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Correio Braziliense

86% da população do DF está vacinada contra febre amarela, diz Saúde

Secretaria de Saúde afirma que, apesar da situação preocupante em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, risco de infecção no DF é baixo


postado em 18/01/2018 16:59 / atualizado em 18/01/2018 17:25

Vacina contra a febre amarela é distribuída gratuitamente nos postos de saúde(foto: Arthur Menescal/CB/DAPress)
Vacina contra a febre amarela é distribuída gratuitamente nos postos de saúde (foto: Arthur Menescal/CB/DAPress)
 
O surto de febre amarela em estados do Sudeste tem provocado uma corrida aos postos de saúde da capital federal. Apesar do temor da doença, a Secretaria de Saúde alerta que no DF não há motivos para pânico. A Vigilância Epidemiológica destaca que 86% da população está vacinada. Somente no ano passado, segundo dados preliminares, mais de 207 mil pessoas tomaram o imunobiológico. 
 
Os postos de saúde do DF contam com estoque de 10 mil doses da vacina contra a febre amarela. O suficiente, segundo a Secretaria de Saúde, para três meses. A pasta investiga cinco casos suspeitos da doença, e duas mortes no DF. 
 
 
A diretora de Vigilância Epidemiológica, Maria Beatriz Ruy, explica que não é preciso uma corrida às salas de vacinação, como tem ocorrido em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. "A grande diferença do DF para esses locais é que aqui a vacinação contra a febre amarela é rotina por ser uma zona de risco. Lá, a imunização ocorre somente em situações de surto", detalha. 
 
Outro ponto frequente de dúvida é a dose fracionada. Um dose completa tem 0,5ml de vacina. Com o surto da doença, o Ministério da Saúde recomenda a aplicação da dose de 0,1ml. A eficácia é a mesma, mas válida apenas por 8 anos. Quem tomar esse tipo de dose deve receber um reforço. 
 
"No DF, não estamos fazendo a dose fracionada. Isso ocorre em áreas de surto para que mais pessoas sejam imunizadas mais rapidamente. Outra fator importante: quem já tomou a vacina anteriormente não recebeu a dose fracionada. Isso é algo recente", pondera Maria Beatriz. 
 
No DF, vacinação contra febre amarela é rotina(foto: Arthur Menescal/CB/DAPress)
No DF, vacinação contra febre amarela é rotina (foto: Arthur Menescal/CB/DAPress)

 
A estratégia de fracionamento da vacina é recomendada pela OMS quando há aumento de epizootias (macacos mortos) e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente. 
 
Na última década, 245 pessoas tiveram suspeita de febre amarela no DF — recuo de 8,5% em relação à década anterior, quando ocorreram 268 infecções. No mesmo recorte de tempo, a vacina ficou mais popular. Cerca de 2,4 milhões de habitantes receberam doses do imunobiológico entre 1997 e 2006. O número subiu para 2,8 milhões entre 2007 e 2016. Alta de 15%.  
 
Na última semana, o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, disse ao Correio que não há motivos para preocupação com a doneça no DF. "O brasiliense pode ficar tranquilo. Temos uma excelente cobertura vacinal e estamos monitorando os casos suspeitos. Por enquanto, não haverá nenhuma mudança na rotina da vacinação contra a doneça", destca.   

Histórico 

Em 2000 houve o surto da doença no DF. Foram 40 registros. Em 2008, a febre amarela infectou 13 pessoas. Após esse período, não houve mais infecção por febre amarela em residentes na capital federal. Em 2015, ocorreram três casos, sendo que dois morreram.
 
Em 2017, foram investigados 86 casos suspeitos de febre amarela em moradores do Distrito Federal. Destes, 83 foram descartados, três foram confirmados e evoluíram para óbito. "É desse histórico que temos uma grande cobertura vacinal. Já foram realizadas muitas campanhas de controle da febre amarela", reforça.

A doença 


As primeiras manifestações da febre amarela são febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos. A manifestação mais grave do mal compromete fígado e rins, provoca icterícia (olhos e peles amarelados), sangramentos e queda de pressão arterial. 
 
Não há medicamentos específicos. Analgésicos são usados para controlar a dor e soro, para manter a hidratação. As fêmeas dos mosquitos Haemagogus e Sabethes são as transmissoras na área rural. Na cidade, o Aedes aegypti (o mesmo da dengue, da zika e da chicungunha) é o vetor.

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