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Correio Braziliense

Blocos de carnaval se organizam para receber 2,5 milhões de foliões no DF

O gosto pela folia na rua cresce a cada ano na capital federal. Confira alguns dos blocos que devem aquecer a festa do Momo


postado em 31/01/2018 06:00 / atualizado em 08/02/2018 19:31

O Divinas Tetas, que chega ao seu terceiro carnaval, no dia 12, às 14h, no Setor Bancário Sul(foto: Thais Mallon/Divulgação)
O Divinas Tetas, que chega ao seu terceiro carnaval, no dia 12, às 14h, no Setor Bancário Sul (foto: Thais Mallon/Divulgação)


O carnaval de Brasília vem crescendo a cada ano, espalhando alegria pelas avenidas que recebem os foliões fantasiados para a festa tão aguardada. São 136 blocos que se esparramam pelas regiões do Distrito Federal, colorindo as ruas com tons diferentes do convencional. Os estilos variam, e talvez esse seja o grande diferencial. Os ritmos abrangem a cultura diversificada que se consolidou na cidade, com migrantes de diversos estados brasileiros.

São esperadas 2,5 milhões de pessoas brincando o feriado nacional, segundo a Secretaria de Cultura. Apesar do cancelamento do Babydollde Nylon, no último dia 18, os blocos se organizam para receber com muito glitter, serpentina e música os foliões que estão prontos para brincar e brindar a data.

Ver galeria . 9 Fotos Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press )

Aplicativo

O analista de sistemas Paulo Mota, morador de Sobradinho, desenvolveu o aplicativo Carnaval BSB, disponível para Android e IOS. O brasiliense percebeu que a capital não contava com uma plataforma que informasse a programação dos blocos. “A ideia surgiu em novembro passado, pesquisando por um aplicativo como esse. Quando vi que não existia, decidi desenvolver um, meio que de  brincadeira”, conta. “Com o crescimento dos blocos em Brasília, o objetivo é tornar mais fácil o acesso à programação do carnaval, e possibilitar o acompanhamento das festas, marcando-as como favoritas”, informa Paulo Mota.

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Divinas tetas

O ritmo da música popular brasileira é o que embala o Divinas Tetas, que chega ao seu terceiro carnaval, no dia 12, às 14h, no Setor Comercial Sul. A ideia, segundo o produtor cultural e organizador do bloco, Adolfo Neto, 39 anos, morador da Asa Norte, surgiu na edição de 2011 do Babydoll de Nylon. “Foi um bloco de que eu gostei muito. Isso nutriu a vontade de fazer um bloco no mesmo estilo. Então, eu e meus amigos Aloizio, Thiago e Samyr montamos o Divinas Tetas, com a proposta de tocar músicas daTropicália”, esclarece Adolfo.
No repertório, entram músicas de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Novos Baianos, Mutantes e outros artistas do movimento musical. Para este ano, o grupo, que também é banda show, prepara novo repertório.

“A nossa vontade é fazer um carnaval maravilhoso, sem brigas, com respeito às mulheres e à comunidade LGBT. Não queremos nenhuma violência, apenas uma festa da paz”, enfatiza. E para este ano, os organizadores do bloco também decidiram finalizar a folia um pouco mais cedo, às 18h. “É exatamente para trazermos mais segurança ao folião, porque a praça do Setor Comercial Sul é um local com ocorrência de crimes. Terminando a folia durante o dia, o público também tem a opção de ir para outros blocos”, pondera Adolfo Neto.

Me engole que eu sou jiló

Com uma temática cinematográfica, o bloco chega ao seu quarto ano. A festa é na segunda, 5, e a concentração tem início às 18h, na Praça dos Prazeres, na 210 Norte.  Em 2017, mil pessoas compareceram. O objetivo dos organizadores é repetir a dose este ano. A cada edição, o estilo visual da festa muda, a fim de diversificar o bloco e abranger temas que estão em alta em Brasília. O roteiro de 2018 é o protagonismo feminino no carnaval. A ideia surgiu após o recebimento de inúmeras denúncias de assédio nas festas carnavalescas da capital. O samba-enredo também contará essa história.

De acordo com a organizadora e economista Gabi Marretto, 31, a música desta edição foi escrita apenas por mulheres. “Existe um machismo no país, que também é percebido no carnaval. Então, a composição foi só de mulheres brasilienses. O samba fala do assédio, mas também fala da mulher se apropriando e tomando conta desse espaço carnavalesco”, explica a moradora da Asa Norte.

Todo o bloco será puxado por mulheres. “O nosso coletivo não é apenas feminino, por isso, homens também participarão. Mas a ideia é que eles saiam de seus espaços clássicos de poder para que as mulheres ganhem esse destaque”, salienta Gabi.

 

Thutakasmona  e Essa boquinha eu já beijei

Neste ano, esses dois blocos decidiram sair unidos para proporcionar mais diversão. Por conta da expectativa de reunirem 20 mil pessoas, as organizações vão realizar a festa na Torre de TV  dia 10, a partir das 14h. 

O Thutakasmona está na rua há três anos e tem temática LGBT. O ícone do bloco carnavalesco é a travesti Tuthankamona, criada pelos organizadores. O Essa boquinha eu já beijei completa cinco anos. É formado apenas por mulheres e o objetivo é trazer uma linguagem mais feminina para o carnaval. Segundo a organizadora e DJ do bloco Patrícia Egito, 31, do Paranoá, “é um espaço de fala para as artistas e foliãs”.

Mari explica que a união das festas é também uma forma de proteção. “Será um local de empoderamento e proteção tanto para as mulheres quanto para a comunidade LGBT, que costuma sofrer muita violência, sobretudo, no carnaval. Mas a proposta continua a mesma, um espaço seguro para a nossa diversão e libertação”, afirma. Os hinos deste ano são variados. Os foliões podem esperar de Mc Linn da Quebrada a Daniela Mercury e Beyoncé. “Tentamos ser muito coerentes com a nossa visão”, garante Mari.

 

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