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Correio Braziliense

Corpo de Bombeiros afasta tenente-coronel suspeito de agredir a ex-mulher

Caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia (Águas Claras). Câmeras de segurança registraram a suposta agressão. Justiça concedeu medida protetiva


postado em 24/01/2018 11:21 / atualizado em 24/01/2018 12:46

As imagens mostram um homem puxando uma mulher pelos braços e a jogando, com força, ao chão(foto: Reprodução)
As imagens mostram um homem puxando uma mulher pelos braços e a jogando, com força, ao chão (foto: Reprodução)

O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal afastou um tenente-coronel após denúncia de agressão à ex-mulher. Claudio Lúcio de Araújo Góes Federal é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia (Águas Claras). Segundo depoimento da vítima, Ludmilla Lopes, na madrugada do último domingo, ele a empurrou, ocasionando lesões “no cotovelo direito, ombro e pulso”. O episódio aconteceu em um estabelecimento comercial de Águas Claras, um dia depois de a Justiça revogar medidas protetivas que restringiam a aproximação do oficial à ex-mulher, devido a outra suspeita de agressão, no fim de 2016.

O suposto crime aconteceu em frente à Veterinária Sonho de Pet, loja aberta pelos dois à época em que eram casados — eles aguardam a dissolução da sociedade. Conforme os relatos de Ludmilla, Claudio visitou o local no último fim de semana. Por “não estar preparada” para conviver com o tenente-coronel, ela foi à empresa apenas no fim do dia, para buscar alguns produtos e trabalhar por conta própria.
  
Nesse momento, Claudio Góes teria filmado a ação e dito que a mulher estava “roubando os objetos”. Ludmilla reagiu e derrubou o celular do oficial com um tapa. Em resposta, o tenente-coronel a pegou pelos braços e a jogou ao chão. Ele, então, “pegou o telefone novamente e filmou Ludmilla, afirmando que ela estava se jogando no chão para tentar simular algum crime”, descreve a ocorrência.

Versões


O tenente-coronel prestou depoimento no mesmo dia. À polícia, ele disse que, pela manhã, realizou filmagens para demonstrar o inventário da empresa e deixou o local. Por volta de 23h30, retornou ao estabelecimento comercial, onde viu Ludmilla, acompanhada por uma tia de consideração, retirando bens do interior da loja.

Por entender que se tratava de um furto, ele filmou a ação. “Ludmilla pisou no aparelho uma vez e, ao tentar pisar novamente, Claudio a afastou com o corpo, momento em que a mesma caiu no chão”, narra a ocorrência, com base nos relatos do servidor do Corpo de Bombeiros.
 
 
Constam no documento, ainda, depoimentos de duas testemunhas. Em defesa de Ludmilla, a tia afirmou que a retirada dos objetos havia sido autorizada por um advogado. Em declaração, acrescentou que, ao tentar proteger a mulher no momento em que Jairo “partiu para agredi-la”, foi empurrada pelo tenente-coronel e “caiu sentada em uma cadeira”. “Quando Ludmilla estava saindo da loja, Claudio a agarrou por trás e a arremessou ao chão”, frisou.
 
A namorada do tenente-coronel, por sua vez, alega que não viu o companheiro, “em momento nenhum, agredindo ou empurrando Ludmilla, mas viu que ela caiu no chão”.  

Novas medidas protetivas


Com base no caso deste fim de semana, o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Águas Claras determinou novas medidas protetivas, as quais determinam que o servidor do Corpo de Bombeiros mantenha distância mínima de 200 metros da ex-mulher.

Na decisão, o juiz substituto Tarcísio de Moraes Souza aponta que há versões conflitantes sobre o episódio. O magistrado, contudo, destaca que a intervenção judicial é necessária para “evitar a reiteração de atos semelhantes aptos a causar prejuízos à integridade física e moral da ofendida”.

A 21ª DP instaurou inquérito para apurar o caso. Conforme consta na ocorrência policial, Ludmilla foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) para exames de corpo de delito.
 
Há câmeras próximo ao local onde ocorreu a suposta agressão que podem ajudar o esclarecimento dos fatos. As imagens mostram um homem puxando uma mulher pelos braços e a jogando, com força, ao chão.
 
 
 

Outra investigação


Claudio Góes é investigado em outro inquérito policial. Ele teria agredido Ludmilla em agosto de 2016, num apartamento localizado em Águas Claras. Por conta do episódio, o poder Judiciário restringiu a proximidade do servidor do Corpo de Bombeiros a Ludmilla por cerca de 1 ano e 5 meses. As medidas protetivas, contudo, foram revogadas na última sexta-feira, "em vista da ausência de provas”, aponta a Justiça.
 
"Ele fez ameaças via WhatsApp ao meu companheiro, o que é considerado uma desobediência à Lei Maria da Penha. Ele não para, estou com medo", disse Ludmilla, em entrevista ao Correio, denunciando fatos anteriores à revogação das medidas protetivas. 

Ao Correio, o tenente-coronel afirmou que as acusações de Ludmilla são “falsas”. Ele acrescentou que a ex-mulher “apresentou uma versão distorcida da realidade”. “O inquérito investiga, inclusive, o falso testemunho dela e uma tentativa de homicídio contra mim. Todos estão muito aquém do que realmente aconteceu”, pontuou. Por fim, o servidor do Corpo de Bombeiros declarou que a palavra da ex-mulher não pode ser levada em consideração, por conta de uma série de falsos testemunhos no passado.

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