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Correio Braziliense

Mulheres do rap batalham por espaço no cenário artístico do DF

Coletivo de rappers femininas fixa endereço na Praça do Conic e se reúne todo segundo sábado do mês para batalhar


postado em 24/01/2018 06:00 / atualizado em 24/01/2018 09:23

A Batalha das Gurias é um espaço que busca dar visibilidade a rappers femininas e à cultura urbana(foto: Isis Acha/Divulgação)
A Batalha das Gurias é um espaço que busca dar visibilidade a rappers femininas e à cultura urbana (foto: Isis Acha/Divulgação)


Para se posicionar em meio a um universo predominantemente masculino, que é o das disputas de  rimas rappers, as meninas da Batalha das Gurias se organizaram, em 2013, com o objetivo de criar um ambiente propício ao desenvolvimento do rap feminino no Distrito Federal. A disputa só com mulheres surgiu dentro de um outro coletivo cultural chamado Batalha do Museu, encontro de MCs na praça do Museu Nacional aos sábados. Buscando representatividade, elas conseguiram, com força e coragem, o espaço que merecem no cenário artístico do DF.



A Batalha das Gurias surgiu como movimento de resistência dentro de um outro movimento de resistência, que é o rap. Mas a linguagem, além de empoderada, quase sempre deixa de lado rima ofensivas e machistas.

Inicialmente como um evento realizado antes da Batalha do Museu, as integrantes notaram a necessidade de aproximar as mulheres e promover umcírculo confortável para expressão artística feminina. Foi então que a Batalha das Gurias passou a ter mais autonomia. Primeiro, trocaram o dia do evento das meninas, sendo fortalecido por personalidades culturais da cidade. Depois, fundaram uma batalha itinerante, todo o ano passado, que consistia em montar a batalha em outras regiões do Distrito Federal com o objetivo de dar visibilidade às mulheres da periferia e estimular a participação delas no meio do rap, que, infelizmente, ainda é pequena.

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“Nós percebemos que só homens batalhavam e queríamos mudar esse cenário”, conta Estéfane Câmara, integrante da Batalha das Gurias, mais conhecida como DJ Marciana. A partir da batalha itinerante, que passou por Planaltina, Ceilândia, Samambaia e outras regiões administrativas, o coletivo aumentou e ganhou visibilidade nacional, influenciando outros grupos de MCs a criarem suas próprias batalhas de rap.

Periferia


“Assim que percebemos que o nosso coletivo se tornava dependente da batalha geral, dos meninos, resolvemos criar a batalha itinerante. O objetivo era buscar mulheres na periferia para ‘colar’ com a gente. Hoje, nós temos muitas mulheres MCs batalhando com homens, com coragem de enfrentá-los. É muito gratificante saber que fomos pioneiras nessa iniciativa e que ela está se espalhando no Brasil”, destaca Estéfane.

De acordo com a MC, “as mulheres ainda são invisíveis no cenário cultural como um todo. Um grande exemplo disso é uma pioneira do rap ser daqui de Brasília e poucas pessoas conheceram o trabalho dela, caso da Vera Veronika. Nós queremos mais referências. Temos a Flora Matos, algumas ‘minas’ que nos inspiram, mas ainda é pouco”, revela Estéfane.

Ver galeria . 4 Fotos  Isis Acha/Divulgação
(foto: Isis Acha/Divulgação )



* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira 

Frente a frente

Também conhecida como rinha de MCs, é um encontro promovido por rimadores que duelam entre si com improvisos criativos que dialoguem, com a mediação de um mestre de cerimônia, que se certifica de que os improvisos contenham rimas. O primeiro a esgotar as possibilidades de improviso perde a batalha.


"Hoje, nós temos muitas mulheres MCs batalhando com homens, com coragem de enfrentá-los. É muito gratificante saber que fomos pioneiras nessa iniciativa e que ela está se espalhando no Brasil”
Estéfane Câmara, 
conhecida como DJ Marciana
 
 

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