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Correio Braziliense

Adasa terá política de incentivo ao reaproveitamento de água da chuva

Lei sancionada nesta quinta (11/1) autoriza, além de campanhas educacionais, incentivos fiscais. Adasa prepara resolução para os próximos meses


postado em 11/01/2018 20:44

(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

 
As chuvas chegaram, mas a quantidade de água ainda não é suficiente para suprir a necessidade da população do Distrito Federal e o racionamento continuará a fazer parte da rotina da população. Nesta quinta-feira (11), o governador Rodrigo Rollemberg sancionou a Lei n° 6.065, que institui a política de incentivo ao reaproveitamento de água da chuva. A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) afirma que uma resolução sobre o tema está sendo preparada para os próximos meses. 
 
 
De acordo com a lei, publicada no Diário Oficial do DF, o poder público estará autorizado a dar incentivos fiscais e a promover campanhas educativas. Além disso, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal disponibilizará, em sua página oficial, as normas técnicas e orientações gerais para construção ou reforma de instalações. O texto ainda precisa ser regulamentado.
 
O ecossociólogo Eugênio Giovenardi alerta para a necessidade de as leis que tratam dos temas ligados à água serem regulamentadas e saírem de fato do papel. O especialista ainda destaca a importância da conscientização e, principalmente, de ensinar a população as técnicas de captação. “São poucas pessoas quem têm conhecimento sobre isso. Precisamos muito mais que leis, é preciso ensinar a população onde, quando e como captar essa água”, afirma. 
 
Giovenardi ainda adverte que Brasília perde muita água por não armazenar o que vem da chuva. “As fontes de água já deram o que tinham que dar, elas não conseguem mais atender toda a população. A única fonte que nos resta e que podemos contar é com a água da chuva”, frisa. 
 
Para Sérgio Koide, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), a captação da água da chuva é uma iniciativa importante, mas está longe de ser uma solução, principalmente levando em consideração o clima de Brasília. “Passamos por períodos muito grandes sem chuvas e não dá para guardar água para usar na seca, porém o armazenamento do que vem da chuva reduz muito o uso da água. Já é um paliativo, mas não é uma solução”, comenta.

Koide indica que ainda faltam incentivos para motivar a população. “Nos prédios já construídos, isso sai muito caro e, no caso dos prédios em construção, se o incentivo não for grande, eles não fazem”, avalia. Koide ainda alerta que é preciso ter cuidado com os incentivos fiscais. “Meu grande receio é que os empreendedores façam o sistema só para conseguir as vantagens e, na prática, não reutilizem a água.”. Na opinião dele, o melhor incentivo seriam as tarifas diferenciadas. “Por que as pessoas economizam água? Porque água é caro. Quer maior incentivo do que pagar menos?”, indaga. 

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