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Correio Braziliense

Prata da Casa: Véi Oeste mistura rap dos anos 1990 com letras atuais

Banda ceilandense de rap, a Véi Oeste mostra o mais recente disco, com composições autorais. O projeto independente tem participações de rappers de São Paulo e do Ceará


postado em 12/01/2018 15:52 / atualizado em 12/01/2018 16:20

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Prata da Casa apresenta o grupo de rap Véi Oeste, que mistura rap dos anos 1990 com letras atuais (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press )
Em 2003, os amigos Sidney Bairrista, Rafinha Bravoz, Helder Byzu, Willian Dabliw e DJ Léo Zulu participavam de um projeto que reunia vários grupos de rap do setor P Norte, em Ceilândia, para debater ideias e ensaiarem. O Batalhão Anti Sistema Contra Ataca (Basca), nome dado ao grupo, acabou não dando certo: “muitas pessoas, vários pensamentos”, como explicou Bairrista. Dois anos depois, os cinco amigos acabaram formando outra banda, a Gueto Unido. Eles chegaram a gravar um CD, mas após discussões entre os integrantes, o grupo também se desfez. Em 2011, a vontade de cantarem juntos fez com que eles insistissem mais uma vez em formar uma banda, a Véi Oeste.



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O nome do grupo vem da gíria brasiliense “véi”. “A gente fala 'véi' como se fosse vírgula. Até o meu pai fala “véi”, então achávamos que deveríamos ter uma referência disso”, contou Sidney Bairrista. Já a palavra Oeste vem do fato de o Distrito Federal estar situado na região Centro-Oeste. Com apenas um EP lançado, os rappers relatam que o processo de gravação levou muito tempo para ser concluído. A primeira música, que leva o nome do grupo, está pronta desde 2011. 

Totalmente independente, o CD foi gravado em um estúdio de amigos, com as participações dos rappers Sombra, de São Paulo, e RAPadura Xique Chico, do Ceará. Os integrantes contam que a escolha deles veio por meio da vivência que sempre tiveram com os MC’s. “Os caras são nossos amigos desde 1999. Sempre nos encontramos em shows de rap e a gente entendeu que é bem familiar o que eles pensam e o que a gente pensa também. Foi de forma natural”, explicou Sidney. 

As composições são feitas por todos do grupo. “Pelo fato de a gente estar há muito tempo juntos, tem uma certa sintonia. A letra flui como se tivéssemos uma só uma cabeça. Cada um escreve sua parte, mas é tudo bem construído. Tem começo, meio e fim”, explicou Rafinha Bravoz. As músicas em geral falam sobre o amor pela 'quebrada', pelo rap e pelas pessoas que mantêm a cultura tão forte até os dias de hoje. A proposta do EP é transmitir as ideias das vivências de cada um dentro da periferia. 

Homenagem ao rap dos anos 1990

A primeira música de trabalho, intitulada 'Referências', fala sobre a história que pessoas importantes para o rap do DF construíram ao logo de suas jornadas, como os rappers GOG, Álibi, Cirurgia Moral, Cambio Negro, Liberdade Condicional, entre outros. A ideia partiu do diretor de arte Humberto Cunha que sugeriu a homenagem a esses artistas da história do rap. Foram utilizados trechos instrumentais de algumas músicas desses grupos, famosos nos anos 1990. “Quando entrei em contato, para mim foi até uma surpresa porque todos eles ficaram lisonjeados com a homenagem. A gente até esperava que fossem ter algumas recusas e não teve. Ficamos muito felizes” comemorou Sidney Bairrista. 

Letras soltas e simples

Para 2018, o grupo Véi Oeste promete algumas mudanças em suas letras e beats. Por conta da atualização constante na cena do rap, os artistas se sentiram forçados a seguir a atualidade. “Decidimos falar realmente sobre tudo e não mais somente sobre nossa vivência”, contou Rafinha Bravoz. Segundo o grupo, as letras eram mais limitadas a sentimentos próprios dentro de suas cidades periféricas e sobre as famílias. “Queremos falar das coisas de forma mais solta e simples. Tanto de crime, como de mulheres: falar de uma forma mais clara. 2018 vai ser uma coisa diferente para a gente, comparando com tudo que fizemos até agora”, explica Bravoz. O grupo espera não perder totalmente a essência. “Vamos continuar falando da nossa vivência, só que sem muita regra”, finalizou Bairrista. 

Para o grupo de MC’s, essa mudança na cultura do rap é positiva. Por mais que existam críticas a respeito, Bairrista acredita que críticas existem em qualquer estilo musical e é natural a mudança. O rap tem tido muito mais visibilidade em comparação a anos anteriores. Helder Byzu conta que começaram a entender a necessidade de ganhar dinheiro, pois não dava para viver apenas de amor à música. “Os Racionais (a banda de rap), mesmo quando começaram a ganhar dinheiro, todos chamavam eles de vendidos, mas hoje os admiradores do rap estão com a mente mais aberta” completa Byzu. 

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