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Correio Braziliense

Racionamento de água no Distrito Federal completa um ano

Em série de reportagens, Correio mostrou como os moradores da capital se adaptaram à rotina de cortes de água. Caesb deve reavaliar rodízio no fim das chuvas


postado em 16/01/2018 16:08 / atualizado em 16/01/2018 18:36

Moradores abastecidos pelo Rio Descoberto foram os primeiros a entrar no esquema de rodízio de água (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Moradores abastecidos pelo Rio Descoberto foram os primeiros a entrar no esquema de rodízio de água (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)


Há um ano, os moradores do Distrito Federal convivem com o racionamento de água uma vez por semana. Em 16 de janeiro de 2017, moradores de Ceilândia, do Riacho Fundo 2 e do Recanto das Emas inauguraram o cotidiano de cortes. Desde então, já foram economizados 12% no volume de água consumido anualmente no DF, segundo dados da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb). 
 
O governo não tem prazo para acabar com o racionamento, incorporado à rotina dos moradores. A Caesb fala em reavaliar o rodízio após o término do período chuvoso. O motivo é manter o volume dos reservatórios em níveis aceitáveis. Desde o início da crise hídrica, a Caesb gastou R$ 133,6 milhões melhorando o sistema de abastecimento do DF.  O Correio publicou uma série de reportagens mostrando como o brasiliense se adaptou a viver um dia sem água e dois com serviço instável

Os primeiros atingidos pelo corte no abastecimento foram os habitantes das cidades abastecidas pelo Rio Descoberto - cerca de 1,8 milhão de habitantes. Sem experiência com a ausência de abastecimento, muita gente usou o que tinha em casa para armazenar água. Quem podia recorreu ao supermercado e comprou água mineral. O receio de ficar sem fazer atividades básicas de casa, como lavar louça ou tomar banho, espalhou a insegurança.

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A opção de limitar o racionamento a quem mora nas regiões atendidas pelo Descoberto causou revolta. Alguns reclamaram que o rodízio atingia apenas a parcela mais pobre da população. Locais onde o consumo era mais alto, como Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, ficaram de fora por serem abastecidos pelo Sistema o Santa Maria/Torto. A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) justificou a escolha como técnica, e não social. Usou como exemplo o fato de cidades como o Varjão e o Itapoã estarem de fora da lista.

Diante da polêmica, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sugeriu a inclusão de todo o DF no plano de racionamento. Quarenta dias depois, a Caesb anunciou o rodízio nas cidades abastecidas pelo Santa Maria/Torto e quase 3 milhões de pessoas incorporaram a rotina de cortes. Desta vez, a Esplanada dos Ministérios ficou de fora. O motivo: não parar a máquina pública. Hospitais, delegacias e escolas também foram poupados. Para esses, a Caesb forneceria caminhões-pipa.

Desde então, a população passou a acompanhar diariamente o nível dos principais reservatórios. O Descoberto chegou a ficar com apenas 5% de volume - mesmo com as chuvas, o índice ainda está a menos de 40%. O resultado foi uma corrida por outras fontes de abastecimento - como Lago Paranoá, Bananal e o sistema Corumbá IV.  Em um ano, o governo investiu em um ano sete vezes mais do que havia investido em 15 anos em relação ao abastecimento e tratamento de água do DF. 



 

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