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Correio Braziliense

Diretores do Instituto Hospital de Base falam sobre os principais desafios

Com a missão de melhorar e ampliar o atendimento, mesmo com um orçamento igual ao de dois anos atrás, os quatro diretores do instituto gestor do maior hospital público da capital apostam na autonomia e na capacidade dos profissionais da unidade


postado em 21/01/2018 08:00 / atualizado em 21/01/2018 13:16

Diretoria do Instituto Hospital de Base tem trabalhado 16 horas por dia desde a implementação do novo modelo de gestão(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Diretoria do Instituto Hospital de Base tem trabalhado 16 horas por dia desde a implementação do novo modelo de gestão (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

 
Entre atendimentos médicos, reuniões e lançamento de editais de contratação e compras, os quatro diretores do Instituto Hospital de Base (IHBDF) — que completa 10 dias de funcionamento amanhã — trabalham mais de 16 horas por dia. A jornada é pautada por tomada de decisões, conversas com funcionários e pacientes para esclarecer as mudanças na unidade e pela implementação de uma série de novos protocolos de funcionamento.

Os esforços são para resgatar o protagonismo do maior hospital da capital federal e o primeiro a passar por uma reforma administrativa tão profunda. Desde a assinatura do contrato de gestão, em 12 de janeiro, Ismael Alexandrino, diretor-presidente; Dulcilene Cláudia Xavier, diretora vice-presidente; Rodrigo Caselli, diretor de assistência à saúde;  e Luciana Vieira Tavernard de Oliveira, diretora de ensino e pesquisa; estão focados para cumprir metas audaciosas.

Com o orçamento de R$ 602 milhões — o mesmo de 2016 — eles terão que manter a unidade abastecida com insumos e remédios, contratar profissionais e fazer investimentos. Isso para aumentar a média de serviços. O hospital terá que realizar mais 1,7 mil internações cirúrgicas; 1,5 mil cirurgias eletivas; 3,6 mil internações clínicas e aumentar em 1 milhão os atendimentos ambulatoriais. Todos concordam que o desafio é grande.
 
 

Na última sexta-feira, Ismael, Dulcilene, Rodrigo e Luciana receberam o Correio para uma entrevista exclusiva. Antes de lançarem o edital para a seleção de 708 servidores, que assumem os postos de trabalho em março, e de divulgarem nove processos para a contratação de fornecedores de medicamentos e insumos, eles fizeram um balanço da primeira semana de funcionamento do Instituto. Conheça a seguir esses gestores e confira os trechos da conversa.

Ismael Alexandrino, diretor-presidente do Instituto Hospital de Base(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Ismael Alexandrino, diretor-presidente do Instituto Hospital de Base (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

“Foco na gestão”

Nome
Ismael Alexandrino

Idade
34 anos
 
Cargo: Diretor-presidente

Especialidade
Médico intensivista especializado em gestão de saúde

Tempo de Secretaria de Saúde
Seis anos

Formação
Universidade de Pernambuco, especializou-se na Itália

Experiência
chefe de UTI e de pronto-socorro. Passou pela rede privada e pelos hospitais regionais de Santa Maria e Gama. Foi secretário-adjunto de Gestão em Saúde

O médico intensivista Ismael Alexandrino participou desde o início da formulação do projeto que criou o Instituto Hospital de Base (IHBDF). Antes de assumir o cargo de diretor-presidente, foi secretário-adjunto de Gestão em Saúde. Ismael escreveu partes do contrato de gestão que estabelece as metas e chegou a recusar o cargo de chefia da unidade.

Ismael pondera que, na primeira semana, a gestão atacou problemas cruciais para o funcionamento do hospital. “Começamos a compra de insumos e medicamentos, além do edital de contratação de funcionários. Isso tem um impacto significativo no nosso desempenho. A falta de pessoas e a falta de insumos são os fatores que mais comprometem o funcionamento dos serviços. Estamos elencando as pessoas corretas para as funções corretas”, explica.

Apesar de o modelo de gestão ter sido criticado e de o Executivo local ter travado uma batalha judicial, o diretor-presidente garante que a reforma administrativa fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS). “Não teremos mais a burocracia de memorandos. A saúde não pode trabalhar com engessamento. Um processo de compra feito pela Secretaria de Saúde chega a levar 14 meses. Não estamos terceirizando o hospital”, destaca.

Rodrigo Caselli, diretor de assistência à saúde(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Rodrigo Caselli, diretor de assistência à saúde (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


“Condições para se trabalhar”


Nome
Rodrigo Caselli

Idade
44 anos

Cargo
Diretor de assistência à saúde

Especialidade
médico cirurgião especializado em trauma

Tempo de Secretaria de Saúde
14 anos

Formação
Universidade de Brasília (UnB)

Experiência
Passou pelos hospitais regionais de Planaltina e Santa Maria. Foi diretor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)

“Essa foi uma semana de muita apreensão e expectativa. As pessoas querem saber quando os materiais chegam, quando serão contratadas mais pessoas. Está sendo novidade também para nós gestores trabalhar com esse modelo de gestão. O que queremos é que o profissional não se preocupe se está faltando material ou não. É uma mudança histórica que precisava acontecer. Não dava mais para continuar como estava”, resume Rodrigo.

Ele acredita que a mudança na gestão injetou ânimo aos servidores. “Temos os melhores profissionais da cidade em termos assistenciais e de capacidade. O que sempre gerou muita dificuldade e angústia foi a falta de estrutura para desenvolver o trabalho. O médico, o enfermeiro, o fisioterapeuta querem desenvolver a função técnica deles. Nos últimos anos, isso não era possível”, pondera.

Rodrigo destaca que não há motivos para o brasiliense se preocupar. “O paciente pode ficar tranquilo. A assistência continuará a mesma. O que muda é o cenário. Teremos condições de atender mais e melhor. A expectativa é que se acabe com a desmarcação de cirurgias por falta de profissionais e insumos. Queremos extinguir aquela resposta de que em 90 dias o insumo terá sido comprado”, defende.


Dulcilene Cláudia Xavier, diretora vice-presidente(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Dulcilene Cláudia Xavier, diretora vice-presidente (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

“Mudança de comportamento”


Nome
Dulcilene Cláudia Xavier

Idade
43 anos

Cargo
Diretora vice-presidente

Especialidade
Administradora especialista em gestão estratégica de pessoas

Tempo de Secretaria de Saúde
veio de Belo Horizonte participar da criação do IHBDF no ano passado

Formação
Centro Universitário Newton Paiva (MG), especializou-se na Fundação Getulio Vargas

Experiência
Passou por empresas de tecnologia de informação em São Paulo, pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Secretaria Estadual de Saúde de Belo Horizonte

O principal elemento do hospital são pessoas, destaca Dulcilene. “Por mais preparado que esteja, existem os anseios, as expectativas, o medo do desconhecido. As pessoas querem saber o que vai acontecer. Muitos acreditaram que o hospital dormiria de um jeito e amanheceria totalmente diferente. Esse é um processo que vamos construir”.

Para ela, o mais delicado é a mudança de comportamento. “Temos celetistas e estatutários dividindo o mesmo trabalho, com sistemas jurídicos diferentes. É difícil transformar o comportamento de servidores que estão aqui há 25, 30 anos. Não fechamos o hospital para fazer a reforma administrativa. Continuamos funcionando, fechando escalas e atendendo a cidade”, destaca.

Dulcilene não é servidora de carreira da Secretaria de Saúde. Ela veio participar do projeto de elaboração do IHBDF. “Não tem o histórico dos outros colegas da direção com o hospital. Nunca tive relação com o lugar, mas estou otimista. Aqui tem todos os elementos de desafio. Criar metas de desempenho e indicadores de produção. Não queremos errar. Todo esforço está sendo para que isso não ocorra”, conclui.


Luciana Vieira Tavernard de Oliveira, diretora de ensino e pesquisa(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Luciana Vieira Tavernard de Oliveira, diretora de ensino e pesquisa (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

“Profissionais do futuro”

Nome
Luciana Vieira Tavernard de Oliveira

Idade
37 anos

Cargo
diretora de ensino e pesquisa

Especialidade
Fisioterapeuta especialista em atendimento de UTI e emergência

Tempo de Secretaria de Saúde
12 anos

Formação
Universidade Católica de Brasília e Universidade de Brasília (UnB), especializou-se no Canadá

Experiência
Passou pelos hospitais regionais do Guará e de Santa Maria. É professora universitária. Desde 2013, trabalha com ensino e pesquisa no Base

Há quatro anos, Luciana coordena os 52 programas de residência médica. O trabalho impacta diretamente com a rotina de 600 residentes. Para ela, o essencial é preservar e fomentar o aspecto de hospital de ensino. “O Hospital de Base é maior que muita universidade. Temos responsabilidade com o passado e com o futuro. Acreditamos que o hospital pode melhorar. Todos os profissionais que estão aqui, em algum momento, foram treinados no hospital”, resume.

Com o novo modelo de gestão, ela acredita que será possível ampliar pesquisas. “Muitas vezes pesquisamos por amor à causa, sem estrutura e sem apoio. A pesquisa vai além do produto acadêmico. Isso colabora para o atendimento do paciente. A equipe tem capacidade de definir qual o melhor atendimento, se o remédio é o mais adequado. Agora, teremos autonomia para fomentar o ensino, a pesquisa e a de avaliação de tecnologia em saúde, como a relação de custo-efetividade do tratamento”, explica.

Luciana fez o primeiro estágio no Base, em 1997. Antes da mudança, ela conversou com os estudantes para detalhar como funcionaria a unidade. “Não perderemos o foco na qualidade da assistência, no carinho do atendimento, na excelência do ensino. A pesquisa melhora o processo de trabalho e forma o profissional do futuro.”


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