanta fez algo que nunca havia realizado antes. Pegou uma pedra grande com a tromba e a arremessou no chão. A atitude, vista como uma homenagem ao parceiro, emocionou a equipe de veterinários e cuidadores do Zoológico, que afirmam que a fêmea está enfrentando o luto. Durante todo o dia, ela cheirou os pontos do recinto onde o macho ficava, como se ainda quisesse matar a saudade. “Ela tem memória de elefante, não vai esquecer dele nunca”, afirmou Alexandro Gomes, cuidador da dupla.

As causas da morte de Babu ainda estão sendo investigadas. No sábado, o elefante estava bem, brincava e se mostrava para os visitantes, como de costume. Mas, na manhã de domingo, acordou indisposto, o que alertou toda a equipe. “Quando começamos a identificar os sintomas, fizemos os primeiros testes rápidos, de sangue e líquidos, e aplicamos soro e medicação contra a dor e para a proteção do fígado, para evitar que o quadro piorasse. Mas, durante a noite, ele acabou morrendo. Foi uma perda muito repentina, toda a equipe ficou bastante abalada”, conta a superintendente de Conservação e Pesquisa do Zoo, Ana Raquel Gomes Faria.

Ver galeria . 4 Fotos Desde que chegou, em 1995, Babu nunca havia ficado doenteLuiz Filipe Carneiro Machado/Divulgação
Desde que chegou, em 1995, Babu nunca havia ficado doente (foto: Luiz Filipe Carneiro Machado/Divulgação )

Perda precoce

 
Por dia, Babu comia mais de 100 quilos de alimentos. Os pratos preferidos eram verduras e legumes. O animal havia entrado há pouco tempo na vida adulta e, por isso, ainda não havia tido filhotes com Belinha. Geralmente, elefantes criados em cativeiro vivem 60 anos, o que fez a morte de Babu ser tão surpreendente e dolorosa. Ele não apresentava doenças graves e sempre foi visto como um animal saudável. Um grupo de seis veterinários, dois zootecnistas e sete tratadores acompanham a necrópsia e investigam o que pode ter levado o elefante a óbito.

Ele tinha mais de três metros de altura e cerca de seis toneladas. As presas de marfim de Babu ainda eram curtas, devido à idade. Fragmentos da pele e amostras do sêmen dele foram coletados para inclusão no banco de germoplasma do zoológico e, futuramente, Belinha pode ser mãe por inseminação artificial. Órgãos e ossos do animal foram também retirados e serão preservados para pesquisa e, segundo a superintendente Ana Raquel, há interesse em construir um esqueleto com os ossos de Babu.

Solidão

 
Toda a equipe do Zoológico de Brasília está de olho em Belinha. Após uma vida em dupla, vários cuidados estão sendo tomados para que ela não sofra com a solidão após a perda do companheiro. Um acompanhamento clínico identificará possíveis sintomas semelhantes aos observados em Babu. Ontem, tratadores passaram a noite com ela, para garantir que Belinha não passe mal durante a madrugada e para não deixá-la sozinha nos primeiros momentos sem o parceiro.
 
 
O casal de elefantes gostava de brincar na lama (foto: Vinícius Pereira)
O casal de elefantes gostava de brincar na lama (foto: Vinícius Pereira)
 

“A Belinha sempre foi mais meiga e dócil, podemos dar comida com a mão que ela pega com a tromba e coloca na boca”, conta Magno dos Santos, que cuida da dupla há 12 anos. Já Babu é lembrado como um animal mais agitado e rebelde. “A Belinha tinha um sentimento de respeito por ele. Eles saíam da casinha às 7h e às 17h. Quando os chamávamos para entrar, a Belinha esperava o Babu entrar primeiro, para só depois ir para o quarto dela”, relembra Alexandro Gomes, cuidador há 15 anos. Mesmo dormindo em quartos separados, apenas uma grade distanciavaos dois. “Eles dormiam perto, ficavam encostando as trombas, como se estivessem namorando”, diz.

Babu e Belinha são elefantes africanos. A saída da África do Sul para o Brasil se deu devido ao programa de controle populacional do Parque Nacional Kruger, que visa impedir um desequilíbrio ambiental devido a uma quantidade maior de uma determinada espécie. Quando não são encontrados locais adequados para recebê-los, os destinos dos elefantes podem acabar sendo cruéis, muitos são abatidos ou vendidos para caça.

Além da dupla, um terceiro elefante mora no Zoológico de Brasília. Chamado de Chocolate, o animal chegou em 2008, após ser retirado de um circo, onde estaria sofrendo maus-tratos. Desde então, não foi colocado no mesmo recinto de Belinha e Babu, pois elefantes machos costumam brigar quando convivem juntos. “Há possibilidade de que Chocolate seja transferido futuramente para o mesmo local que Belinha”, adianta a superintendente Ana Raquel.

Curiosidades

Confiras cinco características dos elefantes

» Os elefantes podem sugar até 14 litros de água pela tromba e, depois, podem jogá-la dentro da boca ou usá-la para tomar banho;
» Ao encontrar um elefante conhecido, eles podem enrolar as trombas um no outro, como se estivessem dando um aperto de mãos;
» Um elefante pode levantar até 10 toneladas de peso; » Como um ótimo nadador, o elefante pode usar a tromba como tubo de respiração;
» A lama serve como um protetor natural para os elefantes, o que explica o motivo de os animais sempre parecerem sujos.

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