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Correio Braziliense

Motorista que atropelou e matou idosos no Lago Norte estava a 140km/h

Velocidade máxima permitida para a via é de 60km/h; laudo do Instituto de Criminalística foi concluído nesta sexta-feira e divulgado pela polícia


postado em 26/01/2018 16:54 / atualizado em 26/01/2018 17:17

Evaldo Augusto da Silva e Dulcineia Rosalino da Silva morreram atropelados em 18 de janeiro(foto: Reprodução/Facebook)
Evaldo Augusto da Silva e Dulcineia Rosalino da Silva morreram atropelados em 18 de janeiro (foto: Reprodução/Facebook)


Oito dias após o atropelamento que matou os servidores públicos aposentados Evaldo Augusto da Silva, 75 anos, e Dulcineia Rosalino da Silva, 72, no Lago Norte, a Polícia Civil divulgou detalhes da investigação. Nesta sexta-feira (26/1), a titular da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte), Mônica Ferreira, informou que a atropeladora, Luciana Pupe Vieira, 46 anos, estava a 140km por hora quando atropelou os idosos. A via é de 60km por hora. 
O laudo do Instituto de Criminalística foi concluído nesta sexta-feira. "A conclusão dos peritos é que a causa do acidente foi a perda do controle do veículo. O motivo não foi possível precisar. Estamos averiguando a causa por outros elementos, como testemunhas", explica. O celular estava dentro da bolsa, não havia bebidas ou remédios dentro do veículo. O sapato da vítima não foi encontrado, de acordo com a polícia.

A Polícia Civil pediu que a Justiça libere a análise laboratorial do material genético de Luciana, pois, como ela está inconsciente, não pode autorizar os exames. "Temos o material, mas não temos a autorização para usar", destaca Mônica. A família não foi questionada sobre o assunto. O pedido à Justiça foi feito na última segunda-feira (22/1). O material foi colhido em dois momentos distintos. 

Para a investigação, é essencial a liberação do resultado da perícia, que atestará se Luciana estava ou não sob o efeito de substâncias químicas. Ela não passou pelo teste de bafômetro, mas teve o sangue colhido no hospital. "Esses exames trarão respostas que não temos agora. Saberemos se ela sofreu um mal súbito ou se teve uma crise glicêmica", destacou a delegada. 

A equipe médica que acompanha Luciana atualizou o estado de saúde da atropeladora. Ela chegou a receber o diagnóstico de que estaria com morte cerebral, mas os médicos voltaram atrás. "Ela respirou. Isso é um sinal de atividade cerebral", detalha Mônica. Luciana sofreu um acidente vascular cerebral, e está internada em coma induzido no Hospital Santa Lúcia. 

Luciana não tem pontos na carteira. "Não há registro de infrações. Ouvimos familiares, amigos e colegas de trabalho. Não tivemos relatos de comportamentos agressivos ou de direção perigosa", conta a delegada. A família de Luciana entregou o celular da motorista para a quebra do sigilo telefônico para saber se ela falava ao celular enquanto dirigia.

Luciana será indiciada por homicídio com dolo eventual — quando não há intenção de matar, mas se assume o risco de acidentes —, segundo a delegada Mônica Ferreira. A pena para esse tipo de crime varia de seis a 20 anos de prisão. Por decisão da Justiça, Luciana responderá ao processo em liberdade.

O acidente


O atropelamento ocorreu na altura da QI 10 do Lago Norte. Evaldo e Dulcineia caminhavam na calçada quando o Mitsubishi ASX atingiu o casal. Câmeras de segurança de casas vizinhas mostram o veículo em alta velocidade. Outro casal, que viu o carro vindo em sua direção, conseguiu escapar ileso. Mas, Evaldo e Dulcineia, que caminhavam de costas para os veículos, não perceberam a aproximação.

Naturais de Minas Gerais, Dulcineia era servidora aposentada da Câmara dos Deputados e Evaldo era auditor da Receita Federal. Ambos haviam acabado de voltar de uma viagem internacional em comemoração aos 50 anos de casados. O casal deixa três filhos, quatro netos e um bisneto. Eles eram tios de Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, sequestrado na maternidade em 1986.

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