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Correio Braziliense

Roubos e furtos de veículos viram rotina nos setores hoteleiros Sul e Norte

De janeiro até outubro do ano passado, 3.908 veículos foram roubados no Plano. Um aumento de 3% em relação a 2016


postado em 01/02/2018 06:00 / atualizado em 01/02/2018 07:51

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(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )


Os setores hoteleiros Sul (SHS) e Norte (SHN) têm registrado, diariamente, ocorrências de furtos a veículos. As ações acontecem nos estacionamentos públicos e em vagas improvisadas, principalmente na madrugada, em pontos que dificilmente podem ser observados pelos funcionários e pelas câmeras de segurança dos hotéis. Um dos casos mais recentes aconteceu ontem. Um ônibus de turismo que estava estacionado na Quadra 4 do SHS foi arrombado. O bandido levou ao menos cinco malas. 
 
 
Os passageiros do ônibus são 21 pessoas vindas de Pernambuco. O grupo estava hospedado em um hotel da quadra. Quase na hora de retornarem ao Nordeste, eles foram surpreendidos com a porta do veículo danificada. Nas malas levadas havia roupas, calçados, relógios, laptops, víideo-game, entre outros. “São constantes as reclamações de clientes sobre arrombamentos de carros. Por ser um ponto tão importante da cidade, os setores hoteleiros mereciam uma atenção maior com a área de segurança”, reclama Djacir Coelho, gerente do Bristol, estabelecimento onde as vítimas estavam hospedadas.

O horário usado para ação contra o ônibus foi o mesmo em que o carro do servidor público Dyego Mendanha Maia, 30 anos, foi invadido. Há dois meses, o veículo teve um dos vidros quebrado, na Quadra 4 do SHN. Transferido de Goiânia, a vítima mora provisoriamente no Nobile Suítes Monumental. O episódio aconteceu em um fim de semana em que ele foi para a cidade natal de carona. “Quando voltei, na segunda-feira de manhã, encontrei o carro com os vidros quebrados e todo revirado. Como eu não tenho costume de deixar objetos no carro, levaram apenas um óculos de sol”, lembra.

O estacionamento onde o carro de Dyego foi arrombado fica em frente ao esqueleto do Torre Palace Hotel. O local é movimentado durante o dia e os estabelecimentos ao redor têm equipamentos de vigilância, mas as câmeras não filmam todas as vagas. “Sempre deixo o carro na fila que fica bem em frente aonde estou hospedado. Nesse dia (do furto), não consegui”, conta o goiano.

A gerência do Nobile informa os hóspedes sobre os riscos de deixar o carro estacionado nas vagas públicas. Há um alerta no hall de entrada do estabelecimento. “Temos vagas privadas, mas nem todos contratam o serviço, por isso decidimos fazer esse comunicado. Do meio do ano passado para cá, os registros passaram a ser diários. Enviamos um ofício aos órgãos de segurança. Fizeram uma ação por uma semana apenas”, lembra Danilo Nunes, gerente do Nobile Suítes.

Precaução


O estacionamento preferido dos bandidos no SHS fica atrás do desativado Hotel Saint Peter, na Quadra 2. O advogado Diego Danieli, 37, teve o veículo arrombado no local. “Foi no fim do ano passado. Levaram uma mochila com roupas de malhar. Depois disso, tive que passar a pagar por garagem privada”, conta. 

Os dados referentes à criminalidade dos setores hoteleiros Norte e Sul estão incluídos no conjunto que reúne crimes do Plano Piloto, por isso a Secretaria de Segurança Pública alega não ter dados específicos da região hoteleira. De acordo com o órgão, de janeiro até outubro do ano passado, 3.908 veículos foram roubados no Plano. Um aumento de 3% em relação a 2016, quando houve 3.790 casos — as ocorrências de novembro e dezembro não foram divulgadas.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no DF, Adriana Pinto, diz haver “um certo descuido” das forças de segurança. “Um lugar com um movimento mensal de 60 mil hóspedes deveria ser tratado com prioridade. Os hotéis estão concentrados em uma localidade, então, é mais prático manter um policiamento maior para evitar essas situações”, destacou. Ela ressaltou que a instituição envia ofícios constantes às polícias Militar e Civil.

Por meio da assessoria de comunicação, a PM informou que os setores recebem policiamento diário com uso de veículos e cavalaria. A corporação frisou ser fundamental o registro de ocorrências nas delegacias. “Operações são realizadas conforme a necessidade da intensificação do policiamento na área. Para isso, o planejamento é realizado conforme a mancha criminal estabelecida por meio dos registros de ocorrência”, disse o texto oficial.
 
 

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