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Correio Braziliense

Na era dos games, maioria das crianças prefere brincadeiras tradicionais

Embora as diversões tecnológicas seduzam as crianças, a maioria ainda prefere as brincadeiras atemporais


postado em 10/01/2018 06:00 / atualizado em 10/01/2018 10:17

A pequena Júlia (D) com os pais e a irmã: estímulo para aproveitar a infância com brincadeiras ao ar livre(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
A pequena Júlia (D) com os pais e a irmã: estímulo para aproveitar a infância com brincadeiras ao ar livre (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)


Faça sol ou chuva, para a criançada não existe tempo ruim. As brincadeiras ao ar livre abrem horizontes para os pequenos que, muitas vezes, se esquecem do celular, do tablet e da televisão para aventuras e jogos nas ruas ou nas areias dos parques de Brasília, principalmente neste período de férias.

Júlia Borges Ferreira, 4 anos, é estimulada pelos pais a aproveitar a infância com brincadeiras ao ar livre, seu passatempo favorito. “Gosto muito de ir aos parquinhos e de brincar na areia com meus pais”, diz, animada, a filha mais velha de Anna Paula Borges Resente, 26, e de Rafael Franco Ferreira, 28.

Acompanhada da irmã de apenas nove meses, Lara curtia o “mundo” do Parque Ana Lídia, no centro do Plano Piloto. As duas meninas se divertiam com a areia, fazendo pequenos montes com a ajuda de brinquedos de plástico.

“Júlia brinca no celular, mas com limite, pois acredito que passar muito tempo no aparelho prejudica o crescimento e a visão das crianças. Na nossa época, brincávamos ao ar livre e, hoje em dia, as crianças não fazem tanto isso”, afirma a mãe, Anna Paula, que mora em Samambaia Norte. “A gente tenta conciliar a tecnologia e as brincadeiras mais tradicionais”, complementa o pai, Rafael Franco, bombeiro civil.

Mas é na escola que as crianças mais interagem com brincadeiras lúdicas. Como confirma o estudo da professora Ingrid Wiggers, coordenadora do Grupo de Pesquisa Imagem, vinculada à Faculdade de Educação Física (FEF) da UnB. “As brincadeiras tradicionais são uma forma de socialização e conhecimento da cultura na qual essas crianças estão inseridas. É um espaço onde elas aprendem a conviver com a diferença, a negociar regras em grupo e, enfim, experimentar a tolerância”, afirmou Wiggers.

Melanie (de azul) e as amigas brincando de escalada: celular é uma diversão secundária(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Melanie (de azul) e as amigas brincando de escalada: celular é uma diversão secundária (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O laboratório da pesquisadora foi a sala de aula. Lá, pediu para 145 crianças desenharem sua diversão favorita. A maioria (40%) usou a folha em branco para desenhar brincadeiras, como pular corda. Em segundo veio o esporte, como natação e futebol (30,4%), as opções midiáticas ficaram em terceiro (11,4%). Outras atividades ficaram com 18,2%. A pesquisa foi realizada em seis  escolas públicas, distribuídas pela Asa Sul, Asa Norte, Ceilândia, Riacho Fundo II, Arniqueira e São Sebastião.

Melanie Sofia Gonçalves, 10 anos, moradora de Vicente Pires, se interessa por jogos de celulares e de tablets, embora a paixão seja mesmo estar acompanhada das colegas. “Prefiro brincar com minhas amigas, porque é mais legal do que ficar só olhando uma tela da tevê ou do celular”, emenda com convicção, enquanto passeava com as amiguinhas no Parque Ana Lídia em companhia da mãe, Viviane Gonçalves, e do pai Everealdo Gomes da Silva. As brincadeiras favoritas são cobra-cega, pique-pega e escalada.

Em um momento de diversão em família, Arthur Gonçalves Duarte, 8, morador de Taguatinga Sul, se equilibrava em cima de um skate longboard, a fim de aprender manobras radicais. “Gosto de brincar ao ar livre”, diz, ao lado da mãe, Thálita de Mendonça Gonçalves Duarte. As atividades favoritas do pequeno Arthur são andar de skate, bicicleta e jogar bete latinha”, disse.

A preferência pelas brincadeiras tradicionais varia conforme a faixa etária da criançada, diz a professora Ingrid Wiggers. “Quanto mais velha a criança, maior será o interesse pelos jogos midiáticos. Todavia, é importante delimitá-las e permeiá-las com brincadeiras tradicionais, misturando elementos dos dois, reproduzindo, desse modo, uma cultura infantil própria”, observa.


Cobra-cega 


Também é chamada de cabra-cega, pata-cega ou galinha-cega. É preciso de, no mínimo, três pessoas. Basta uma venda para colocar nos olhos de um dos participantes, que será a cobra-cega e começar a diversão. A atividade consiste em a cobra-cega pegar um participante, que, após ser tocado, assume o posto de quem a pegou, e assim sucessivamente.


Bete latinha


Pode-se chamar bete, simplesmente. É necessário quatro crianças, dois tacos (que podem ser feitos com cabos de vassoura), uma bola de tênis ou de borracha, duas latas ou garrafas para a base e um giz, carvão ou pedaço de tijolo para marcar o chão. As crianças se dividem em dois times e desenham círculos para cada um, com uma distância mínima de 10 metros. O objetivo dos lançadores de bola é derrubar a latinha do adversário, enquanto o denfensor usa o bastão para rebater a bola e evitar os pontos do time contrário. O jogo acaba com 24 pontos.



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